Os pneus importados seguem ampliando espaço no mercado brasileiro e já representam 69% do segmento de reposição no país, segundo dados divulgados pela ANIP. Ao mesmo tempo, as vendas de pneus de carga registraram queda de 7,9% no primeiro trimestre de 2026, refletindo um cenário de retração no setor e maior competitividade dos produtos estrangeiros.

De janeiro a março, o mercado nacional comercializou cerca de 8,7 milhões de pneus, volume 7% menor em comparação ao mesmo período do ano passado. O segmento de reposição, principal canal para pneus utilizados no transporte rodoviário de cargas, também apresentou retração de 8,2%.

Com o avanço das importações, os pneus fabricados no Brasil passaram a representar apenas 31% do mercado de reposição. Em 2019, a situação era inversa, demonstrando uma mudança significativa no equilíbrio do setor.

Segundo representantes da indústria, parte dos pneus importados chega ao mercado brasileiro com preços mais competitivos, influenciando diretamente a decisão de compra de transportadores e frotistas, principalmente em um momento de pressão sobre os custos operacionais.

O segmento de carga é considerado estratégico para a logística nacional, já que o transporte rodoviário concentra grande parte da movimentação de mercadorias no Brasil. Por isso, qualquer oscilação no mercado de pneus impacta diretamente os custos das operações de transporte.

Diante desse cenário, a indústria nacional intensificou o diálogo com o governo federal em busca de medidas que ampliem o controle sobre importações, fortaleçam a produção local e aumentem a fiscalização sobre requisitos técnicos e ambientais dos produtos comercializados no país.

O setor também defende avanços em investigações antidumping, incentivos ao uso de pneus nacionais e políticas de estímulo à cadeia produtiva da borracha.

Os números do primeiro trimestre reforçam a mudança no ambiente competitivo do setor e ampliam o debate sobre os impactos da dependência externa em um segmento considerado estratégico para o transporte rodoviário de cargas no Brasil.