A busca por soluções que reduzam o consumo de energia e as emissões de poluentes tem impulsionado o desenvolvimento de novas tecnologias para caminhões e ônibus. Entre as alternativas que vêm ganhando espaço no mercado está o uso de eixos elétricos, sistema que modifica a forma como a força é transmitida às rodas e pode trazer ganhos operacionais importantes para o transporte de cargas e passageiros.
Diferentemente dos veículos equipados com motores a combustão, nos quais a potência passa por diversos componentes antes de chegar às rodas, os eixos elétricos concentram parte desse sistema no próprio conjunto traseiro. Com isso, a energia armazenada nas baterias é utilizada de forma mais direta, reduzindo perdas mecânicas e aumentando a eficiência do veículo.
Outro benefício apontado pelos fabricantes é o melhor aproveitamento do espaço disponível no chassi. A simplificação do conjunto mecânico permite acomodar baterias de forma mais adequada, fator considerado essencial para ampliar a viabilidade dos veículos elétricos pesados.
No entanto, a adoção dessa tecnologia também exige avanços técnicos. Os sistemas eletrônicos responsáveis por controlar o fornecimento de energia, o desempenho do motor e a recuperação energética durante as frenagens precisam operar de maneira integrada. Além disso, os componentes estruturais devem ser preparados para suportar novas exigências de funcionamento.
Uma das características mais valorizadas dos eixos elétricos é a capacidade de reaproveitar energia. Nas desacelerações e frenagens, parte da energia gerada pelo movimento do veículo retorna para as baterias, contribuindo para aumentar a autonomia e diminuir o desgaste dos freios.
Por esse motivo, operações realizadas em centros urbanos aparecem entre as mais adequadas para a utilização dessa tecnologia. Serviços de distribuição, transporte coletivo e coleta urbana realizam constantes paradas e retomadas de velocidade, cenário que favorece o aproveitamento da regeneração energética.
Já nas viagens de longa distância, a expansão dos veículos elétricos ainda encontra barreiras, especialmente devido à necessidade de ampliar a infraestrutura de recarga. O desafio, segundo especialistas do setor, é observado em diversos mercados ao redor do mundo.
Enquanto investe no desenvolvimento de soluções para a eletrificação, a Cummins também mantém projetos voltados ao aperfeiçoamento dos eixos convencionais. A empresa prevê iniciar, em 2027, a fabricação nacional do modelo MT17 XHE, destinado a caminhões extrapesados com capacidade para até 100 toneladas. A expectativa é que o novo produto ofereça melhorias de eficiência em relação aos modelos atuais.
A companhia atua atualmente tanto no desenvolvimento de eixos elétricos integrados quanto em versões adaptadas para trabalhar com motores elétricos externos. Esta última alternativa já vem sendo aplicada em ônibus e caminhões urbanos e é vista como um caminho de transição para tecnologias totalmente eletrificadas.
Para representantes do setor, não haverá uma única solução para o futuro da mobilidade pesada. A tendência é que diferentes tecnologias convivam de acordo com as necessidades de cada operação, sempre com foco na redução de custos, aumento da eficiência e diminuição dos impactos ambientais.