Mesmo após os desafios registrados nos primeiros dias de implantação, o novo modelo do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) já ultrapassou a marca de 530 mil operações cadastradas em menos de uma semana de funcionamento. Os números demonstram a rápida adesão do transporte rodoviário de cargas às novas exigências regulatórias estabelecidas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Em vigor desde 24 de maio, o sistema passou a ser obrigatório para as operações remuneradas de transporte de cargas e tem como objetivo ampliar a rastreabilidade, a transparência e o controle das contratações realizadas no setor.

A ferramenta reúne informações detalhadas sobre a viagem, incluindo dados do contratante, do transportador, dos veículos envolvidos, da origem, do destino e do valor do frete. Com isso, a ANTT ganha maior capacidade de monitoramento e fiscalização das operações realizadas em todo o país.

A implementação ocorreu em meio a relatos de dificuldades operacionais enfrentadas por transportadoras e operadores logísticos nos primeiros dias da mudança. Empresas apontaram instabilidades nos sistemas de emissão e nos mecanismos de contingência disponibilizados pelas instituições autorizadas a operar o serviço. Apesar dos pedidos de adiamento feitos por entidades do setor, o cronograma foi mantido pela agência reguladora.

Entre as operações registradas até o final de maio, a maior parte corresponde a viagens efetivamente declaradas, enquanto uma parcela menor foi encerrada ou cancelada durante o período de adaptação.

Além de ampliar a rastreabilidade das operações, o novo modelo fortalece o controle sobre o cumprimento do piso mínimo de frete. Com a integração das informações, operações que não atendam aos critérios definidos pela regulamentação ficam impedidas de avançar dentro do sistema, aumentando o nível de conformidade das contratações.

A nova estrutura também amplia a visibilidade sobre todos os participantes da cadeia logística, permitindo identificar com maior precisão embarcadores, contratantes, transportadores e veículos envolvidos em cada transporte.

Segundo dados divulgados pela ANTT, milhares de transportadores já utilizaram o sistema desde o início da obrigatoriedade. Instituições financeiras e de pagamento habilitadas pela agência também vêm ampliando gradualmente suas operações para atender à demanda do mercado.

A expectativa é que, após o período inicial de adaptação, o novo CIOT contribua para reduzir irregularidades, aumentar a segurança jurídica das operações e fortalecer a fiscalização do transporte rodoviário de cargas, segmento responsável pela maior parte da movimentação de mercadorias no Brasil.