INDÚSTRIA DE IMPLEMENTOS RODOVIÁRIOS REGISTRA QUEDA NAS VENDAS NO INÍCIO DE 2026

A indústria de implementos rodoviários começou 2026 com desempenho abaixo do registrado no ano passado. Dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir) apontam que o setor comercializou 42,6 mil produtos entre janeiro e abril, volume 11,2% menor na comparação com o mesmo período de 2025, quando foram vendidas 48 mil unidades.

O segmento pesado, composto por reboques e semirreboques, apresentou a maior retração. No acumulado do quadrimestre, foram emplacados 21,1 mil implementos, resultado 12,8% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

Já o segmento leve, formado por carrocerias sobre chassis, também apresentou queda, embora mais moderada. As vendas passaram de 23,6 mil para 21,3 mil unidades, retração de 9,6%.

Ao analisar apenas o desempenho de abril, os dois segmentos apresentaram comportamentos distintos. O setor pesado registrou queda de 12,7% em relação a março, passando de 6,3 mil para 5,5 mil unidades comercializadas. Em contrapartida, o segmento leve avançou 6,9%, saindo de 5,8 mil para 6,2 mil equipamentos vendidos.

Segundo o presidente da Anfir, José Carlos Sprícigo, o desempenho do setor pesado demonstra maior cautela por parte dos operadores logísticos diante das incertezas econômicas e da pressão sobre os custos operacionais. Já o crescimento das carrocerias leves reflete o movimento das operações urbanas e do consumo.

Apesar do cenário de retração, o setor vê com expectativa positiva a nova etapa do programa Move Brasil, lançada pelo Governo Federal no fim de abril. A iniciativa passou a incluir implementos rodoviários entre os itens financiáveis, ampliando o acesso ao crédito para renovação de frota.

O programa disponibilizará R$ 21,2 bilhões para financiamento de caminhões, ônibus e implementos rodoviários, com recursos do Tesouro Nacional e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A expectativa do setor é que a ampliação das linhas de crédito contribua para estimular investimentos ao longo de 2026 e ajude a reduzir os impactos provocados pelo cenário econômico mais restritivo.

FISCALIZAÇÃO ELETRÔNICA E GOVERNANÇA AMPLIAM EXIGÊNCIAS NA CONTRATAÇÃO DE FRETE NO TRC

A contratação de frete no transporte rodoviário de cargas passou a envolver uma dinâmica muito mais ampla do que apenas a negociação por preço. Em um cenário marcado pelo avanço da fiscalização eletrônica, aumento das exigências regulatórias e necessidade de maior previsibilidade logística, a relação entre embarcadores e transportadores ganhou peso estratégico dentro das operações.

Dados do Boletim Estatístico do Transporte Rodoviário, divulgado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), mostram que o Brasil possui mais de 860 mil transportadores cadastrados no RNTRC, entre autônomos, empresas e cooperativas. A frota registrada soma cerca de 1,7 milhão de veículos de tração e aproximadamente 1 milhão de implementos rodoviários.

Segundo os dados mais recentes do RNTRC, o setor reúne aproximadamente 620 mil transportadores autônomos de cargas (TACs), 50,6 mil empresas de transporte de cargas (ETCs), 187,5 mil ETCs equiparadas a TAC e 454 cooperativas de transporte de cargas (CTCs).

O volume operacional também aparece nos indicadores ligados à regulação. Apenas em 2025, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) registrou mais de 962 mil atendimentos relacionados ao RNTRC, além do avanço do Pagamento Eletrônico de Frete (PEF), que ultrapassou 20 milhões de operações no período.

Esse cenário vem ampliando a necessidade de integração operacional, rastreabilidade e controle documental nas operações de transporte.

Fiscalização eletrônica muda dinâmica das operações
O avanço da digitalização logística e dos mecanismos automáticos de fiscalização passou a exigir maior atenção sobre conformidade regulatória e governança operacional.

Nos últimos anos, a ANTT ampliou mecanismos de fiscalização ligados ao MDF-e e ao CIOT, utilizados no monitoramento das operações de frete. A automação desse processo reduziu margens para inconsistências documentais e elevou o nível de responsabilidade tanto de transportadores quanto de embarcadores.

Com isso, fatores como regularidade cadastral, rastreabilidade das operações, nível de serviço, controle operacional e capacidade de gestão passaram a ter peso cada vez maior na contratação do transporte.

O próprio Plano Nacional de Logística (PNL), elaborado pelo Governo Federal, aponta critérios como confiabilidade, segurança da carga, regularidade operacional e eficiência logística entre os elementos essenciais para competitividade do setor.

Relação entre embarcador e transportador ganha novo peso estratégico
A necessidade de relações mais estruturadas também passou a fazer parte das discussões do setor.

Em análises recentes publicadas pela MundoLogística, executivos do transporte destacaram que muitas operações ainda funcionam com baixo nível de formalização contratual, o que aumenta riscos operacionais e gera conflitos sobre responsabilidades, prazos e padrões de serviço.

