VENDAS DE CAMINHÕES CAEM 4,7% ATÉ AGOSTO E FENABRAVE APONTA FIM DE PROGRAMA DE CRÉDITO SUBSIDIADO COMO PRINCIPAL CAUSA

por Setceb | set 28, 2026 | Uncategorized

O mercado brasileiro de caminhões acumula queda de 4,7% nas vendas até agosto deste ano, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) compilados pela AutoData. Foram emplacadas 68,8 mil unidades no período, contra 72,2 mil no mesmo intervalo de 2025.

Os números fazem parte do levantamento mensal de emplacamentos da Fenabrave, principal referência do setor automotivo para acompanhar o ritmo de renovação da frota de transporte de cargas no país. Em agosto isoladamente, foram vendidas 9,6 mil unidades, alta de 9% na comparação com agosto de 2025, mas queda de 14,2% frente a julho deste ano.

Para o segmento de ônibus, adjacente ao de caminhões nas linhas de produção das montadoras, o recuo acumulado também foi de 4,2% até agosto, com 18,1 mil unidades vendidas contra 18,9 mil no mesmo período do ano passado.

Segundo a Fenabrave, a principal causa da retração é o esgotamento, em junho, dos recursos do programa federal Move Brasil 2, que oferecia crédito subsidiado a juros de 13% ao ano e destinou R$ 21,2 bilhões ao financiamento de veículos pesados. Sem o programa, o custo de financiamento de um caminhão novo passou a acompanhar de perto a taxa Selic, hoje em 13,75% ao ano.

Apesar da queda, a entidade destaca que o cenário melhorou em relação ao início do ano: em janeiro, o recuo nas vendas de caminhões chegava a 30,1% na comparação anual, e o de ônibus, a 23,5%. Com base no desempenho acumulado, a Fenabrave projeta o fechamento de 2026 com 102,2 mil caminhões emplacados, queda de 7,8% sobre o total de 2025.

A presidência da Fenabrave reforça que a renovação de frota no transporte de cargas é uma necessidade estrutural do setor, mas depende diretamente de três fatores que hoje pressionam as transportadoras: o valor dos fretes praticados, os custos operacionais crescentes — como o próprio combustível — e as condições de financiamento disponíveis no mercado.

Para as transportadoras baianas, que em boa parte operam com frotas mais antigas em rotas de longa distância até os portos do estado, o encarecimento do crédito sem o Move Brasil 2 significa adiar planos de renovação, mesmo diante do desgaste acelerado de veículos usados em estradas de pior conservação no interior. A equação fica ainda mais apertada para pequenos transportadores autônomos, que dependem de financiamento bancário tradicional para substituir a frota.

A Fenabrave deve divulgar os números de setembro nos primeiros dias de outubro, o que indicará se a retração no mercado de caminhões se estabiliza ou se aprofunda. Entidades do setor têm cobrado do governo federal a criação de uma nova linha de crédito subsidiado para substituir o Move Brasil 2, mas até o momento não há uma proposta concreta em análise.

Fonte: AutoData, com dados da Fenabrave