A insegurança nas rodovias, os crimes cibernéticos e a atuação do mercado ilegal têm aumentado significativamente os custos operacionais da indústria brasileira, contribuindo para o agravamento do chamado Custo Brasil. É o que aponta uma pesquisa inédita realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que ouviu 1.003 executivos de empresas de diferentes portes entre março e abril de 2026.

De acordo com o levantamento, 62% das indústrias afirmam que os gastos relacionados à proteção do transporte de cargas impactam diretamente seus custos finais. Além disso, 45% dos entrevistados relatam que os investimentos em segurança de forma geral acabam refletindo no preço dos produtos, enquanto 81% entendem que a insegurança é um fator relevante para o aumento do Custo Brasil. Estimativas anteriores da entidade indicam que os prejuízos provocados pela criminalidade superam R$ 107 bilhões anuais para o setor industrial.

Os resultados serão apresentados durante audiência pública promovida pela Comissão Externa sobre Pirataria da Câmara dos Deputados, que discutirá ações de enfrentamento à pirataria, ao contrabando, ao descaminho e à evasão fiscal. Segundo o coordenador da comissão, deputado Júlio Lopes, grande parte dos crimes registrados no país possui motivação econômica, provocando perdas de recursos públicos e prejudicando a competitividade da indústria nacional.

No transporte rodoviário, um em cada cinco estabelecimentos industriais informou ter sido vítima de roubo ou furto de cargas nos últimos cinco anos. A maior parte dos casos ocorreu diretamente nas estradas, concentrando 68% das ocorrências. Entre os produtos mais visados pelos criminosos estão fios e cabos, ferramentas, além de máquinas e equipamentos utilizados na produção industrial. Apenas uma pequena parcela dos empresários percebeu melhora nas condições de segurança nesse período.

O ambiente digital também tem gerado preocupação. A pesquisa mostra que cerca de 17% das empresas sofreram algum tipo de incidente cibernético nos últimos cinco anos, incluindo vazamento de informações e sequestro de sistemas. Entre as organizações afetadas, 30% registraram prejuízos financeiros decorrentes de fraudes ou pagamento de resgates. Para reduzir os riscos, a maioria das indústrias adota medidas como backups periódicos, softwares de proteção, políticas de controle de acesso, capacitação de funcionários e contratação de especialistas em segurança da informação.

Para a CNI, os ataques virtuais representam uma ameaça crescente, com potencial para causar impactos financeiros, interrupções operacionais, danos à imagem corporativa e até consequências legais.

O estudo também aponta que a insegurança favorece a circulação de produtos de origem ilícita e fortalece o mercado informal. Mais da metade dos entrevistados acredita que esse cenário contribui para a expansão do comércio ilegal, enquanto cerca de um terço avalia que os efeitos negativos sobre a competitividade empresarial são elevados.

Entre as principais reivindicações do setor produtivo ao poder público estão o reforço do policiamento em regiões industriais e o aumento da segurança nas rodovias e nas operações de transporte de cargas. Os entrevistados também defendem o fortalecimento dos órgãos de segurança pública, da Polícia Federal e da Receita Federal.

Na avaliação da CNI, investir em segurança patrimonial, logística e proteção de dados tornou-se uma necessidade estratégica para as empresas, não apenas para preservar vidas e ativos, mas também para reduzir perdas operacionais, proteger informações sensíveis e minimizar danos à reputação dos negócios.