A consolidação da Rota Bioceânica deve provocar mudanças importantes na logística rodoviária brasileira nos próximos anos, criando um novo corredor terrestre de integração entre o Brasil e os países da América do Sul, além de ampliar o acesso aos mercados asiáticos pelos portos do norte do Chile.
A avaliação é do diplomata João Carlos Parkinson, coordenador nacional dos Corredores Rodoviários e Ferroviários Bioceânicos do Itamaraty, que apresentou projeções sobre os impactos do projeto para o transporte de cargas nacional.
Segundo o especialista, a tendência é de que parte significativa das cargas originadas nas regiões Norte e Nordeste deixe gradualmente de utilizar os tradicionais corredores logísticos da região Sul para acessar mercados como Argentina, Paraguai e Chile.
Estados como Bahia, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rondônia e Tocantins estão entre os que poderão ser diretamente beneficiados pela nova configuração logística.
Atualmente, grande parte das exportações rodoviárias brasileiras destinadas aos países sul-americanos ainda depende de rotas que passam pelo Rio Grande do Sul e Paraná. Municípios como São Borja e Uruguaiana concentram parcela relevante desse fluxo internacional de cargas.
Com a implantação do corredor bioceânico, a expectativa é reduzir distâncias, tempo de viagem e custos operacionais, principalmente para cargas originadas no Norte e Nordeste do País.
Na prática, a nova rota utilizará Mato Grosso do Sul como eixo estratégico de conexão terrestre entre o Brasil, Paraguai, Argentina e os portos chilenos de Antofagasta e Iquique, no Oceano Pacífico.
Um dos principais pontos da operação será Porto Murtinho (MS), cidade que fará ligação com Carmelo Peralta, no Paraguai, por meio da ponte internacional atualmente em fase final de construção.
Segundo Parkinson, não fará sentido econômico manter cargas dessas regiões percorrendo trajetos mais longos até os corredores do Sul quando haverá uma alternativa mais curta e competitiva pelo Centro-Oeste.
Além de reduzir o tempo de transporte terrestre entre países sul-americanos, o projeto também deve ampliar a competitividade das exportações brasileiras destinadas à Ásia. As projeções apontam redução de até 15 dias no tempo logístico em comparação com algumas rotas marítimas tradicionais, além de diminuição entre 30% e 40% nos custos operacionais em determinados fluxos comerciais.
O chamado Corredor Rodoviário de Capricórnio terá aproximadamente 2,3 mil quilômetros de extensão, conectando o Oceano Atlântico ao Pacífico através do Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.
Especialistas avaliam que o projeto poderá fortalecer Mato Grosso do Sul como um dos principais hubs logísticos da América do Sul, aumentando o fluxo de cargas, investimentos em infraestrutura e integração comercial regional.
Apesar do avanço das obras viárias e da construção de estruturas estratégicas, o corredor ainda depende de alinhamentos institucionais entre os países envolvidos. Questões regulatórias, aduaneiras e operacionais seguem sendo discutidas para garantir maior fluidez nas operações transfronteiriças.
O avanço da Rota Bioceânica é acompanhado com atenção pelo setor de transporte rodoviário de cargas, que vê no projeto uma oportunidade de ampliar competitividade, diversificar corredores logísticos e reduzir gargalos históricos da infraestrutura brasileira.