por Setceb | jul 20, 2026 | Uncategorized
Uma mudança no perfil dos caminhoneiros brasileiros começa a ganhar espaço nas estradas. Motoristas da chamada Geração Z, formada por jovens nascidos entre o fim da década de 1990 e o início dos anos 2010, têm recorrido cada vez mais à contratação de ajudantes para realizar o enlonamento dos caminhões durante as operações de carga e descarga.
A prática busca reduzir o desgaste físico, aumentar a produtividade e acelerar o tempo de permanência nos pontos de carregamento, especialmente em operações com carrocerias maiores, onde a colocação e retirada da lona exige esforço e atenção redobrada.
Embora muitos motoristas ainda realizem o procedimento por conta própria, a atividade já conta com profissionais especializados. A função de enlonador, inclusive, é reconhecida em acordos coletivos de trabalho, ao lado das atividades de ajudante de motorista e carregador.
Além da agilidade operacional, a contratação desses profissionais também contribui para a segurança. Estudos sobre ergonomia apontam que o enlonamento manual está entre as atividades com maior risco de quedas e lesões musculares, principalmente quando executado sobre a carroceria sem equipamentos adequados.
Normas de segurança adotadas em operações portuárias também reforçam a necessidade de treinamento, análise de riscos e, em alguns casos, da atuação de mais de um trabalhador durante o procedimento.
Outro ponto importante é que a cobertura da carga continua sendo obrigatória em diversos tipos de transporte. A Resolução nº 946 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) determina que cargas sólidas a granel transportadas em carrocerias abertas estejam totalmente cobertas por lona ou dispositivo equivalente, devidamente fixado para evitar o derramamento de materiais durante o trajeto.
Com foco em eficiência, segurança e otimização das operações, a contratação de ajudantes para o enlonamento passa a fazer parte da rotina de muitos caminhoneiros mais jovens, refletindo uma mudança na forma de conduzir o trabalho no transporte rodoviário de cargas.
por Setceb | jul 17, 2026 | Uncategorized
A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) afirmou nesta quinta-feira que a aprovação da Medida Provisória nº 1.343/2026 pelo Congresso Nacional, conhecida como MP do Frete, ainda gera preocupação para o setor de transporte rodoviário de cargas, mesmo depois de o texto ter avançado no Senado. A entidade, que acompanhou de perto a tramitação da proposta tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal, voltou a defender que mudanças regulatórias dessa magnitude sejam precedidas de um debate técnico mais aprofundado com os diferentes elos da cadeia produtiva.
Segundo a NTC&Logística, o texto final trouxe avanços em relação à versão inicial da medida provisória, com a revisão de pontos que eram considerados sensíveis por diferentes segmentos do setor. Ainda assim, a associação avalia que alguns temas seguem exigindo aprofundamento e acompanhamento junto aos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, sinalizando que a discussão sobre os efeitos práticos da norma está longe de se encerrar com a votação no Congresso.
A entidade argumenta que alterações com impactos econômicos, operacionais e trabalhistas tão amplos como os previstos na MP do Frete deveriam levar em conta todos os participantes do ecossistema do transporte rodoviário — transportadoras, caminhoneiros autônomos, embarcadores, operadores logísticos, indústria, comércio e agronegócio — e não apenas os grupos mais mobilizados durante a tramitação legislativa.
A MP 1.343/2026 foi aprovada pelo Senado na terça-feira (14), dois dias antes do prazo final de vigência, após dias de pressão de caminhoneiros que haviam iniciado, na segunda-feira (13), uma paralisação em portos como Santos (SP) e Salvador (BA) para cobrar a votação do texto. A medida reforça os mecanismos de fiscalização do piso mínimo do frete rodoviário, torna obrigatório o cadastro eletrônico das operações de transporte e passa a impedir, por meio do CIOT, a contratação de fretes abaixo dos valores fixados pela ANTT já no momento da emissão do documento de transporte. O texto agora segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve vetar o trecho que concede anistia a multas aplicadas a caminhoneiros por bloqueios rodoviários realizados após as eleições de 2022.
A NTC&Logística afirma que continuará atuando junto aos órgãos responsáveis pela regulamentação da MP para buscar regras que garantam segurança jurídica, competitividade e previsibilidade ao setor, especialmente diante da expectativa de que a ANTT publique, nos próximos dias, os detalhes operacionais de aplicação do novo piso mínimo e do CIOT vinculado a ele.
por Setceb | jul 17, 2026 | Uncategorized
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou nesta quinta-feira que acompanha com preocupação a confirmação, na noite de quarta-feira (15), de uma nova tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Segundo a entidade, a sobretaxa agrava um cenário que já vinha pressionando as exportações nacionais e amplia a insegurança para empresas dos dois países, em um momento no qual o setor de transporte de cargas já lida com custos operacionais elevados e demanda por exportação sensível a choques externos.
Os efeitos do aumento das tarifas americanas, segundo a CNI, já são sentidos de forma crescente pela indústria brasileira: no primeiro semestre deste ano, 20 dos 27 estados registraram queda nas exportações para o mercado americano na comparação com igual período de 2025. O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou em nota que, diante do anúncio, “o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira”, acrescentando que o país “não pode poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e Estados Unidos construíram”.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) reforçou que a nova tarifa cria uma diferença relevante em relação a fornecedores de outros países que disputam os mesmos compradores nos Estados Unidos, e que o impacto efetivo vai depender dos produtos alcançados, da classificação tarifária de cada mercadoria e do tratamento dado a concorrentes internacionais. Entre as possíveis consequências listadas pela federação estão a substituição de fornecedores brasileiros por rivais de outros países, a pressão por redução de preços e margens, e a renegociação de contratos, prazos e condições comerciais já firmados.
