A locação de caminhões pode ganhar ainda mais espaço no transporte rodoviário de cargas nos próximos anos. A avaliação é da Addiante, empresa especializada no aluguel de caminhões, implementos rodoviários e máquinas, que aposta na reforma tributária e nas recentes mudanças regulatórias do setor como fatores que devem estimular transportadoras e embarcadores a repensarem a forma como administram suas frotas.
Segundo o diretor comercial da companhia, Silvio Campos, o novo sistema tributário, aliado ao cenário de juros elevados e ao aumento da fiscalização sobre o cumprimento do piso mínimo do frete, tende a incentivar empresas a reduzir investimentos em ativos próprios e buscar alternativas mais flexíveis para suas operações.
Na visão do executivo, a implementação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), tributos criados pela reforma tributária para substituir impostos como PIS, Cofins, ICMS e ISS, fará com que empresas revisem toda a cadeia logística em busca de maior eficiência e melhor aproveitamento de créditos tributários.
EMPRESAS REAVALIAM MODELO OPERACIONAL
Além dos impactos tributários, a companhia afirma que vem registrando aumento no interesse de grandes embarcadores em avaliar modelos próprios de transporte. Nesse cenário, a locação surge como uma alternativa entre manter uma frota própria e contratar transportadoras terceirizadas.
De acordo com Campos, esse movimento ganhou força após o reforço na fiscalização relacionada ao piso mínimo do frete, levando empresas a analisarem novos formatos para reduzir custos e aumentar o controle operacional.
EXPECTATIVA É DE CRESCIMENTO A PARTIR DE 2027
Apesar das perspectivas positivas para os próximos anos, a Addiante acredita que 2026 deverá encerrar com desempenho semelhante ao registrado no ano anterior. Conforme a empresa, os resultados do primeiro semestre ficaram praticamente estáveis em relação ao mesmo período de 2025.
Na avaliação da companhia, o programa Move Brasil, que ampliou o acesso ao crédito para renovação de frota, teve impacto limitado sobre o mercado de locação. Segundo Campos, os principais beneficiados foram pequenas e médias empresas, sem provocar mudanças estruturais na demanda pelo aluguel de veículos.
A expectativa é que a procura pelo modelo cresça a partir de 2027, quando os efeitos da reforma tributária começarem a influenciar de forma mais direta o planejamento financeiro das empresas do setor.
TECNOLOGIA E TELEMETRIA FAZEM PARTE DA ESTRATÉGIA
Para acompanhar esse movimento, a Addiante afirma ter investido em soluções voltadas ao monitoramento das operações. Todos os veículos da empresa são acompanhados por sistemas de telemetria, que permitem controlar indicadores como consumo de combustível, disponibilidade da frota e manutenção preventiva.
A companhia também desenvolveu uma plataforma capaz de integrar informações de diferentes fornecedores em uma única central de monitoramento, facilitando a análise do desempenho operacional dos veículos administrados.
MERCADO AINDA TEM ESPAÇO PARA CRESCER
Criada em 2022 por meio de uma parceria entre Gerdau e Randoncorp, a Addiante administra atualmente mais de 4,2 mil ativos, entre caminhões, implementos rodoviários e máquinas, sendo aproximadamente metade composta por caminhões.
Desde o início das operações, a empresa informa ter investido mais de R$ 1,3 bilhão na expansão de sua estrutura.
Segundo a companhia, o mercado brasileiro de locação de caminhões ainda apresenta grande potencial de crescimento. Atualmente, cerca de 10% dos caminhões comercializados no país são destinados às locadoras. Em mercados mais consolidados, como Estados Unidos e Europa, essa participação varia entre 25% e 30%.
A expectativa da empresa é que, nos próximos cinco anos, o Brasil alcance uma participação entre 20% e 25%, impulsionada pela profissionalização das transportadoras, pela busca por maior eficiência financeira e pelas mudanças tributárias e regulatórias previstas para o setor.