Pernambuco e Bahia estão entre os estados com maior número de ocorrências de roubo de cargas no Brasil em 2025, ocupando a terceira e quarta posições no ranking nacional, com 296 e 205 casos, respectivamente. No cenário regional, a BR-101 se destaca como principal ponto crítico, concentrando 30,8% de todos os prejuízos registrados no Nordeste.
A região respondeu por 12,8% das perdas financeiras e 7,4% das ocorrências no país, consolidando-se como a segunda mais impactada, atrás apenas do Sudeste. Bahia, Maranhão e Pernambuco, juntos, concentraram mais de 75% dos prejuízos regionais, evidenciando a forte incidência do crime nos principais corredores rodoviários. Diferente do Sudeste, onde os roubos estão mais ligados à distribuição urbana, no Nordeste o foco permanece nas rodovias estruturantes.
Os dados são baseados em levantamentos recentes da NTC&Logística e da nstech, que analisaram informações de órgãos de segurança pública e mais de R$ 2,3 trilhões em cargas monitoradas por gerenciadoras de risco.
Perfil das cargas e atuação criminosa
No Nordeste, o perfil das cargas visadas é diversificado. Cargas fracionadas lideram, representando 38,8% dos prejuízos, seguidas por produtos de higiene e limpeza (15%), alimentícios (14,2%) e eletrônicos (13,3%). Em nível nacional, há uma tendência clara de priorização de mercadorias com alta liquidez, ou seja, itens de fácil revenda no mercado ilegal.
As abordagens mais comuns incluem interceptações durante o trajeto, ações em pontos de parada e roubos durante operações de entrega. A Paraíba, que não registrava ocorrências monitoradas no ano anterior, passou a representar 1,1% dos prejuízos nacionais, indicando expansão da criminalidade para novos territórios.
Rodovias concentram maior risco
Além da BR-101, outras rodovias com alta incidência de prejuízos são a BR-316 (16,1%) e a BR-116 (10,5%). Diferente do Sudeste, onde 35,3% dos prejuízos ocorrem em áreas urbanas, no Nordeste esse índice é de apenas 4,4%, reforçando o papel das rodovias como principal foco de risco.
Outro destaque é a BR-010, que quase quintuplicou sua participação nos prejuízos nacionais, passando de 1,1% para 5,2%, evidenciando maior pressão sobre o corredor que liga o Nordeste ao Arco Norte.
O período noturno concentra 45,2% das perdas na região. Entre os dias da semana, domingo e quinta-feira lideram as ocorrências, indicando maior vulnerabilidade fora do horário comercial e em momentos de menor fiscalização.
Cenário nacional segue com alto impacto financeiro
Em 2025, o Brasil registrou 8.570 ocorrências de roubo de cargas, uma queda de 16,7% em relação ao ano anterior. Ainda assim, o impacto financeiro permanece elevado, com prejuízo direto estimado em R$ 900 milhões e custo total superior a R$ 1 bilhão, considerando seguros, escoltas e interrupções operacionais.
O Sudeste continua liderando o ranking, concentrando 86,8% das ocorrências e 68,1% dos prejuízos, com Rio de Janeiro e São Paulo nas primeiras posições. Já a região Norte apresentou crescimento expressivo, saltando para 11,2% das perdas nacionais, enquanto o Sul também ampliou sua participação.
Criminalidade mais sofisticada e desafios estruturais
Apesar da redução no número de casos, o roubo de cargas tem se tornado mais sofisticado, com atuação de organizações estruturadas que planejam rotas, selecionam alvos estratégicos e operam redes organizadas de receptação.
Especialistas apontam que a fragmentação dos dados públicos ainda é um desafio relevante, dificultando a análise completa do problema. Nesse contexto, a recente Lei nº 15.358/2026, que institui o marco legal de combate ao crime organizado, é vista como um avanço importante no enfrentamento dessas estruturas.
O cenário reforça a necessidade de estratégias integradas entre setor público e privado para mitigar riscos, proteger cargas e reduzir os impactos econômicos desse tipo de crime no país.