Com o início da fase piloto da Reforma Tributária em 2026, o setor de transporte rodoviário de cargas passa a enfrentar uma das maiores mudanças fiscais das últimas décadas. Apesar disso, grande parte das empresas ainda não está preparada para lidar com o novo modelo, o que acende um alerta para o mercado.
A implementação do chamado IVA Dual — formado pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) — substituirá gradualmente tributos como PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI até 2033. A nova estrutura prevê uma alíquota estimada entre 26,5% e 28%, o que pode impactar diretamente o custo do frete e a rentabilidade das operações.
Um dos principais pontos de atenção é o mecanismo de split payment, que retém automaticamente os tributos no momento da transação. Na prática, isso significa que a empresa recebe apenas o valor líquido, sem acesso ao montante dos impostos, o que pode pressionar o fluxo de caixa — especialmente em operações com margens mais apertadas.
Diante desse cenário, a mudança deixa de ser apenas operacional e passa a ser estrutural. Transportadoras precisarão revisar estratégias financeiras, capital de giro, prazos com embarcadores e modelos de precificação para se manterem competitivas ao longo do período de transição.
Por outro lado, a reforma também abre espaço para ganhos de eficiência. Com a não cumulatividade plena, despesas como combustível, manutenção, pneus e serviços passam a gerar créditos fiscais de forma mais ampla. Isso permite reduzir a carga tributária efetiva, desde que as empresas estejam preparadas para aproveitar esses mecanismos.
O período entre 2026 e 2033 será marcado pela convivência entre o sistema antigo e o novo, exigindo ajustes constantes. A carga tributária poderá variar ao longo dos anos, o que torna necessária a reavaliação frequente de preços e contratos.
Dessa forma, 2026 se consolida como um ano decisivo para o setor. Mais do que entender a nova legislação, as empresas precisarão adaptar processos, sistemas e estratégias para evitar riscos fiscais e aproveitar as oportunidades que surgem com a nova estrutura tributária.