Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta quinta-feira (23/07), mostra que as exportações brasileiras para o México caíram 42,5% no primeiro semestre de 2026 em comparação com a média dos três anos anteriores — uma perda estimada em US$ 91,5 milhões. Com o resultado, o Brasil passou a figurar entre os cinco países mais afetados no mundo entre aqueles que não têm acordo de livre comércio com o México.

A causa apontada pela CNI é o “Programa de Protección para las Industrias Estratégicas”, implementado pelo governo mexicano em janeiro de 2026, que elevou os impostos de importação em 1.463 códigos tarifários, com alíquotas superando 50% em alguns casos.

Os setores mais afetados foram veículos automotores (-51,8%), produtos de borracha e plástico (-9,1%), metalurgia (-8%), couros e calçados (-7,4%), químicos (-5,9%), celulose e papel (-5,8%) e máquinas e equipamentos (-5,6%). A CNI destaca que 78,1% da queda correspondem a bens intermediários — insumos usados por outras indústrias ao longo da cadeia produtiva —, o que amplia o efeito cascata sobre a produção interna.

A entidade defende a isenção dos produtos brasileiros nesse programa mexicano e o avanço em negociações para um acordo comercial bilateral, que segundo estimativas poderia adicionar US$ 13,8 bilhões ao PIB conjunto dos dois países.

Para o transporte rodoviário de cargas, o dado interessa porque reflete o quadro mais amplo de comércio exterior brasileiro: quedas de exportação em cadeias industriais como automotiva, química e de celulose tendem a reduzir, com alguma defasagem, o volume de cargas que essas indústrias despacham para portos e centros de distribuição — outro sinal, ao lado do tarifaço americano, de que o comércio exterior segue como ponto de atenção para o volume de fretes nos próximos meses.