A discussão sobre a jornada de trabalho no modelo 6×1 tem ganhado força no Brasil e avançado também no campo jurídico e legislativo. O tema levanta debates relevantes sobre produtividade, custos operacionais e possíveis impactos na economia e em diferentes setores.

Atualmente, propostas como as PECs 8/2025 e 221/2019 estão em tramitação no Congresso Nacional, com a proposta de reduzir a carga horária para uma escala 5×2, limitando a jornada a 36 horas semanais. A iniciativa busca valorizar o tempo de descanso e qualidade de vida fora do ambiente de trabalho.

No entanto, para setores específicos, a mudança pode trazer desafios significativos. O Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), responsável por mais de 65% da movimentação de produtos no país, aparece como um dos mais sensíveis a essa possível alteração. Isso porque o setor já enfrenta dificuldades estruturais, como a escassez de motoristas profissionais e o envelhecimento da mão de obra.

A Confederação Nacional do Transporte, junto a outras entidades do setor produtivo, já manifestou preocupação com o tema. Segundo o posicionamento, mais de 65% das transportadoras enfrentam dificuldade para contratar motoristas, o que pode agravar ainda mais o cenário diante de uma eventual mudança na jornada.

Na avaliação de executivos do setor, os impactos vão além da questão trabalhista. A reorganização de escalas, a necessidade de contratação de novos profissionais e o aumento de estruturas administrativas podem elevar de forma significativa os custos operacionais das empresas.

Esse aumento tende a refletir diretamente no valor do frete. Como o transporte é um elo essencial da cadeia produtiva, qualquer elevação de custos pode ser repassada ao longo do processo, impactando o preço final dos produtos para o consumidor.

Além disso, muitas transportadoras já operam com margens reduzidas e enfrentam dificuldades para absorver novos custos. Sem um período adequado de adaptação, há risco de perda de eficiência operacional e redução da competitividade no setor.

Outro ponto central do debate é a produtividade. O transporte rodoviário desempenha papel fundamental no abastecimento das cidades e na integração entre diferentes indústrias. Mudanças estruturais na jornada, se implementadas de forma abrupta, podem afetar o fluxo logístico e o volume das operações.

Diante desse cenário, especialistas reforçam a necessidade de que qualquer alteração seja amplamente discutida com o setor produtivo, considerando as particularidades da logística no Brasil. A avaliação é de que ajustes dessa magnitude exigem planejamento, transição gradual e alinhamento com a realidade operacional das empresas, para evitar impactos negativos na economia e na cadeia de abastecimento.