O programa Move Brasil, iniciativa do governo federal voltada à renovação da frota de caminhões, já teria comprometido a totalidade dos R$ 9 bilhões destinados a empresas de transporte, restando aproximadamente R$ 1 bilhão disponíveis apenas para transportadores autônomos. A informação foi divulgada à reportagem da Agência Transporte Moderno por Israel Benedete, gerente de vendas da Savar, maior grupo de concessionárias Mercedes-Benz do Rio Grande do Sul.

Segundo Benedete, o programa enfrenta restrições na ponta. “O Move Brasil praticamente se esgotou. Não há mais recursos disponíveis nem nos bancos das montadoras, nem em instituições comerciais como o Bradesco. Comenta-se sobre possíveis novos aportes, mas por ser ano eleitoral, há dúvidas sobre a concretização”, afirmou.

A posição foi confirmada por Enilson Sales, presidente da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (ANEF), com base em dados do Banco Volvo. De acordo com ele, 90% do valor total já foi reservado para empresas transportadoras, enquanto o saldo restante concentra-se nos transportadores autônomos, cuja liberação tem sido mais lenta devido a exigências documentais e requisitos de conformidade do BNDES.

Alex Nucci, diretor de vendas do Grupo Scania, também destacou que “o volume de crédito já teria sido totalmente alocado pelas instituições participantes”. Apesar disso, o BNDES informa que os dados oficiais indicam utilização de R$ 6,3 bilhões, valor divulgado recentemente pelo governo, não confirmando o esgotamento total da linha.

O forte ritmo de aprovação do programa reflete a elevada demanda por crédito com juros subsidiados para aquisição de caminhões novos ou seminovos, dentro de critérios de eficiência e ambientais. O gerente da Savar destacou que, embora o início do programa não tenha gerado antecipação significativa de compras, ele contribuiu para aquecer a demanda nas concessionárias nos primeiros meses do ano.

O programa Move Brasil segue vigente até 25 de maio ou até o esgotamento dos recursos, o que ocorrer primeiro, aumentando a pressão sobre o setor diante da rápida execução da linha. Os desembolsos tiveram crescimento acelerado: de R$ 1,3 bilhão no primeiro mês, passaram a R$ 3,7 bilhões e alcançaram R$ 5 bilhões em dois meses, levando o governo a acompanhar a evolução da demanda e avaliar ajustes na iniciativa.

Para o futuro, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo busca criar um funding permanente para sustentar a política de renovação de frota, incluindo articulação com a Petrobras e um fundo vinculado ao Ministério dos Transportes. Ele ressaltou que o principal desafio segue sendo o custo do financiamento, alertando que qualquer taxa acima de 10% é considerada elevada para aquisição de bens duráveis.

Com a linha de crédito praticamente esgotada, a discussão agora se volta à continuidade do programa, com o mercado buscando previsibilidade e novas fontes de recursos para atender à demanda crescente.