Apesar de oferecer condições especiais de financiamento para renovação da frota, o Move Brasil ainda enfrenta baixa adesão entre os caminhoneiros autônomos. Enquanto os recursos destinados às empresas praticamente se esgotaram nas primeiras semanas do programa, boa parte da verba reservada aos transportadores autônomos segue disponível.
Dos R$ 2 bilhões destinados exclusivamente aos caminhoneiros, apenas cerca de R$ 300 milhões haviam sido contratados até o fim de junho. O cenário repete o observado na primeira etapa do programa e mostra que o principal desafio deixou de ser a oferta de crédito, passando a ser a capacidade financeira dos profissionais de assumirem um novo financiamento.
Segundo representantes da categoria, o problema não está nas condições oferecidas, mas na falta de previsibilidade da renda. A oscilação na oferta de fretes, somada ao aumento dos custos com diesel, pneus, peças e manutenção, faz com que muitos autônomos evitem assumir parcelas que podem comprometer o orçamento nos próximos anos.
Para incentivar a renovação da frota, montadoras, concessionárias, bancos e entidades do setor passaram a promover ações específicas voltadas aos transportadores autônomos. Entre elas, feirões de financiamento com condições diferenciadas, incluindo juros reduzidos, possibilidade de entrada facilitada e prazos de pagamento de até dez anos.
Além da preocupação com a renda, muitos caminhoneiros também relatam dificuldades para entender como acessar a linha de crédito. Há profissionais que afirmam ter procurado bancos e concessionárias, mas encontraram apenas modalidades tradicionais de financiamento, sem conseguir contratar as condições divulgadas pelo programa.
Especialistas avaliam que a baixa utilização dos recursos pode estar relacionada não apenas ao cenário econômico enfrentado pelos autônomos, mas também às exigências para aprovação do crédito e à falta de informação sobre os procedimentos necessários para contratação.
Criado para estimular a renovação da frota nacional, o Move Brasil busca aumentar a segurança nas rodovias, reduzir custos operacionais e modernizar o transporte rodoviário de cargas. No entanto, entre os caminhoneiros autônomos, o acesso ao crédito ainda esbarra na insegurança financeira e na dificuldade de transformar as condições oferecidas em financiamentos efetivamente contratados.