ANTT APLICA R$ 932,4 MILHÕES EM MULTAS POR DESCUMPRIMENTO DO PISO MÍNIMO DO FRETE EM 2026

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aplicou R$ 932,4 milhões em multas a empresas por descumprimento do piso mínimo do frete no primeiro semestre de 2026. Segundo dados da própria agência, foram emitidos 270,4 mil autos de infração, reflexo da ampliação da fiscalização eletrônica sobre as operações de transporte rodoviário de cargas.

O volume representa um crescimento expressivo em relação aos anos anteriores. Em 2018, quando a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas foi criada após a paralisação nacional dos caminhoneiros, as autuações somaram apenas R$ 69,3 mil, distribuídas em 31 autos de infração.

De acordo com a ANTT, o aumento das penalidades está diretamente relacionado ao fortalecimento dos sistemas de fiscalização digital, que permitem identificar com mais precisão operações realizadas abaixo dos valores estabelecidos na tabela de frete.

Senado aprova endurecimento das regras

O tema ganhou novos desdobramentos após o Senado aprovar a Medida Provisória que reforça a política do piso mínimo do frete. O texto aguarda sanção presidencial e prevê penalidades mais rigorosas para quem contratar transporte por valores inferiores aos estabelecidos pela ANTT.

Entre as medidas estão multas que podem chegar a R$ 1 milhão, suspensão do registro do transportador e, em casos de reincidência grave, o cancelamento do registro. As novas regras também passam a alcançar intermediadores e plataformas digitais que ofertarem fretes em desacordo com a legislação.

Fiscalização eletrônica amplia controle

Segundo a ANTT, os valores divulgados correspondem às autuações lavradas e ainda passam por processo administrativo, garantindo o direito ao contraditório e à ampla defesa. As penalidades podem ser mantidas, alteradas ou canceladas após a conclusão da análise.

A Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas foi instituída em 2018 e determina a atualização da tabela sempre que houver variação superior a 5% no preço do diesel, mecanismo conhecido no setor como “gatilho do frete”. O objetivo é assegurar maior previsibilidade e equilíbrio nas relações entre contratantes e transportadores.

PREÇO DO FRETE BATE RECORDE NO 2º TRIMESTRE MESMO COM VOLUME DE CARGAS EM QUEDA NO PAÍS

O transporte rodoviário de cargas no Brasil registrou um comportamento pouco comum entre abril e junho deste ano: mesmo com o volume nacional de fretes recuando 22% na comparação com o mesmo trimestre de 2025, o preço médio cobrado pelo serviço subiu 20% e atingiu o maior patamar já registrado. O resultado indica que a disponibilidade de caminhões e motoristas passou a pesar mais na formação das tarifas do que o custo do diesel, fator que historicamente puxava as variações de preço no setor.

Os números fazem parte da mais nova edição do Frete Insights, levantamento trimestral produzido pela Frete.com a partir do acompanhamento do mercado spot de transporte de cargas no país. Segundo o estudo, o Índice Frete.com de Preços (IFP) avançou 5,3% na comparação com o primeiro trimestre de 2026 e fechou junho com alta mensal de 3,3%, dando sequência a uma trajetória de valorização que já se estende por vários trimestres seguidos.

Enquanto o diesel acumulou alta de 14% em 12 meses, o preço médio do frete subiu 21% no mesmo intervalo — evidência, segundo a Frete.com, de que o combustível deixou de ser o principal vetor de pressão sobre as tarifas. Passou a prevalecer o desequilíbrio entre oferta e demanda por caminhões, sobretudo nos corredores que escoam a produção do agronegócio: mesmo com menos cargas circulando, a limitação da frota disponível manteve os preços em alta.

A distribuição regional do volume de fretes também mudou de perfil. Todas as regiões registraram queda na movimentação no trimestre, mas o Sudeste ampliou sua fatia do mercado nacional, de 39% para 43% do total, enquanto Sul e Norte tiveram as retrações mais acentuadas, de 34% cada. Na leitura por estado, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso concentraram, juntos, 52% de todo o volume de fretes mapeado pela plataforma — retrato da força dos corredores que ligam o parque industrial paulista e mineiro às áreas produtoras do Centro-Oeste.

