O custo do transporte rodoviário registrou forte alta durante o escoamento da safra de soja em fevereiro, com aumentos médios entre 5% e 15% em diversas regiões do país e picos superiores a 50% em áreas produtoras. O movimento elevou a pressão sobre a rentabilidade dos produtores justamente no período de colheita.
De acordo com dados do Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento, o cenário foi impulsionado pela combinação de fatores como avanço das exportações, concentração da colheita e excesso de chuvas. Esse conjunto aumentou a demanda por caminhões e dificultou as operações de carga e descarga, gerando gargalos logísticos em diferentes rotas.
Centro-Oeste concentra maiores altas
Na região Centro-Oeste, principal polo da produção de soja, os reajustes foram mais intensos. Em Mato Grosso, os fretes tiveram elevação de até 19% no período. Já em Mato Grosso do Sul, algumas rotas registraram aumentos superiores a 30%.
Em Goiás, o impacto foi ainda mais expressivo, com altas acima de 50%, principalmente na primeira quinzena do mês. As chuvas reduziram o ritmo das operações, provocaram retenção de veículos e ampliaram a pressão sobre a oferta de transporte.
Impacto se espalha por outras regiões
O aumento dos fretes também foi observado em outras partes do país. No Distrito Federal, os preços subiram até 6%, influenciados tanto pela demanda quanto pelo custo do diesel e reajustes no piso mínimo do frete.
Na Bahia, a maior concentração de caminhões no Centro-Oeste reduziu a disponibilidade local, o que pressionou os valores em cerca de 10%.
Na região do Matopiba, o início do escoamento da safra também impactou a logística. No sul do Maranhão, os fretes apresentaram alta de aproximadamente 5% na comparação anual, enquanto no Piauí o aumento foi de cerca de 11% em relação a janeiro.
Sul e Sudeste apresentam comportamento irregular
Nas regiões Sul e Sudeste, o cenário foi mais heterogêneo. Em Minas Gerais, houve elevação dos fretes acompanhando o aumento das exportações. Já no Paraná, os preços oscilaram conforme a demanda regional e a disponibilidade de cargas de retorno.
Em São Paulo, os valores permaneceram mais estáveis, com leve tendência de queda em algumas rotas, refletindo maior equilíbrio entre oferta e demanda.
Corredores logísticos seguem pressionados
O escoamento da safra continua concentrado nos principais corredores logísticos do país. O Arco Norte respondeu por 38,4% das exportações de soja e 40,8% do milho no início do ano. Já o Porto de Santos concentrou 36,8% dos embarques de soja e 33,5% do milho, mantendo o protagonismo das rotas do Sudeste.
Pressão deve continuar no curto prazo
A tendência é que o cenário de fretes elevados se mantenha no curto prazo. Com o avanço da colheita e a expectativa de safra robusta, a demanda por transporte deve permanecer aquecida, especialmente entre março e abril, período de maior intensidade no escoamento.
Além disso, fatores externos seguem influenciando o setor, como oscilações cambiais, preços do petróleo e o ambiente geopolítico, que impactam diretamente o custo do diesel e, consequentemente, o valor do frete.
Impacto direto no produtor
Para o produtor rural, o efeito é imediato. Em anos de safra cheia, o principal gargalo deixa de ser a produção e passa a ser a logística. O aumento dos custos de transporte reduz margens e pode comprometer parte dos ganhos obtidos com o maior volume colhido.
Diante desse cenário, o planejamento logístico e a contratação antecipada de frete se tornam estratégias fundamentais para reduzir riscos e preservar a rentabilidade no campo.