O setor de transporte rodoviário de cargas no Brasil vem ampliando programas internos de capacitação para tentar suprir a falta crônica de motoristas carreteiros, problema que levantamento da Secretaria Nacional de Trânsito, a Senatran, atribui à perda de aproximadamente 1,2 milhão de motoristas de caminhão na última década.
A informação foi divulgada por veículos especializados em transporte, que destacaram iniciativas de empresas como a West Cargo, que criou o programa Motorista Trainee Carreteiro para qualificar internamente condutores de veículos menores e prepará-los para a condução de composições de carga pesada.
Pelo programa da West Cargo, a empresa financia a mudança de categoria da CNH, de categoria C para E, e oferece treinamento com acompanhamento de instrutores, cursos especializados e avaliações práticas em parceria com a FABET, a Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte. A companhia também mantém um sistema de bonificação por telemetria que distribui cerca de R$ 180 mil por ano a motoristas com melhor desempenho em condução segura, economia de combustível e produtividade.
Dados de pesquisa do setor de comércio e logística, citados na mesma cobertura, mostram que 79% dos empregadores do segmento relataram dificuldade para encontrar mão de obra qualificada em 2026, percentual próximo aos 80% registrados no mercado brasileiro como um todo. Ainda assim, operadores como Maersk, Rodonaves, Santos Brasil e DHL contrataram mais de 26 mil profissionais em 2025, com 61,1% das empresas pesquisadas aumentando o ritmo de contratação frente a períodos anteriores.
Programas de formação de base também têm ganhado força: a iniciativa Formare, mantida pela Fundação Iochpe em parceria com companhias como Rodonaves, Santos Brasil e Maersk, qualificou 177 jovens em 2025 em seis empresas do setor, com taxa geral de empregabilidade de 89% entre os concluintes. Executivos ouvidos pela reportagem descrevem a formação de motoristas e operadores como uma estratégia de negócio, e não mais apenas uma ação de responsabilidade social, diante da crescente exigência de qualificação trazida pela automação e digitalização das operações logísticas.
O quadro de escassez de mão de obra qualificada tende a pressionar custos operacionais e prazos de entrega em todas as regiões do país, inclusive nos corredores que abastecem e escoam a produção baiana, onde transportadoras associadas ao SETCEB também disputam motoristas experientes num mercado de trabalho cada vez mais apertado. Investir em trilhas de capacitação interna, no modelo adotado por empresas de outros estados, desponta como alternativa para transportadoras da Bahia reterem talentos e reduzirem a dependência de contratações externas num cenário de renovação constante da frota nacional.
Fonte: Frota&Cia, com dados complementares do Blog do Caminhoneiro
