Os efeitos do programa Move Brasil sobre o mercado de caminhões devem se estender pelos próximos meses, com impacto mais evidente nos dados de emplacamento entre abril e maio. A avaliação é do presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, Igor Calvet.
Segundo o executivo, embora os recursos destinados às empresas transportadoras já tenham sido praticamente esgotados — com cerca de R$ 9 bilhões já utilizados e aproximadamente R$ 1 bilhão ainda disponível para caminhoneiros autônomos —, os efeitos do programa ainda não foram totalmente refletidos nos números mais recentes.
“Março marcou o início dessa atenuação, mas ainda não captura todo o impacto. Esse efeito deve aparecer de forma mais clara em abril e possivelmente em maio”, afirmou Calvet.
Programa ajudou a reduzir ritmo de queda
De acordo com a entidade, o Move Brasil teve papel relevante ao suavizar a retração do mercado, especialmente em um ambiente ainda desafiador para o setor de transporte.
“O segmento continua em queda, mas em um ritmo menor. O programa ajudou a dar esse fôlego”, destacou o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores.
Além do incentivo direto, a melhora nas condições de crédito também contribuiu para o desempenho recente. A redução das taxas de juros facilitou o acesso ao financiamento, fator decisivo para o segmento de caminhões, tradicionalmente mais sensível ao custo do dinheiro.
Projeções são mantidas com cautela
Apesar do impacto positivo do programa, a Anfavea optou por manter suas projeções para 2026. A expectativa é de produção de 154 mil veículos pesados, alta de 1,4% em relação às 152 mil unidades registradas no ano passado.
Já as vendas devem alcançar 137 mil unidades, o que representa uma leve queda de 0,5% na comparação anual.
A decisão reflete o nível de incerteza ainda presente no cenário macroeconômico, que dificulta revisões mais assertivas no curto prazo.
Cenário externo segue como fator de risco
Entre os principais pontos de atenção, Igor Calvet destacou a volatilidade dos preços do petróleo, o aumento dos custos no setor agrícola — especialmente fertilizantes e diesel — e a possibilidade de manutenção de juros elevados por um período mais longo.
“Se analisarmos apenas o Move Brasil, o cenário seria mais positivo. Mas há outras variáveis que geram instabilidade e tornam difícil mensurar o impacto total sobre o mercado”, explicou.
Possibilidade de novos estímulos
O executivo também não descartou a possibilidade de novos incentivos ao setor, seja por meio da prorrogação do programa atual ou da criação de novas iniciativas.
No caso do Move Brasil, existem tratativas com o governo federal para eventual renovação. No entanto, segundo Calvet, a medida precisaria ser implementada ainda em maio para que o efeito positivo sobre os emplacamentos se prolongue nos meses seguintes.
Mercado segue em compasso de cautela
Por enquanto, a leitura da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores é de cautela. A combinação entre estímulos pontuais e pressões externas continua sendo determinante para o ritmo do mercado de caminhões em 2026.