O agronegócio seguiu como o principal cliente do transporte rodoviário brasileiro, respondendo por 42,9% do volume total de fretes do trimestre, mesmo em meio à retração geral da movimentação. Foi justamente nas rotas ligadas ao setor que as tarifas mais subiram frente ao segundo trimestre de 2025: o trecho Nova Mutum (MT)–Imbituba (SC) encareceu 72,3%, Barro Alto (GO)–Laranjeiras (SE) teve alta de 49,2% e Campo Verde (MT)–Paranaguá (PR) subiu 48,6%.

O levantamento também identificou os corredores com maior desequilíbrio entre oferta de caminhões e demanda por cargas. O trecho Coromandel (MG)–Santos (SP) lidera esse indicador, com 6,96 cargas disponíveis para cada caminhão, seguido por Porto dos Gaúchos (MT)–Rondonópolis (MT), com 5,11, e Luz (MG)–Santos (SP), com 4,56. Segundo a Frete.com, os gargalos continuam concentrados nas rotas que escoam produção agropecuária até os portos, enquanto alguns corredores voltados a portos da Região Sul já têm mais caminhões disponíveis do que cargas — sinal de menor pressão sobre os preços nessas operações. Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo lideram o indicador de carga por caminhão, reflexo da maior pressão sobre a capacidade de transporte nesses três estados.

MONTADORAS CHINESAS LIDERAM MERCADO DE CAMINHÕES E AMPLIAM PRESENÇA GLOBAL

A indústria chinesa de veículos comerciais consolidou sua posição como uma das maiores do mundo e vem ampliando sua presença nos mercados internacionais. Impulsionadas por investimentos em tecnologia, eletrificação e expansão global, montadoras como FAW Jiefang, Dongfeng, Shacman, GWM e SAIC têm fortalecido sua participação no segmento de caminhões, ônibus e veículos comerciais.

Líder histórica do mercado chinês, a FAW Jiefang manteve a liderança nas vendas de caminhões médios e pesados, com mais de 280 mil unidades comercializadas em 2025 e cerca de 23% de participação no mercado interno. A fabricante também vem acelerando sua atuação no segmento de veículos de nova energia.

Outra gigante do setor é a Dongfeng Motor Corporation, que registrou crescimento nas vendas de caminhões comerciais e amplia os investimentos em modelos eletrificados, acompanhando a tendência mundial de descarbonização do transporte.

No segmento de pesados, a Shacman segue expandindo sua atuação internacional. A fabricante, que mantém parceria tecnológica de longa data com a alemã MAN, alcançou crescimento nas vendas em mercados estratégicos, como o Oriente Médio, além de ampliar significativamente a comercialização de caminhões elétricos e híbridos.

A SAIC Motor, maior montadora chinesa em volume de produção, também fortalece sua presença no mercado de veículos comerciais por meio das marcas Maxus e SAIC Iveco Hongyan, enquanto a Great Wall Motors (GWM) mantém a liderança no segmento de picapes e amplia sua atuação em caminhões pesados com tecnologias híbridas.

Entre os fabricantes especializados em caminhões leves, a JMC (Jiangling Motors Corporation) segue como uma das principais exportadoras chinesas, com forte presença em mercados internacionais.

Fabricantes de ônibus também ganham espaço

Além dos caminhões, o setor chinês de ônibus comerciais continua em expansão. Empresas como Yutong, King Long, Zhongtong e Ankai ampliam exportações e investem no desenvolvimento de veículos elétricos e movidos a hidrogênio.

A Yutong, considerada a maior fabricante de ônibus do mundo em volume de produção, mantém operações em dezenas de países e segue liderando o segmento de ônibus de nova energia.

Competitividade internacional

O avanço das fabricantes chinesas reflete uma estratégia baseada em escala de produção, inovação tecnológica e expansão internacional. Nos últimos anos, essas empresas passaram a disputar espaço em mercados tradicionalmente dominados por montadoras europeias e norte-americanas, oferecendo veículos com diferentes níveis de tecnologia e soluções voltadas para eficiência operacional.

