SEGURO DE TRANSPORTE GANHA ESPAÇO COMO FERRAMENTA DE PREVENÇÃO E GESTÃO DE RISCOS

por Setceb | set 16, 2026 | Uncategorized

O transporte rodoviário de cargas está cada vez mais pressionado pela necessidade de controlar riscos que podem gerar perdas financeiras e comprometer a operação. Roubos, acidentes e avarias continuam entre as principais ameaças para transportadoras, especialmente as pequenas e médias empresas, que possuem menor capacidade para absorver grandes prejuízos. Segundo levantamento da NTC&Logística, o Brasil registrou 8.570 roubos de cargas em 2025, com prejuízos estimados em cerca de R$ 900 milhões.

Nesse cenário, o seguro de transporte começa a ser tratado pelo mercado não apenas como uma forma de indenização após um sinistro, mas como parte de uma estratégia mais ampla de gerenciamento de riscos. Para Guilherme Silveira, CEO da Genebra Corretora de Seguros, conhecer a operação antes da contratação permite identificar vulnerabilidades e definir quais riscos podem ser eliminados, reduzidos ou transferidos para uma seguradora.

O perfil da operação também influencia diretamente o custo da apólice. Valores transportados, tipos de mercadorias, rotas utilizadas, frequência das viagens, histórico de ocorrências e mecanismos de proteção são alguns dos fatores considerados na avaliação do risco. Por isso, segundo o executivo, reduzir a exposição antes da contratação pode contribuir para uma apólice mais eficiente, em vez de simplesmente buscar o menor preço disponível.

A tecnologia vem reforçando esse processo. Rastreamento por GPS, monitoramento em tempo real e análise dos padrões de condução permitem acompanhar as viagens e identificar situações fora do comportamento esperado. Com mais dados disponíveis, as seguradoras passam a ter condições de avaliar não apenas o histórico de sinistros de uma empresa, mas também a maneira como os riscos estão sendo administrados no presente.

Essa mudança aproxima cada vez mais seguro, prevenção e inteligência de dados. Para as transportadoras, o resultado pode representar maior controle sobre as operações e redução dos impactos provocados por ocorrências. Para o mercado segurador, abre espaço para avaliações mais individualizadas e soluções adequadas ao perfil de cada operação.

Outro desafio está na modernização dos próprios processos do setor de seguros. Sistemas pouco integrados e procedimentos manuais ainda dificultam o compartilhamento e a padronização de informações entre empresas. Nesse contexto, plataformas digitais e APIs podem facilitar cotações, integrações e acesso a diferentes opções de cobertura, especialmente para pequenos e médios negócios.

A tendência é que a gestão de riscos passe a ocupar uma posição cada vez mais estratégica no transporte. Em vez de recorrer ao seguro somente depois que os processos estão definidos, empresas podem incorporar a prevenção desde o planejamento da operação. A combinação entre tecnologia, análise de dados e proteção financeira ganha, assim, importância para aumentar a segurança e reduzir os impactos de imprevistos na cadeia logística.

Fonte: Terra