A Reforma Tributária já deixou de ser um tema para o futuro e passou a fazer parte das decisões estratégicas das empresas de transporte rodoviário de cargas. O assunto foi um dos destaques do Rumo Brasil Summit 2026, evento que reuniu empresários, especialistas e lideranças do setor para discutir os desafios da adaptação ao novo modelo tributário brasileiro.
Entre os participantes esteve o economista e idealizador da reforma, Bernard Appy, que apresentou os principais avanços do novo sistema e destacou que a mudança representa uma transformação estrutural na economia nacional. Segundo ele, embora o período de transição exija adaptações e investimentos por parte das empresas, a expectativa é de ganhos de eficiência e maior racionalidade tributária no longo prazo.
Para o transporte rodoviário de cargas, o momento exige atenção especial. Desde o início de 2026, o setor passou a conviver com a fase de testes da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que gradualmente substituirão tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS. A transição seguirá até 2033, período em que empresas precisarão administrar simultaneamente dois sistemas tributários distintos.
Durante o evento, especialistas alertaram que as mudanças vão além da questão fiscal. A nova estrutura tributária poderá influenciar a formação de preços, a composição dos custos operacionais, a gestão financeira e até mesmo o planejamento logístico das transportadoras. Em muitos casos, estratégias construídas ao longo dos anos para aproveitar benefícios fiscais precisarão ser reavaliadas diante do novo cenário.
O CEO da Rumo Brasil, Rafael Brito, ressaltou que o setor atravessa um dos períodos de maior transformação de sua história. Além da reforma, as empresas também enfrentam novas exigências regulatórias, mudanças econômicas e avanços tecnológicos que exigem maior capacidade de adaptação e planejamento.
A avaliação predominante entre os participantes foi de que as transportadoras que iniciarem desde já a revisão de processos, sistemas e estratégias tributárias estarão mais preparadas para aproveitar oportunidades e reduzir riscos ao longo da transição.