A tendência também acompanha a transformação do setor de transporte, impulsionada pela eletrificação, conectividade e desenvolvimento de novas tecnologias para redução de emissões, fatores que vêm redefinindo o cenário global da indústria de veículos comerciais.

PARALISAÇÃO NACIONAL DOS CAMINHONEIROS CHEGA AO PORTO DE SALVADOR E REFORÇA A PRESSÃO BAIANA SOBRE O SENADO

A paralisação nacional dos caminhoneiros, iniciada à meia-noite desta segunda-feira (13) com foco nos principais portos do país, também atingiu o Porto de Salvador, na Bahia. Em vídeos gravados no local e divulgados nas redes sociais, lideranças da categoria afirmaram que a operação portuária baiana começou a ser interrompida e dirigiram um apelo direto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para que inclua a Medida Provisória 1.343/2026 na pauta de votações antes de a proposta perder a validade, nesta quinta-feira (16).

Assim como em Santos, a mobilização em Salvador integra uma estratégia nacional de concentrar a pressão nos pontos considerados mais sensíveis da cadeia logística: os acessos aos grandes portos brasileiros, por onde escoam grãos, fertilizantes, carnes e contêineres destinados à exportação e à importação. Até o início da tarde desta segunda, no entanto, não havia confirmação oficial de órgãos federais ou das administrações portuárias sobre a extensão dos bloqueios ou eventuais impactos mais amplos na operação do porto baiano.

A Bahia tem papel relevante na movimentação de cargas do Nordeste: o estado figura entre os que mais movimentam cabotagem na região, atrás apenas do Maranhão, o que torna qualquer interrupção prolongada nas operações portuárias especialmente sensível para embarcadores locais. A categoria de caminhoneiros baiana soma-se, assim, ao movimento liderado pela Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), que também mira concentrações em Paranaguá, no Paraná.

Para o transporte de cargas no Nordeste, o desfecho da disputa em torno da MP do Frete tem peso direto: o texto fixa piso salarial nacional de R$ 5 mil para motoristas empregados em longas distâncias, amplia a fiscalização eletrônica do piso mínimo do frete via ANTT e concede anistia a multas aplicadas a caminhoneiros por bloqueios de rodovias realizados após as eleições de 2022 — pontos que, segundo lideranças locais, ajudam a explicar a adesão de motoristas baianos à paralisação, mesmo diante da falta de confirmação oficial sobre bloqueios totais no porto.

EMPRESAS REFORÇAM PLANEJAMENTO LOGÍSTICO PARA ENFRENTAR NOVA ESTIAGEM NA AMAZÔNIA

Empresas que atuam no abastecimento da Região Norte já iniciaram um plano antecipado para minimizar os impactos da estiagem prevista para os próximos meses. Após as secas históricas registradas em 2023 e 2024, operadores logísticos passaram a tratar a redução do nível dos rios como um fator permanente no planejamento das operações.

A estratégia inclui antecipação de embarques, ampliação de estoques e fortalecimento de planos de contingência para garantir o abastecimento de mercadorias e insumos destinados à região amazônica.

A preocupação aumentou após o Governo do Amazonas decretar estado de emergência climática e ambiental de forma preventiva, diante das projeções de uma nova estiagem associada ao fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026 e início de 2027.

A navegação fluvial é fundamental para o abastecimento da Região Norte e para a movimentação da produção da Zona Franca de Manaus. Com a redução do nível dos rios, há impactos diretos no transporte de alimentos, medicamentos, eletroeletrônicos, bebidas, motocicletas e diversos outros produtos.

Diante desse cenário, empresas do setor projetam aumento na demanda logística durante o período crítico da seca, impulsionado pela antecipação de cargas e pela necessidade de reforçar os estoques próximos aos mercados consumidores.

Além da ampliação da capacidade operacional, operadores também investem em centros de armazenagem para reduzir os riscos de desabastecimento e dar maior flexibilidade às entregas durante os meses de menor navegabilidade.

Para o transporte de cargas, o planejamento antecipado torna-se cada vez mais estratégico. A expectativa é que a gestão dos riscos climáticos passe a integrar de forma permanente as operações logísticas na Amazônia, fortalecendo a previsibilidade e reduzindo impactos sobre toda a cadeia de abastecimento.