PREÇO MÉDIO DOS COMBUSTÍVEIS FECHA AGOSTO EM QUEDA NO BRASIL, MAS DIESEL S-10 AINDA ACUMULA ALTA DE 12,4% NO ANO

por Setceb | set 2, 2026 | Uncategorized

O Monitor de Preços de Combustíveis, levantamento mensal elaborado pela empresa de meios de pagamento Veloe com apoio técnico da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), mostrou que cinco das seis principais categorias de combustíveis monitoradas no Brasil recuaram de preço em agosto de 2026 na comparação com julho. O levantamento tem abrangência nacional e é referência para transportadoras e postos de todo o país.

A divulgação foi feita nesta terça-feira pelo Blog do Caminhoneiro, com base nos dados consolidados do próprio monitor. O recuo mensal foi puxado principalmente pelo etanol hidratado, que caiu 2,7% e fechou o mês em R$ 4,050 por litro, enquanto o diesel comum recuou 1,1% e o diesel S-10 teve queda mais modesta, de 0,4%, fechando agosto em R$ 6,949 por litro.

Apesar da trégua mensal, o acumulado do ano segue pressionado: o diesel S-10 avança 12,4% em 2026 e o diesel comum sobe 10,3% no mesmo período, enquanto a gasolina comum e a aditivada registram altas de 6,0% e 5,6%, respectivamente. O único item em alta no mês foi o gás natural veicular (GNV), que subiu 1,3%, para R$ 4,900 por metro cúbico.

O levantamento também aponta que o etanol atingiu o menor patamar de competitividade frente à gasolina desde 2017: na média nacional, o litro do etanol equivale a 65,6% do preço da gasolina comum, abaixo da linha de corte de 70% considerada o limite de vantagem para o consumidor optar pelo combustível. Nove estados já ficam abaixo desse patamar, com destaque para Mato Grosso (55,6%), São Paulo (58,1%) e Mato Grosso do Sul (61,8%).

As disparidades regionais seguem relevantes para o custo operacional das transportadoras: o litro da gasolina mais barato do país foi encontrado no Rio Grande do Sul (R$ 6,336), enquanto Roraima registrou o valor mais alto (R$ 7,830). A região Norte concentra a média mais cara de gasolina do país, o que penaliza especialmente o transporte de cargas em rotas amazônicas.

O estudo ainda mede o impacto no bolso do consumidor: encher um tanque de 55 litros de gasolina já compromete 6,1% da renda familiar média nacional, alta de 0,6 ponto percentual no trimestre, com a Região Nordeste sendo a mais penalizada proporcionalmente, com 9,6% da renda.

Para as transportadoras, o dado mais relevante segue sendo o custo do diesel, que responde, segundo estimativas do setor, por cerca de um terço da despesa operacional de uma empresa de cargas. A alta acumulada de dois dígitos no ano mantém pressão sobre o frete, mesmo com o alívio pontual observado em agosto.

No caso da Bahia, cuja matriz de transporte rodoviário de cargas depende fortemente de rotas de longa distância para escoamento de grãos, celulose e derivados de petróleo, qualquer sinalização de estabilização do diesel tende a ser recebida com cautela por transportadores e caminhoneiros autônomos, que ainda convivem com preços regionais historicamente entre os mais altos do país nas bombas do Nordeste.

Fonte: Blog do Caminhoneiro