LEVANTAMENTO APONTA ALTA DE 20% NO DIESEL DESDE JANEIRO E REFORÇA PRESSÃO SOBRE TRANSPORTADORAS

por Setceb | out 20, 2026 | Uncategorized

Um novo levantamento sobre o preço do diesel, divulgado nesta semana, mostra que o combustível acumula alta de cerca de 20% desde o início do ano, dado que complementa a informação de que o diesel comum subiu 6,67% apenas na primeira quinzena de outubro, segundo índice da Edenred Ticket Log. O novo recorte, feito pela empresa de meios de pagamento para frotas TruckPag, mostra que, mesmo com essa trajetória de alta acumulada, o preço do diesel S10 ficou praticamente estável dentro da própria primeira quinzena de outubro.

De acordo com a TruckPag, o diesel S10 custou em média R$ 6,94 por litro na primeira quinzena de outubro de 2026, ante uma média de R$ 5,78 em janeiro, o que representa alta acumulada de 20,1% no ano. Os dados têm como base transações reais registradas em 4.940 postos credenciados pela empresa, dos quais cerca de 90% estão localizados em rodovias.

Apesar da alta acumulada, o preço médio do combustível variou muito pouco dentro da quinzena analisada: abriu outubro em R$ 6,94 por litro e fechou o período em R$ 6,93, com oscilação diária de no máximo R$ 0,03. Em comparação com a média de setembro, de R$ 6,76, o valor de outubro está 2,7% mais alto.

O levantamento também mostra que setembro marcou a retomada da alta do diesel depois de quatro meses seguidos de queda, entre maio e agosto. O combustível começou setembro cotado a R$ 6,43 e só atingiu o patamar atual na segunda quinzena daquele mês.

Chama atenção o descolamento entre o preço interno e o mercado internacional de petróleo no período mais recente. Entre 1º e 15 de outubro, o barril do tipo Brent subiu de US$ 102,52 para US$ 105,45, uma alta de 2,9%, mas o preço médio do diesel S10 na rede monitorada pela TruckPag recuou R$ 0,01 por litro no mesmo intervalo.

O levantamento identifica ainda diferenças expressivas entre estados. Considerando o acumulado desde 28 de fevereiro, quando a série histórica da TruckPag começou, Maranhão, Pernambuco e Piauí se revezaram como os estados com as maiores altas. Em 15 de outubro, o Piauí liderava esse ranking com alta acumulada de 27,6%, enquanto Amazonas, Rondônia, Espírito Santo e Rio de Janeiro registravam os menores aumentos no período, entre 12,7% e 15%.

Kassio Seefeld, CEO e cofundador da TruckPag, afirma que a estabilidade de preços observada dentro da quinzena não representa alívio para as transportadoras. Segundo ele, o diesel segue cerca de 20% mais caro do que no início do ano, o que mantém a pressão sobre operações que já trabalham com margens apertadas. Seefeld defende que o acompanhamento constante dos preços e a visibilidade sobre os gastos com abastecimento são fundamentais para o planejamento financeiro das frotas.

Os dois levantamentos, com metodologias e janelas de comparação diferentes, indicam leituras distintas sobre o mesmo período, mas convergem num ponto central: o custo do diesel segue em patamar elevado e consome parte relevante do faturamento das transportadoras de carga em todo o país. Para empresas e caminhoneiros autônomos baianos, que dependem do diesel para operações de longa distância, a manutenção desse patamar de preços reforça a necessidade de negociação de reajustes de frete compatíveis com o custo real do combustível, tema que segue sensível enquanto o subsídio federal ao diesel importado não se mostra suficiente para conter as variações internas.

Fonte: Frota&Cia