A busca por entregas mais rápidas tem impulsionado investimentos em infraestrutura, tecnologia e ampliação da malha aérea no transporte de cargas. Em um cenário marcado pelo crescimento do comércio eletrônico, da indústria de alta tecnologia e da necessidade de abastecimento mais ágil, operadores logísticos vêm reduzindo os prazos de entrega e ampliando sua capacidade operacional.

Um exemplo desse movimento é a Latam Cargo, que elevou para 90% a parcela das cargas domésticas entregues em até 48 horas entre março e maio deste ano. No mesmo período de 2025, esse índice era de 82%, demonstrando um avanço na eficiência da operação.

Além da melhora nos prazos, a empresa registrou crescimento tanto no volume movimentado quanto na quantidade de remessas entregues dentro do período de dois dias. O desempenho foi puxado principalmente pelos segmentos de cargas gerais e produtos eletroeletrônicos, cuja demanda vem crescendo impulsionada pela digitalização da economia e pela expansão do varejo online.

Segundo a companhia, parte desse resultado está ligada ao aumento da oferta de voos domésticos. A ampliação da malha de passageiros elevou a disponibilidade de espaço nos porões das aeronaves, permitindo transportar mais mercadorias e fortalecer a integração logística entre diferentes regiões do país.

Os maiores ganhos foram observados nas operações destinadas ao Norte e ao Nordeste, mercados tradicionalmente mais desafiadores do ponto de vista logístico. Nessas rotas, aproximadamente nove em cada dez cargas passaram a ser entregues em até 48 horas. O volume de envios também cresceu de forma expressiva, com destaque para equipamentos eletroeletrônicos e cargas gerais.

Para sustentar esse avanço, a empresa intensificou investimentos em infraestrutura aeroportuária e automação. O terminal de cargas de Guarulhos recebeu ampliação da área destinada às operações de comércio eletrônico, enquanto novos sistemas automatizados passaram a acelerar a separação e o processamento de encomendas. A companhia também reforçou a capacidade da ligação cargueira entre Guarulhos e Manaus, um dos principais corredores logísticos do país para produtos da Zona Franca.

A estratégia faz parte de um plano mais amplo de expansão da LATAM no mercado brasileiro. Paralelamente às melhorias na operação de cargas, a empresa prepara a incorporação dos jatos Embraer E195-E2, voltados ao fortalecimento da aviação regional, e já iniciou a formação de pilotos que irão operar o novo modelo.

Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) indicam que, em abril de 2026, a Latam Cargo detinha 39,2% do mercado doméstico de transporte de cargas realizado nos porões de aeronaves de passageiros, mantendo a liderança nesse segmento.

No mercado internacional, a companhia também ampliou sua conectividade com novas rotas para destinos na América do Norte e na Europa. A expansão aumenta as alternativas para importadores e exportadores brasileiros e reforça a integração entre o transporte aéreo e os demais modais logísticos, especialmente o rodoviário, responsável pela coleta e distribuição das cargas entre aeroportos, centros de distribuição e clientes finais.

Essa evolução evidencia uma tendência que vem ganhando força no setor: embora represente uma parcela menor do volume transportado no Brasil, a logística aérea desempenha um papel cada vez mais estratégico para mercadorias de alto valor agregado, produtos sensíveis ao tempo de entrega e operações que exigem maior velocidade na cadeia de suprimentos.