As recentes mudanças nas regras relacionadas ao Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) têm exigido adaptações das empresas que atuam no transporte rodoviário de cargas. O novo modelo amplia a fiscalização eletrônica das operações e reforça a integração entre os sistemas utilizados para controle do transporte e as verificações ligadas ao cumprimento do Piso Mínimo de Frete.

Embora as alterações afetem diferentes segmentos do setor, as operações de carga fracionada aparecem entre as mais impactadas. Isso ocorre porque esse tipo de transporte normalmente envolve diversos embarcadores, múltiplos destinatários e uma grande quantidade de documentos fiscais em uma única viagem, aumentando a complexidade dos processos e das exigências de conformidade.

Segundo representantes do setor, a fase inicial de implementação tem sido marcada por dúvidas operacionais e pela necessidade de ajustes nos procedimentos internos das empresas. Entre os principais desafios estão a interpretação das novas regras, o funcionamento dos sistemas eletrônicos e os procedimentos para emissão do CIOT em situações excepcionais.

De acordo com o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (SETCEPAR), Silvio Kaznodzei, as transportadoras reconhecem a importância da modernização regulatória, mas enfrentam dificuldades para adequar suas operações ao novo cenário. Em avaliação concedida pela entidade, ele destaca que questões relacionadas à estabilidade dos sistemas e à aplicação prática das exigências têm gerado preocupações entre os operadores do setor.

Além da adaptação tecnológica, as empresas vêm sendo obrigadas a revisar rotinas administrativas, capacitar colaboradores, atualizar sistemas de gestão e reforçar mecanismos de controle documental. Essas medidas representam novos custos e demandam esforços adicionais em um momento de forte pressão sobre as despesas operacionais do transporte rodoviário.

Outro ponto que tem mobilizado as transportadoras é a preocupação com possíveis autuações durante o período de transição. Diante das mudanças, muitas empresas passaram a buscar apoio técnico e jurídico para minimizar riscos e garantir o correto cumprimento das exigências previstas na regulamentação.

Na avaliação do SETCEPAR, é importante que os órgãos responsáveis pela fiscalização priorizem ações de orientação neste período inicial, permitindo que eventuais inconsistências sejam corrigidas antes da adoção de medidas punitivas. A entidade defende um ambiente de diálogo que favoreça a adaptação das empresas às novas regras.

Entre as propostas apresentadas pelo sindicato estão a divulgação de orientações mais detalhadas sobre a classificação das operações de transporte, especialmente nos casos que envolvem carga fracionada, transporte de lotação e complementação de carga. A entidade também sugere melhorias nos sistemas utilizados pelo setor, criação de mecanismos de contingência para períodos de instabilidade tecnológica e a adoção de uma fase de adaptação com foco educativo.