ORÇAMENTO FEDERAL DE 2027 PREVÊ CORTE DE 4% NOS INVESTIMENTOS EM INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTE, APONTA CNT

por Setceb | out 23, 2026 | Uncategorized

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) divulgou levantamento, nesta quarta-feira, mostrando que o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 prevê R$ 16,07 bilhões para investimentos em infraestrutura de transporte, uma queda de 4% — equivalente a R$ 661,28 milhões — em relação à proposta orçamentária de 2026.

O número foi extraído do PLN nº 24/2026, projeto de lei orçamentária enviado pelo governo federal ao Congresso Nacional em 31 de agosto. A entidade chama atenção para o contraste com o quadro geral: os investimentos públicos federais totais, somando ministérios e estatais, devem subir 12,8%, para R$ 297,60 bilhões em 2027 — o que evidencia que o setor de transporte perde participação relativa nesse montante.

Segundo a CNT, a queda concentra-se principalmente nas estatais vinculadas à área, como Docas e Infraero, cujo investimento recua de R$ 2,31 bilhões para R$ 1,45 bilhão. Já os recursos previstos diretamente para os ministérios sobem de forma marginal, de R$ 14,42 bilhões para R$ 14,61 bilhões.

O modal rodoviário continua concentrando a maior parte dos recursos do setor: R$ 12,46 bilhões, ou 85,2% do total destinado pela União ao transporte. Ainda assim, esse valor representa menos de um quarto dos R$ 49,93 bilhões que a própria CNT, em sua Pesquisa de Rodovias de 2025, estima serem necessários apenas para manter, restaurar e reconstruir as rodovias federais sob gestão pública.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) ficará com R$ 12,42 bilhões, valor 3,7% menor do que o fixado na lei orçamentária de 2026. Nos demais modais, o cenário é misto: o aquaviário é o único em alta, com crescimento de 35,6%, para R$ 640,73 milhões; o ferroviário cai de R$ 929,22 milhões para R$ 808,61 milhões; e o transporte aéreo recua de R$ 279,49 milhões para R$ 212,61 milhões.

Na divisão por ministérios, o Ministério dos Transportes receberá R$ 13,67 bilhões, enquanto o Ministério de Portos e Aeroportos terá R$ 941,53 milhões, alta de 22,6% sobre o ano anterior. A CNT lembra ainda que os orçamentos iniciais de 2025 e 2026 já haviam recuado 9,2% e 16,5%, respectivamente, o que configura uma trajetória de cortes sucessivos.

Fernanda Rezende, diretora executiva da CNT, afirmou que o planejamento dos investimentos é fundamental para atender às necessidades do setor de transporte brasileiro e que a tramitação do orçamento no Congresso representa uma oportunidade para rever a distribuição dos recursos, priorizando intervenções que aumentem a eficiência logística e a competitividade do país. Os valores ainda dependem da aprovação do Orçamento de 2027 pelo Congresso Nacional.

Para o transporte de cargas na Bahia, o alerta é direto: rodovias federais estratégicas para o escoamento da produção baiana, como as BRs 116, 101, 242 e 324, dependem justamente dos recursos do DNIT para manutenção e recuperação. Um novo corte no orçamento, somado ao histórico recente de reduções, tende a agravar o estado de conservação do pavimento e, por consequência, os custos operacionais das transportadoras da região.

Fonte: Transporte Moderno

Fonte adicional: Forbes Brasil