Para o setor de transporte rodoviário de cargas, o desdobramento é indireto, mas relevante: menor volume de exportações tende a reduzir a demanda por fretes voltados a portos e terminais de embarque, especialmente em cadeias ligadas a bens industriais, siderurgia e produtos químicos, que respondem por parcela expressiva do comércio afetado. A tarifa de 25% passa a valer a partir de 22 de julho, segundo o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
por Setceb | jul 17, 2026 | Uncategorized
O transporte de cargas por rodovias enfrenta um problema que não para de crescer em escala mundial: a escassez de motoristas profissionais, que já afeta diretamente milhares de empresas, encarece fretes e atrasa entregas. O fenômeno fica ainda mais evidente em companhias de grande porte, como mostra o caso da UPS (United Parcel Service), que opera em dezenas de países, especialmente nos Estados Unidos e na Europa, e aponta a falta de motoristas como o maior desafio recente enfrentado em todas as suas regiões de atuação.
Em entrevista à Organização Mundial do Transporte (IRU), Chelsea Allison, vice-presidente de Recursos Humanos da UPS para Europa, Oriente Médio e África, explicou que a empresa opera com um sistema logístico que usa veículos pequenos para coleta até os centros de distribuição e veículos maiores para o transporte entre esses centros, com viagens que raramente ultrapassam quatro horas para os motoristas de rotas mais longas — o que permite que a maioria durma em casa todos os dias. Segundo ela, essa característica ajuda a explicar por que a idade média dos motoristas da UPS fica entre 42 e 48 anos, abaixo da média europeia do setor, próxima dos 50 anos.
Mesmo com essa vantagem, a empresa enfrenta dificuldades nas rotas de longa distância, que costumam ser feitas à noite — horário pouco atrativo para motoristas mais jovens, que segundo a executiva buscam cada vez mais carreiras com jornadas flexíveis, de três ou quatro dias por semana, em contraste com escalas fixas tradicionais do setor de transporte. Para reduzir a dependência de mão de obra, a UPS tem ampliado o uso de caminhões maiores: na Europa, aposta em composições bitrem, conhecidas por lá como EuroCombi, já usadas na Alemanha, nos países nórdicos, na Espanha e em rotas entre Holanda e Alemanha.
“Assim que tivermos três caminhões regulares circulando entre os centros de distribuição, podemos facilmente mudar para duas ecocombis”, afirmou Chelsea Allison, destacando que essas composições reduzem o número de veículos e motoristas necessários por rota, além de diminuírem o consumo de combustível e as emissões de CO₂. A companhia também investe em planos de carreira internos — funcionários que começam em armazéns podem se tornar motoristas depois de um tempo —, em centros de treinamento especializados no Reino Unido e na Alemanha, no custeio da carteira profissional (que pode superar 4 mil euros, ou mais de R$ 23 mil, e levar cerca de nove meses para ser emitida) e em campanhas voltadas à contratação de mulheres para funções com horários mais previsíveis.
O caso da UPS ilustra uma tendência que também preocupa o setor no Brasil: entidades como o Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg) já vêm alertando publicamente que a perda de atratividade da profissão de motorista — associada a jornadas desgastantes, tempo prolongado longe da família e percepção de risco nas rodovias — ameaça a renovação geracional da categoria também por aqui, reforçando a avaliação da UPS de que o desafio da escassez de motoristas exige soluções que vão além das empresas e passam por políticas públicas mais amplas.
por Setceb | jul 17, 2026 | Uncategorized
Profissionais interessados em ingressar ou ampliar a atuação no transporte rodoviário de cargas e de passageiros ganharam mais prazo para participar do programa Mais Motoristas, promovido pelo SEST SENAT. As inscrições seguem abertas até o dia 21 de julho, oferecendo aos selecionados a oportunidade de realizar gratuitamente a mudança de categoria da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e cursos de qualificação profissional.
A iniciativa contempla a mudança para as categorias C, D ou E, além da formação especializada por meio da Escola de Motoristas Profissionais do SEST SENAT ou de cursos reconhecidos pela instituição. O programa é realizado em mais de 130 unidades distribuídas pelo país.
Para participar, é necessário ter pelo menos 19 anos, possuir CNH válida e atender aos requisitos previstos no Código de Trânsito Brasileiro para a alteração de categoria. Também é exigido que o candidato não esteja com o direito de dirigir suspenso e não tenha cometido mais de uma infração gravíssima nos últimos 12 meses.
O programa também contempla Pessoas com Deficiência (PCD), desde que estejam habilitadas, conforme a legislação vigente, para conduzir veículos das categorias oferecidas.
Além da mudança de categoria, os participantes poderão realizar cursos de especialização voltados ao transporte de produtos perigosos, cargas indivisíveis, transporte coletivo de passageiros, transporte escolar e outras capacitações homologadas pelo SEST SENAT, incluindo o curso de Condução Segura e Responsável.
De acordo com a instituição, o objetivo é ampliar a formação de motoristas qualificados, contribuindo para a geração de emprego, o fortalecimento do setor de transporte e a promoção de um trânsito mais seguro.
O SEST SENAT ressalta que a inscrição representa apenas a participação no processo seletivo, sendo a efetivação da vaga condicionada à seleção e convocação dos candidatos.
Serviço
Inscrições: até 21 de julho;
Primeira convocação dos selecionados: 27 de julho;
Inscrições: https://sispac.sestsenat.org.br/#/home
Edital: https://publicador.sestsenat.org.br/arquivos/daf83205-3295-40cc-ad3a-18ed11009854.pdf
Guia do Candidato: https://publicador.sestsenat.org.br/arquivos/f0ada4de-16e2-466d-95ba-32e22aa67083.pdf