Por três meses seguidos a Petrobras conseguiu abastecer sozinha o mercado brasileiro de diesel, sem recorrer a uma gota sequer de combustível vindo de fora. Esse fôlego, no entanto, está no fim: a partir de julho, parcela do diesel repassado pela estatal às distribuidoras terá origem estrangeira outra vez, conforme confirmou a presidente da companhia, Magda Chambriard, em coletiva realizada no fim de junho.
A explicação está numa engrenagem que vinha represada havia meses: o conflito entre Irã e Estados Unidos empurrou para cima o preço do petróleo no mercado internacional, e a Petrobras, para não depender de importações caras naquele momento, decidiu adiar paradas de manutenção e obras já programadas em suas refinarias. O resultado foi um parque de refino rodando quase no limite — chegou a 97,4% de utilização — e uma produção recorde de diesel: só nos últimos três meses, o S10 somou 512 mil barris por dia, número que sobe para 715 mil barris diários quando somado o S500, de maior teor de enxofre.
Só que manutenção adiada não pode ficar parada para sempre, e é justamente a retomada dessas paradas nas refinarias que vai reduzir, ainda que temporariamente, a capacidade de produção interna — abrindo espaço, de novo, para a importação. Hoje o Brasil já compra fora cerca de 30% de todo o diesel consumido, com a Petrobras respondendo pelos 70% restantes vindos da produção nacional; a expectativa é que essa fatia importada cresça nos próximos meses.
Para quem vive na estrada, a notícia chega em cima de um período que já tinha sido de sobressaltos no preço do combustível por causa da guerra no Oriente Médio. Ainda que os valores tenham recuado parcialmente com a estabilização do cenário internacional, o retorno das importações é mais um sinal de que o diesel deve seguir como fonte de pressão sobre o custo operacional das transportadoras ao longo do segundo semestre.