Dentro desse contexto, contratos mais estruturados passaram a ser vistos como instrumentos importantes para definição de processos operacionais, indicadores de desempenho, responsabilidades e alinhamento entre as partes.

Além disso, o aumento da pressão sobre custos operacionais — como combustível, manutenção, seguros, pedágios e mão de obra — também vem mudando a lógica da negociação do frete.

O setor avalia que a discussão sobre eficiência logística deixou de estar concentrada apenas no menor preço e passou a envolver previsibilidade operacional, integração de informações e redução de riscos ao longo da cadeia.

Informalidade segue como desafio do setor
Outro ponto que continua impactando diretamente a relação entre embarcadores e transportadores é a informalidade nas operações de frete.

Estudo produzido pela GO Associados a pedido da Associação das Administradoras de Meios de Pagamento Eletrônico de Frete (Ampef) estima que cerca de 43% do transporte rodoviário de cargas no Brasil ainda esteja ligado ao mercado informal.

Segundo o levantamento, além do impacto tributário, a informalidade reduz a rastreabilidade das operações e dificulta o monitoramento efetivo do pagamento do frete.

Nesse ambiente de maior fiscalização eletrônica e exigência documental, a formalização das operações tende a ganhar importância crescente dentro da estratégia logística das empresas.

Transporte do Futuro debate tendências do setor
As mudanças na relação entre embarcadores e transportadores estarão entre os temas debatidos no evento Transporte do Futuro, promovido pela MundoLogística, nos dias 17 e 18 de junho de 2026, no Expo Center Norte.

O encontro reunirá executivos, transportadores, embarcadores e especialistas para discutir temas ligados à governança logística, compliance, gestão de custos, tecnologia e transformação operacional no transporte rodoviário de cargas.

Mais informações estão disponíveis em: Transporte do Futuro

SAÚDE DOS CAMINHONEIROS GANHA DESTAQUE EM DEBATE SOBRE SEGURANÇA NAS RODOVIAS

A saúde dos caminhoneiros voltou ao centro das discussões sobre segurança viária e sustentabilidade do transporte rodoviário de cargas no Brasil. Um levantamento realizado às margens de rodovias no Rio Grande do Sul identificou que grande parte dos motoristas avaliados apresenta excesso de peso, além de apontar que ainda existe um número relevante de profissionais que admite dirigir após consumo de álcool ou sob efeito de substâncias estimulantes.

Os dados foram coletados durante ações periódicas de saúde realizadas nas estradas, onde caminhoneiros participam voluntariamente de exames básicos e relatam aspectos da rotina profissional.

O cenário evidencia desafios históricos enfrentados pela categoria, como jornadas extensas, alimentação irregular, privação de sono, pressão por prazos e longos períodos longe de casa.

Especialistas do setor destacam que a condição física e mental dos motoristas interfere diretamente na segurança viária. Fadiga acumulada, problemas de saúde sem acompanhamento e uso de substâncias para prolongar o tempo ao volante podem comprometer reflexos, atenção e capacidade de tomada de decisão.

No transporte de cargas, onde veículos pesados circulam diariamente pelas rodovias brasileiras, qualquer redução no desempenho operacional aumenta o risco de acidentes e amplia os impactos para toda a cadeia logística.

Para representantes do setor, o problema vai além da responsabilidade individual e revela questões estruturais da atividade.

Segundo José Ronaldo Marques da Silva, presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), a saúde do motorista não pode ser tratada como tema secundário dentro da operação logística.

“Não dá para tratar a saúde do motorista como um tema periférico, porque é ela que sustenta toda a operação. Ignorar isso é aceitar um risco silencioso, que muitas vezes se revela no meio do caminho ao preço de vidas”, afirma.

A discussão também envolve condições de trabalho, organização das jornadas, acesso à saúde e infraestrutura adequada para descanso nas rodovias.

Ao mesmo tempo, representantes da categoria reforçam a importância da consciência operacional e da responsabilidade individual na prevenção de riscos.

Para Márcio Galdino, diretor regional do Sinaceg, o uso de substâncias incompatíveis com a atividade precisa ser combatido, mas o motorista também deve conhecer seus limites físicos e respeitar os sinais de desgaste.

“As políticas públicas e a estrutura adequada são fundamentais, mas nenhuma delas substitui a responsabilidade individual no cuidado com a própria saúde”, destaca.

As ações de saúde realizadas nas rodovias cumprem papel importante ao oferecer triagem, orientação e exames básicos, principalmente para profissionais que passam longos períodos viajando e têm dificuldade de acesso contínuo a atendimento médico.

Mesmo assim, especialistas avaliam que iniciativas pontuais não resolvem sozinhas os desafios enfrentados pela categoria.

