O transporte rodoviário de cargas voltou a acender o alerta sobre segurança nas estradas brasileiras. Levantamento divulgado pela nstech, empresa especializada em tecnologia para supply chain e gestão de risco, aponta crescimento nos acidentes envolvendo caminhões em 2025, principalmente na Região Sudeste, que concentrou a maior parte das ocorrências monitoradas no País.

Segundo o estudo, somente nas operações acompanhadas pelas gerenciadoras BRK, Buonny e Opentech foram registrados 1.504 acidentes graves com veículos de carga ao longo do ano. O Sudeste lidera o ranking nacional, impulsionado principalmente pelos números de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

São Paulo aparece na primeira posição, com 417 ocorrências monitoradas em 2025. Rodovias como Anchieta, Castelo Branco, Rodoanel e Presidente Dutra estão entre os corredores com maior volume de circulação de caminhões e também entre os mais críticos em relação à segurança operacional.

Minas Gerais também apresentou avanço expressivo nos registros. O estado saltou de 177 acidentes em 2023 para 259 em 2025. Entre os principais pontos de atenção está a BR-381, conhecida historicamente pelo alto índice de acidentes envolvendo veículos pesados.

Enquanto o Sudeste concentra os maiores números absolutos, o Centro-Oeste também demonstra crescimento preocupante. O levantamento mostra aumento de 14% nas ocorrências entre 2024 e 2025, movimento diretamente relacionado à expansão do agronegócio e ao fluxo intenso de caminhões em rotas de escoamento da safra.

A BR-153, importante corredor logístico do agronegócio brasileiro, aparece entre as rodovias mais críticas no monitoramento realizado pela companhia.

Manhã concentra maior número de acidentes

Os dados também revelam mudanças importantes no comportamento das ocorrências. Diferentemente da percepção comum de que a madrugada seria o período mais perigoso, a faixa da manhã liderou os registros de acidentes em 2025, com 480 ocorrências.

Especialistas associam esse cenário ao aumento simultâneo do fluxo urbano, à saída de caminhões dos centros de distribuição e à fadiga acumulada por motoristas que iniciam as viagens ainda durante a madrugada.

As tardes também registraram alta nas ocorrências, enquanto os acidentes durante a noite e madrugada seguiram em crescimento, refletindo a ampliação das operações logísticas em regime contínuo e a pressão por entregas mais rápidas.

Quintas e sextas lideram ocorrências

No recorte semanal, as quintas-feiras aparecem como os dias mais críticos para acidentes com caminhões. Foram 260 ocorrências registradas em 2025, número superior ao do ano anterior.

As sextas-feiras aparecem logo em seguida, reforçando um padrão já observado pelo setor, ligado ao aumento da demanda logística no encerramento da semana e ao desgaste acumulado dos motoristas.

Colisões e tombamentos seguem liderando

Entre os tipos de acidentes mais frequentes estão as colisões, com 518 registros no ano, seguidas pelos tombamentos, que alcançaram 498 ocorrências.

O levantamento também mostra crescimento nos incêndios envolvendo veículos de carga, além do avanço significativo de acidentes com cargas siderúrgicas, que tiveram aumento expressivo em relação ao ano anterior.

Motoristas experientes concentram maior número de ocorrências

Um dos pontos que mais chamou atenção no estudo foi o perfil dos condutores envolvidos nos acidentes. Diferentemente da ideia de que motoristas mais jovens seriam os mais vulneráveis, a maior parte das ocorrências envolve profissionais entre 40 e 50 anos.

Motoristas com mais de 50 anos também aparecem com participação elevada nos registros monitorados.

Outro dado relevante envolve o vínculo profissional. Caminhoneiros agregados e autônomos registraram número significativamente maior de acidentes em comparação aos motoristas contratados diretamente pelas transportadoras.

Fadiga, distração e excesso de velocidade preocupam

O levantamento aponta que fatores humanos continuam entre os principais causadores dos acidentes. Excesso de velocidade, distração ao volante, fadiga, frenagens bruscas e uso de celular durante a condução aparecem entre os desvios críticos mais frequentes identificados pelas plataformas de monitoramento.

Segundo a nstech, mais de 39 milhões de desvios operacionais foram registrados em 2025 nas empresas monitoradas. Entre eles, centenas de milhares de ocorrências relacionadas ao uso do celular, ausência do cinto de segurança e sinais de sonolência ao volante.

Infraestrutura ainda é desafio

Além das questões operacionais, o cenário das rodovias brasileiras também contribui para o aumento dos riscos. Dados da Pesquisa CNT de Rodovias 2025 apontam que grande parte da malha pavimentada do País ainda apresenta condições classificadas como regulares, ruins ou péssimas.

O estudo identificou mais de dois mil pontos críticos em rodovias federais e estaduais, reforçando os desafios enfrentados diariamente pelo transporte rodoviário de cargas no Brasil.