O Brasil registrou em setembro o menor nível já observado no Logistics Growth Index, indicador elaborado pelo World Research Institute (WRI) para medir a atividade logística em 42 economias. O índice brasileiro caiu de 50,5 pontos em agosto para 49,5 pontos em setembro, ficando abaixo da linha de 50 pontos que separa expansão de contração.
O resultado foi divulgado em 7 de outubro, dentro do calendário mensal do indicador, que é ponderado pelo Produto Interno Bruto de cada país e também aponta valores por região e para o conjunto da economia mundial. A próxima leitura está prevista para 7 de novembro.
A queda de 0,9 ponto no Brasil foi a mais acentuada entre todas as 42 economias acompanhadas pelo WRI no mês. O país ficou em 32º lugar no ranking global e em último lugar entre os cinco países das Américas incluídos no levantamento, cujo índice regional somou 52,6 pontos, acima da média mundial de 51,6 pontos.
Segundo o WRI, a piora reflete a redução do volume de negócios e o enfraquecimento da confiança empresarial, somados à perda de força da produção industrial, com empresas reduzindo investimentos em um cenário de juros elevados e incertezas ligadas ao período eleitoral.
O economista-chefe do WRI, Stephen Poh, afirmou que "os portos brasileiros permaneceram movimentados em setembro, mas o indicador de logística entrou em contração" — referência ao fato de que os terminais portuários tiveram volume recorde de cargas no mês, o que não foi suficiente para compensar a perda de ritmo em outros elos da cadeia logística nacional.
A leitura geral do indicador sugere menor demanda por movimentação de cargas no período, na esteira da desaceleração da produção de bens observada no país, embora o resultado não detalhe o desempenho por modal de transporte.
Nos meses anteriores, o índice brasileiro vinha oscilando perto da estabilidade, com o resultado de agosto pouco acima da linha de 50 pontos — o que reforça a leitura de que setembro marcou uma inflexão negativa mais clara na atividade logística do país.
Para o setor de transporte de cargas na Bahia, a notícia reforça um cenário de cautela para o curto prazo: menos atividade industrial tende a significar menos volume de carga disponível para transportar, mesmo com os portos do país operando em ritmo elevado. Transportadoras baianas que dependem de cargas industriais podem sentir com mais força essa desaceleração nos próximos meses, enquanto o segmento agrícola, puxado pela safra recorde esperada para o fim do ano, deve seguir como contrapeso importante para a demanda de frete no estado.
Fonte: Transporte Moderno
