Um levantamento da Vilesoft, empresa fornecedora de sistemas de gestão para transportadoras, mostra crescimento expressivo na demanda por suporte técnico ligado à adaptação à Reforma Tributária. O tempo dedicado a esse tipo de atendimento saltou de 39,8 horas em maio para 162,7 horas em junho deste ano.
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (17) por veículo especializado em transporte e logística, com base em informações internas da fornecedora de software. Segundo a empresa, o aumento reflete a corrida das transportadoras para adequar seus sistemas às novas exigências fiscais antes da entrada em vigor efetiva das mudanças.
Entre os chamados técnicos recebidos pela Vilesoft, os relacionados ao Conhecimento de Transporte eletrônico (CT-e) cresceram 183,3% no período. Os chamados envolvendo o Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e) avançaram 119%.
As áreas de maior impacto identificadas incluem a emissão de documentos fiscais, a apuração da base de cálculo do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), a formação de preços de frete, a revisão de contratos entre transportadoras e embarcadores e o aproveitamento de créditos tributários.
A CBS deve entrar em vigor de forma efetiva em 2027, no mesmo movimento em que PIS e Cofins serão extintos. O intervalo entre 2026 e a virada do novo sistema tributário é apontado como o período crítico para que as empresas testem seus sistemas e evitem inconsistências fiscais.
Segundo Flávio Henrique Fonseca de Andrade, diretor de tecnologia da Vilesoft, a adequação dos documentos fiscais não se resume à emissão. Ele afirma que os sistemas precisam tratar corretamente as novas informações tributárias exigidas pela reforma, sob risco de erros que podem gerar autuações ou prejuízos financeiros.
A recomendação da fornecedora é que as transportadoras avancem já em 2026 na atualização de seus sistemas, na revisão de bases de dados cadastrais e na simulação dos impactos da reforma sobre os custos operacionais, evitando surpresas quando as novas regras passarem a valer de forma plena.
A transição tributária tende a pesar de forma mais acentuada sobre transportadoras de pequeno e médio porte, que costumam ter equipes de tecnologia da informação mais enxutas e menor capacidade de investir rapidamente em atualizações de sistema.
Para as transportadoras baianas, o alerta é o mesmo: o prazo para ajustar sistemas de emissão fiscal, contratos de frete e apuração de créditos tributários está se estreitando. Empresas do setor que atuam na Bahia devem priorizar, ainda neste ano, a atualização de seus sistemas de gestão para não enfrentar dificuldades operacionais quando a CBS e o IBS passarem a valer de forma integral.
Fonte: Transporte Moderno
