A presença feminina no transporte rodoviário de cargas e nas operações de mineração vem avançando gradualmente em países da América Latina, impulsionada por programas de capacitação, modernização tecnológica das frotas e iniciativas voltadas à inclusão no setor. O tema esteve em debate durante um encontro promovido pela Mercedes-Benz Caminhões e Ônibus, que reuniu empresárias e gestoras de frotas da região para apresentar experiências ligadas ao programa “A Voz Delas”.

A iniciativa teve como foco ampliar a troca de experiências entre mulheres que atuam no transporte e discutir os desafios ainda enfrentados em um segmento historicamente dominado pelos homens. Apesar de ainda não existir previsão de expansão oficial do programa para outros países da América Latina, o encontro buscou aproximar representantes do setor e incentivar debates sobre diversidade e profissionalização.

Entre os relatos apresentados esteve o da empresária chilena Orietta Jessica Araya Pangue, responsável pela gestão da Rentamaq, empresa que atua no setor de mineração no Chile. A companhia opera atualmente com cerca de 160 caminhões, máquinas pesadas e aproximadamente 1.200 colaboradores distribuídos em diferentes regiões do país.

Segundo a executiva, assumir a liderança da empresa há mais de duas décadas significou enfrentar desafios ligados à gestão de um ambiente predominantemente masculino. Ainda assim, ela destaca que a profissionalização das operações e o avanço tecnológico dos veículos têm ajudado a ampliar a participação feminina no setor.

Atualmente, mulheres já atuam como motoristas e operadoras de equipamentos dentro da empresa, embora ainda representem uma parcela menor da força operacional. Para a empresária, caminhões mais modernos e automatizados reduziram barreiras físicas históricas da profissão e abriram novas oportunidades para mulheres no transporte e na mineração.

Outro destaque do encontro foi a participação de Mariel Bascur, da MPM Transportes, empresa chilena que atua em operações de mineração e mantém uma frota com cerca de 500 caminhões e mil equipamentos pesados.

A executiva explicou que a escassez de motoristas profissionais levou a companhia a criar um programa próprio de formação voltado exclusivamente para mulheres interessadas em atuar na condução de caminhões basculantes utilizados nas minas chilenas.

O projeto recebeu centenas de inscrições e já formou uma primeira turma de motoristas que hoje atuam diretamente nas operações da empresa. Além do treinamento técnico, a iniciativa também oferece suporte social e psicológico para adaptação à rotina das atividades de mineração, marcada por longos períodos de trabalho em regiões afastadas.

Segundo Mariel, a inclusão feminina vem trazendo impactos positivos para o ambiente operacional, elevando o nível de organização, atenção aos equipamentos e profissionalização das equipes.

O avanço da participação feminina também acompanha um momento de transformação tecnológica no transporte rodoviário e na mineração, com frotas mais conectadas, automatizadas e focadas em segurança operacional. Para especialistas do setor, esse movimento tende a ampliar ainda mais as oportunidades para novos perfis profissionais nos próximos anos.