As mulheres ocupam 18% das vagas de trabalho nas empresas de transporte rodoviário de cargas no Brasil, segundo o Índice de Equidade no Transporte Rodoviário de Cargas 2026, divulgado nesta sexta-feira pelo movimento Vez & Voz. O levantamento ouviu 83 empresas do setor e abrange mais de 35 mil profissionais em todo o país.
O percentual representa uma queda em relação ao ano anterior: em 2025, as mulheres respondiam por 20% da força de trabalho nas empresas participantes do estudo. A presença feminina é ainda mais reduzida em cargos de liderança e, principalmente, entre motoristas, posição ocupada por mulheres em apenas 3% das companhias pesquisadas.
O estudo também calcula um índice de equidade, que mede presença feminina, recrutamento e retenção, capacitação, benefícios e medidas de combate ao assédio e à violência doméstica, numa escala de 0 a 100. A nota de 2026 ficou em 46 pontos, considerada abaixo do ideal, e também representa recuo frente ao resultado de 2025: a série histórica mostra 37 pontos em 2023, 40 em 2024, 50 em 2025 e 46 em 2026.
O presidente do Setcemg, sindicato de transporte de cargas e logística de Minas Gerais, Antonio Luis da Silva Junior, avalia que as mulheres vêm ocupando gradualmente espaços tradicionalmente masculinos no setor, com crescimento em funções como mecânica, carga e descarga, operação de empilhadeiras e de guindastes, mas pondera que o processo é lento e exige das empresas tempo de adaptação, além de condições adequadas, dignas, com capacitação e oportunidades de crescimento em todas as áreas.
Já a coordenadora do Vez & Voz, Camila Florencio, aponta que os principais obstáculos são culturais: a maioria das empresas nunca teve uma mulher no alto escalão executivo. No caso das motoristas, ela cita a falta de infraestrutura adequada dentro das empresas, nas estradas e em pontos de clientes, além de uma barreira de experiência, já que muitas mulheres têm a habilitação necessária, mas não acumulam o tempo de estrada exigido pelos empregadores.
A gerente de gente e gestão da Pelog, empresa que teve o maior avanço de pontuação no índice ao longo dos anos, Fernanda Pelucio, afirma que a companhia trata a diversidade como parte da cultura e das decisões do dia a dia, com investimento na formação de lideranças femininas para fortalecer a presença e a retenção de mulheres em posições estratégicas.
O tema também é relevante para as transportadoras associadas ao SETCEB, num momento em que o setor enfrenta escassez de mão de obra qualificada em todo o país: ampliar a participação feminina, especialmente na condução de veículos, tende a ser um dos caminhos para repor quadros e enfrentar a falta de motoristas que já afeta empresas baianas e de todo o Brasil.
Fonte: Diário do Comércio
