A decisão do governo federal de zerar o Imposto de Importação para compras internacionais de até US$ 50 realizadas por pessoas físicas pode gerar reflexos diretos na cadeia logística brasileira. A medida, oficializada por meio da Medida Provisória 1.357/2026, tende a estimular o crescimento das encomendas vindas do exterior e aumentar a movimentação de cargas em aeroportos, centros de distribuição e operações de transporte em todo o país.

Com a nova regra, consumidores que realizarem compras em plataformas internacionais participantes do Programa Remessa Conforme passam a pagar apenas o ICMS estadual. A expectativa do mercado é de que a redução da carga tributária impulsione novamente o volume de pedidos realizados em sites estrangeiros, especialmente os provenientes da Ásia.

Embora o transporte internacional dessas mercadorias ocorra predominantemente por via aérea, a distribuição dentro do território nacional depende fortemente da malha logística brasileira, incluindo operadores logísticos, transportadoras e empresas especializadas em entregas fracionadas.

Nos últimos anos, as mudanças na tributação das compras internacionais provocaram redução no volume de encomendas importadas. Dados divulgados por órgãos oficiais apontaram queda significativa nas remessas internacionais após o aumento da tributação sobre compras de pequeno valor.

Com a retomada da isenção, o setor logístico acompanha a possibilidade de aumento da demanda por armazenagem, movimentação de cargas e transporte terrestre. O crescimento das encomendas pode ampliar o fluxo de mercadorias entre aeroportos, hubs logísticos, centros de distribuição e consumidores finais, gerando mais atividade para empresas que atuam no transporte rodoviário de cargas.

Por outro lado, entidades ligadas ao varejo e à indústria nacional demonstram preocupação com os possíveis impactos da medida sobre a produção brasileira. Representantes do setor avaliam que a redução da tributação pode favorecer produtos importados e aumentar a concorrência com fabricantes nacionais.

Enquanto o debate avança, operadores logísticos e transportadoras monitoram os desdobramentos da medida, que ainda precisará ser analisada pelo Congresso Nacional. Caso seja mantida, a expectativa é de um aumento na circulação de pequenos volumes de carga, fortalecendo segmentos ligados ao e-commerce, distribuição urbana e transporte rodoviário de encomendas em todo o país.