Mesmo com a queda do petróleo Brent para abaixo de US$ 90 por barril no fim da última semana, os preços dos combustíveis praticados pelas refinarias brasileiras continuam distantes da paridade internacional. Levantamento da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) mostra que a defasagem do diesel e da gasolina permanece elevada.
De acordo com a entidade, na sexta-feira (24), o diesel apresentava defasagem de 58%, enquanto a gasolina registrava diferença de 45% em relação ao preço de paridade de importação (PPI), referência utilizada para comparar os valores praticados no mercado nacional com os preços internacionais.
Nas refinarias da Petrobras, a diferença foi ainda maior. No Porto de Suape, por exemplo, o diesel era comercializado a R$ 5,44 por litro, valor R$ 2,27 inferior ao preço de referência internacional. Na média, a estatal mantinha o diesel cerca de 69% abaixo do PPI, enquanto a gasolina apresentava defasagem média de 54%.
Já a Refinaria de Mataripe, na Bahia, administrada pela Acelen, operava com preços mais próximos do mercado internacional. Após os reajustes realizados recentemente, a defasagem era de 1% para o diesel e de 2% para a gasolina.
PETROBRAS NÃO ALTERA PREÇO DO DIESEL DESDE JUNHO
O último reajuste promovido pela Petrobras para o diesel ocorreu em 1º de junho, quando houve uma redução de R$ 0,35 por litro. Na ocasião, o corte coincidiu com o valor do subsídio federal vigente à época, posteriormente encerrado e substituído por um novo benefício de R$ 1,12 por litro destinado à cadeia de comercialização do combustível.
No caso da gasolina, o último reajuste foi realizado em 29 de maio, com aumento de R$ 0,48 por litro. Como havia uma subvenção governamental de R$ 0,44 por litro, o impacto líquido para as distribuidoras ficou em R$ 0,04 por litro.
IMPACTO PARA O TRANSPORTE RODOVIÁRIO
Para o transporte rodoviário de cargas, a evolução dos preços do diesel continua sendo um dos principais fatores de atenção. O combustível representa uma parcela significativa dos custos operacionais das transportadoras e dos caminhoneiros autônomos. Por isso, qualquer alteração na política de preços das refinarias ou no mercado internacional pode influenciar diretamente o valor do frete, o planejamento financeiro das empresas e a rentabilidade das operações.