A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) passou a incluir a saúde mental entre os fatores que devem ser monitorados pelas empresas, ampliando a gestão dos riscos ocupacionais. Para o setor de transporte rodoviário de cargas, a mudança exige que as transportadoras adotem medidas para identificar e prevenir situações que possam comprometer o bem-estar psicológico dos motoristas.
Na prática, fatores como jornadas extensas, pressão por prazos, longos períodos longe da família, insegurança nas rodovias, poucas oportunidades de descanso e o isolamento característico da profissão passam a integrar as avaliações de risco realizadas pelas empresas.
De acordo com o especialista em Saúde e Segurança do Trabalho, Eduardo Missick, a norma tem foco na prevenção e não apenas no tratamento dos problemas já instalados.
“A proposta é identificar os fatores relacionados ao trabalho que podem levar ao adoecimento e agir antes que eles provoquem consequências mais graves para o trabalhador”, explica.
Segundo o especialista, o desgaste emocional também pode comprometer a segurança das operações. A redução da atenção, dificuldades na tomada de decisões e o aumento da fadiga elevam o risco de acidentes nas estradas, tornando a saúde mental um tema diretamente ligado à segurança viária.
Além dos aspectos legais, especialistas apontam que o investimento no bem-estar dos motoristas traz benefícios para as próprias empresas. Para Mari Genovez, especialista em liderança e desenvolvimento de pessoas, a valorização dos profissionais reflete diretamente na qualidade das operações.
“Os investimentos em frota, tecnologia e logística só produzem resultados quando as pessoas responsáveis pela operação estão em boas condições físicas e emocionais”, afirma.
Ela destaca ainda que o motorista representa a imagem da empresa durante toda a operação de transporte. Por isso, ações voltadas à qualidade de vida tendem a reduzir a rotatividade, fortalecer o comprometimento das equipes e contribuir para um ambiente de trabalho mais seguro.
Com a atualização da NR-1, as transportadoras passam a ser incentivadas a revisar jornadas de trabalho, fortalecer os canais de comunicação com os motoristas e desenvolver práticas voltadas à prevenção do adoecimento ocupacional. A expectativa é que a nova abordagem contribua para melhorar as condições de trabalho nas estradas, aumentar a segurança das operações e reduzir afastamentos relacionados à saúde mental.