SEMIPESADOS SUPERAM PESADOS PELA PRIMEIRA VEZ NO RANKING SEMESTRAL DE CAMINHÕES MAIS VENDIDOS

por Setceb | jul 6, 2026 | Uncategorized

Os dados de licenciamento da Fenabrave relativos ao primeiro semestre de 2026 mostram uma mudança de perfil na lista dos dez caminhões mais vendidos do Brasil: pela primeira vez em anos, os modelos semipesados superaram os pesados na composição do ranking. Cinco dos dez modelos mais emplacados pertencem agora à categoria semipesada, enquanto apenas três são classificados como pesados — uma inversão em relação aos anos recentes, quando os extrapesados dominavam o mercado impulsionados pelo agronegócio, pelas exportações e pelo transporte de longa distância.

No topo da lista individual, o Volkswagen Delivery 11.180 manteve a liderança geral, acumulando 2.976 emplacamentos no semestre — uma vantagem de 407 unidades sobre o vice-líder, o pesado Volvo FH 540. Na categoria de médios, o domínio do Delivery foi ainda mais evidente, com 44,72% de participação no segmento. Já o Volvo FH 540, embora tenha perdido a liderança geral do ranking após seis anos consecutivos no topo, permaneceu isoladamente na primeira posição entre os pesados, com 12,45% de fatia e uma vantagem de 785 unidades sobre o terceiro colocado, o médio Mercedes-Benz Accelo 1117.

Juntos, os dez modelos mais vendidos somaram 17.821 emplacamentos, o equivalente a 37,1% de todo o mercado de caminhões no semestre. Os semipesados responderam por 15,83% do total (7.605 unidades), superando os pesados, que ficaram com 11,3% das vendas dentre os mais vendidos. A mudança de composição é atribuída ao crescimento da logística regional, da distribuição urbana e do comércio eletrônico, segmentos que demandam veículos com capacidade de carga intermediária — maior que a de um caminhão médio, mas com custo operacional inferior ao de um extrapesado.

Essa reconfiguração do mercado dialoga diretamente com o momento vivido pelo setor de transporte de cargas, marcado por custos elevados e busca por eficiência operacional. Fabricantes que conseguirem equilibrar preço, tecnologia embarcada e disponibilidade de peças de reposição tendem a capturar parcela maior da demanda gerada tanto pelo programa Move Brasil quanto pela reconfiguração logística do país, cada vez mais orientada à distribuição de curta e média distância em detrimento do transporte de commodities a granel em longuíssimo curso.