MERCADO DE CAMINHÕES MELHORA EM JULHO, MAS RECUPERAÇÃO AINDA É LIMITADA

por Setceb | ago 10, 2026 | Uncategorized

O mercado brasileiro de caminhões apresentou uma reação importante em julho, mas os números ainda não indicam uma retomada consolidada. Foram 11,7 mil unidades emplacadas no mês, resultado 19,4% superior ao registrado em junho, quando pouco mais de 9,8 mil caminhões foram licenciados. Na comparação com julho de 2025, o avanço foi de 10%.

Apesar da melhora recente, o acumulado do ano continua abaixo do registrado em 2025. De janeiro a julho, foram 60,6 mil caminhões emplacados, contra 65,3 mil no mesmo período do ano passado. A diferença representa uma retração de 7,2%, equivalente a cerca de 4,7 mil veículos.

Para Igor Calvet, presidente da Anfavea, a trajetória dos últimos meses mostra uma redução importante no ritmo de queda. No início do ano, o mercado chegou a apresentar retração próxima de 31% no acumulado, enquanto agora o resultado negativo está em 7,2%.

A sequência mensal também reforça essa mudança de cenário. Depois de registrar 8,4 mil unidades em maio, o mercado passou para 9,8 mil em junho e alcançou 11,7 mil em julho. Ainda assim, a entidade avalia que o crescimento recente não foi suficiente para recuperar completamente as perdas acumuladas ao longo do ano.

Um dos fatores que ajudaram a movimentar o mercado foi o programa Move Brasil, voltado ao financiamento de veículos pesados. A estimativa da Anfavea é de que a iniciativa tenha contribuído para a comercialização de aproximadamente 8 mil a 10 mil caminhões somente no primeiro semestre. Como existe um intervalo entre a contratação do crédito, o faturamento e o emplacamento, parte dos efeitos do programa ainda pode aparecer nos próximos meses.

Mesmo com esse estímulo, o custo do financiamento continua sendo um dos principais entraves para a renovação das frotas. Com a Selic ainda em 14%, o crédito permanece caro para transportadores que precisam investir em novos veículos. Ao mesmo tempo, despesas com combustível, manutenção e outros componentes da operação continuam pressionando as margens das empresas.

A situação também é influenciada pelo desempenho do agronegócio, importante fonte de demanda para caminhões no Brasil. Em momentos de preços menos favoráveis para determinadas commodities e margens mais apertadas para produtores, a tendência é de maior cautela na realização de novos investimentos.

Na indústria, julho também trouxe crescimento. A produção chegou a 12,1 mil caminhões, ante 10,9 mil unidades em junho, avanço de 11,2%. O resultado, porém, ficou praticamente estável em relação a julho do ano passado, quando foram produzidos 12,1 mil veículos.

No acumulado de janeiro a julho, a indústria ainda registra uma queda mais expressiva. Foram 68,9 mil caminhões produzidos neste ano, contra 78,4 mil no mesmo intervalo de 2025, redução de 12,1%, ou aproximadamente 9,5 mil unidades.

As exportações também permanecem abaixo do desempenho do ano passado. Em julho, as fabricantes brasileiras enviaram 2,3 mil caminhões ao exterior, crescimento de 8,7% sobre junho, que registrou 2,1 mil unidades. Na comparação com julho de 2025, entretanto, houve retração de 17,9%.

Considerando os sete primeiros meses do ano, as exportações somaram 13,5 mil caminhões, enquanto no mesmo período de 2025 foram 16,2 mil. O resultado representa uma queda de 16,5%.

Diante desse cenário, a expectativa da Anfavea é que o mercado encerre 2026 ainda no campo negativo, com retração estimada próxima de 6%. Os números de julho mostram uma reação nas vendas, mas o setor ainda depende de condições de crédito mais favoráveis, recuperação da atividade econômica e melhora das margens dos transportadores para transformar o crescimento pontual em uma retomada mais consistente.

Fonte: Transporte Mundial