A Confederação Nacional da Indústria recebeu com preocupação a confirmação, na quarta-feira (15), de uma nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, em posicionamento divulgado nesta sexta-feira (17). Segundo o presidente da entidade, Ricardo Alban, os efeitos do aumento das tarifas americanas já são sentidos com força pela indústria nacional: 20 dos 27 estados brasileiros reduziram suas exportações ao mercado norte-americano no primeiro semestre de 2026, e o cenário tende a piorar com o novo anúncio.

No acumulado do primeiro semestre, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 13%, equivalente a uma perda de US$ 2,6 bilhões na comparação com igual período de 2025. A retração foi puxada principalmente pela queda de 8,7% nas vendas de bens industriais, com destaque negativo para semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira não conífera, óleos de petróleo e semimanufaturados de outras ligas de aço. Mesmo com a queda, os Estados Unidos seguem como o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira.

O impacto regional é desigual. Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco, Bruno Veloso, o novo tarifaço pode comprometer cerca de 60% dos aproximadamente US$ 130 milhões que o estado exporta aos Estados Unidos — proporção mais alta do que a média nacional, já que a pauta exportadora pernambucana tem forte presença de produtos industriais, ao contrário de estados mais concentrados em commodities agrícolas.

Ainda que quase 2,5 mil produtos tenham sido excluídos da nova cobrança, itens relevantes para a economia nordestina continuam sujeitos à tarifa, como açúcar, uva fresca, inhame, pescados e sucos — a manga, um dos principais produtos exportados pelo Vale do São Francisco, ficou isenta. Segundo Veloso, a manutenção dessas taxas pode inviabilizar comercialmente alguns produtos ou reduzir drasticamente a margem de lucro de exportadores e importadores americanos, com o setor sucroalcooleiro — pilar econômico de Pernambuco e do Nordeste — entre os mais preocupados, diante de uma lista encabeçada pelo etanol e de novas restrições às cotas de exportação para os Estados Unidos.

O tarifaço tem reflexo direto sobre a logística de cargas: a queda nas exportações reduz o volume de contêineres e cargas industriais que chegam aos portos brasileiros por rodovia, ao mesmo tempo em que pressiona empresas exportadoras a buscar novos mercados e rotas alternativas de escoamento, num momento em que o setor de transporte já lida com custos operacionais elevados e um câmbio mais instável.