A extinção da escala de trabalho 6x1, aprovada pela Câmara dos Deputados por 34 votos a 4 no fim de maio, deve funcionar como catalisador de eficiência operacional para as empresas — incluindo transportadoras —, desde que a transição seja acompanhada de reorganização do trabalho, segundo análise da consultoria Ekantika.
A avaliação foi divulgada pelo portal Frota&Cia, com base em entrevista com Andrey Leite, diretor de Excelência Operacional da consultoria, especializado em produtividade e gestão de operações logísticas.
A Proposta de Emenda à Constituição extingue a escala 6x1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas em duas etapas: nos primeiros 60 dias após a promulgação, a jornada cai para 42 horas com dois dias de descanso remunerado; depois de 12 meses, passa definitivamente para 40 horas semanais.
Segundo Andrey Leite, os ganhos de produtividade não são automáticos — dependem de reorganização do trabalho, liderança preparada e processos estáveis dentro das empresas. Sem esse redesenho, o risco é que a mudança gere "mais estresse, absenteísmo, perda de qualidade e rotatividade", em vez dos benefícios esperados.
O consultor recomenda que as empresas tratem a redução de jornada como uma agenda de excelência operacional, e não apenas como uma questão de conformidade legal a ser cumprida no último momento.
Para motoristas de caminhão especificamente, a recomendação é focar em produtividade e atratividade da função, reduzindo tempos ociosos em espera e documentação durante carga e descarga, além de calibrar as metas de produtividade com a segurança viária e revisar pisos de remuneração variável durante o período de transição.
A PEC ainda precisa avançar no Senado antes de entrar em vigor definitivamente. Para as transportadoras baianas, que já lidam com jornadas apertadas em razão das longas distâncias rodoviárias do estado, o alerta da consultoria é direto: a redução da carga horária pode se traduzir em ganho de produtividade e retenção de motoristas, mas apenas se as empresas revisarem desde já seus processos de escala, remuneração variável e gestão dos tempos de espera em operações de carga e descarga.
Fonte: Frota&Cia
