TRANSPORTE DE MEDICAMENTOS TERMOSSENSÍVEIS GANHA ATENÇÃO COM VENDA DE CANETAS EMAGRECEDORAS EM MARKETPLACES

por Setceb | out 21, 2026 | Uncategorized

O anúncio do Mercado Livre de que passará a vender canetas emagrecedoras com entrega em até uma hora em regiões de São Paulo, mediante receita médica, reacendeu o debate sobre os riscos logísticos do transporte desse tipo de medicamento, que precisa ser mantido dentro de uma faixa estrita de temperatura do fabricante até o consumidor final.

A avaliação é de Liana Montemor, diretora técnica e estratégica da área de cadeia fria (cold chain) do Grupo Polar, empresa especializada em logística de produtos sensíveis à temperatura, em entrevista ao portal Frota&Cia.

Segundo a especialista, as canetas emagrecedoras — medicamentos biológicos à base de moléculas sensíveis a variações térmicas — precisam ser mantidas entre 2°C e 8°C durante todo o transporte, o que exige embalagens qualificadas, com gelo reciclável em quantidade e posicionamento corretos, de forma a evitar tanto o congelamento quanto o aquecimento acima do limite seguro.

A legislação brasileira exige a presença de farmacêutico responsável também nas vendas remotas de medicamentos, além da segregação do produto em relação a outras cargas durante o transporte — exigência que se aplica tanto a transportadoras rodoviárias quanto a operadores logísticos e companhias aéreas envolvidos na cadeia de entrega.

Montemor alerta que equipamentos sem qualificação térmica adequada, como refrigeradores comuns de consultórios médicos, são uma falha recorrente na cadeia, assim como a falta de treinamento de quem manuseia esse tipo de carga ao longo do trajeto, da coleta até a entrega final ao paciente.

Eventos climáticos também entram na conta dos riscos: segundo a especialista, fenômenos como o El Niño podem provocar quedas de energia e bloqueios em rodovias, expondo os medicamentos a temperaturas fora da faixa segura justamente nos trechos em que o transporte rodoviário é insubstituível.

A executiva também criticou casos de desinformação sobre o tema, incluindo influenciadores que recomendam transportar insulina em garrafas térmicas com gelo caseiro, além de relatos de canetas emagrecedoras levadas de forma inadequada, em meios de transporte improvisados, sem qualquer controle de temperatura. O Grupo Polar projeta crescimento no segmento de logística farmacêutica até 2027, impulsionado pela expansão da cadeia médica no país.

Para transportadoras e operadores logísticos baianos que já atuam ou pretendem atuar no transporte de produtos farmacêuticos e de saúde, o episódio reforça a necessidade de investir em equipamentos de cadeia fria certificados e em capacitação de equipes, à medida que o comércio eletrônico de medicamentos de alto valor e alta sensibilidade térmica ganha espaço também fora dos grandes centros do Sudeste.

Fonte: Frota&Cia