Entre os temas mais debatidos pelo setor estão a necessidade de jornadas mais equilibradas, ampliação de áreas de descanso, prevenção ao uso de álcool e drogas, acesso regular a acompanhamento médico, promoção de alimentação saudável nas estradas e maior atenção à saúde mental dos motoristas.

Para especialistas em logística e segurança viária, tratar a saúde do caminhoneiro como eixo estratégico pode ser decisivo para reduzir acidentes, preservar vidas e tornar o transporte rodoviário mais seguro, eficiente e sustentável no longo prazo.

GOVERNO FEDERAL DESTINA R$ 21,1 MILHÕES PARA OBRAS VIÁRIAS NA BAHIA

O Governo Federal autorizou o remanejamento de R$ 21,1 milhões para obras de infraestrutura viária na Bahia. A medida foi publicada no Diário Oficial da União por meio da Secretaria Nacional de Transporte Rodoviário, ligada ao Ministério dos Transportes.

Os recursos serão aplicados na restauração e manutenção da malha rodoviária estadual, com foco em obras de pavimentação, recuperação de trechos e construção de pontes em diferentes regiões do estado.

O investimento será realizado com recursos provenientes da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), tributo destinado ao financiamento de projetos de infraestrutura de transportes.

Entre os trechos contemplados estão as rodovias BA-023, BA-084, BA-512, BA-583 e BA-649, além de intervenções em municípios estratégicos para o escoamento da produção e a mobilidade regional, como Correntina, Santa Maria da Vitória, Biritinga, Camaçari, Formosa do Rio Preto, Érico Cardoso, Tucano, Caetité e Alcobaça.

A BA-649, que conecta Itabuna a Ilhéus, aparece entre os destaques do programa. O trecho receberá mais de R$ 3 milhões destinados a obras de implantação, pavimentação e construção de pontes, buscando melhorar a logística regional e ampliar a segurança viária.

Segundo o cronograma divulgado pelo governo, os recursos serão distribuídos ao longo de 2026, com maior concentração de investimentos prevista para o segundo e terceiro trimestres do ano.

As obras fazem parte da estratégia de fortalecimento da infraestrutura rodoviária estadual, considerada essencial para o transporte de cargas, integração regional e desenvolvimento econômico da Bahia.

Além de melhorar as condições de trafegabilidade, os investimentos também devem contribuir para redução de custos logísticos, aumento da segurança nas rodovias e melhoria do fluxo de veículos em importantes corredores de transporte do estado.

CAMINHÕES CONECTADOS E TELEMETRIA GANHAM ESPAÇO NA GESTÃO DO TRANSPORTE RODOVIÁRIO

A conectividade e a telemetria vêm transformando o transporte rodoviário de cargas no Brasil e mudando a forma como transportadoras monitoram veículos, motoristas e operações logísticas. Com o avanço da digitalização, caminhões conectados deixaram de ser apenas uma tendência tecnológica e passaram a ocupar papel estratégico na eficiência operacional, na redução de custos e na segurança viária.

Equipados com sensores, sistemas eletrônicos, GPS e inteligência artificial, os caminhões conectados funcionam como verdadeiros centros móveis de dados, capazes de transmitir informações em tempo real sobre consumo de combustível, localização, velocidade, frenagens, desempenho do motorista e condições mecânicas do veículo.

Segundo Marcelo Tupiniquim, gerente de Transportes e Segurança, a conectividade permite ampliar o controle operacional das empresas e transformar dados em decisões mais rápidas e eficientes.

“As ferramentas automatizam o controle de combustível, monitoram o comportamento do condutor e reduzem custos operacionais por meio de dados em tempo real”, afirma.

Entre as principais tecnologias utilizadas atualmente na gestão de frotas estão sistemas de rastreamento via GPS, telemetria avançada, softwares de gestão logística, videotelemetria, internet das coisas (IoT) e inteligência artificial aplicada ao planejamento de rotas e manutenção preditiva.

A telemetria ganhou destaque justamente por permitir acompanhamento contínuo da operação. Sensores instalados no caminhão coletam dados sobre consumo de diesel, velocidade, acelerações bruscas, frenagens e funcionamento do motor, ajudando a identificar falhas antes que elas provoquem paradas ou acidentes.

Além de aumentar a disponibilidade dos veículos, a tecnologia também contribui para reduzir custos com manutenção corretiva e melhorar o desempenho operacional das frotas.

O monitoramento em tempo real também fortalece a gestão de risco no transporte de cargas, permitindo acompanhar rotas, identificar desvios operacionais e ampliar a segurança da carga e do motorista.

Segundo especialistas do setor, os ganhos financeiros se tornaram um dos principais fatores que aceleram a adoção dessas tecnologias. A combinação entre telemetria, condução eficiente e planejamento de rotas pode gerar redução significativa no consumo de combustível, principal custo operacional das transportadoras brasileiras.

A gestão de frotas conectadas também contribui para diminuir desperdícios, evitar multas, ampliar o controle sobre jornadas e melhorar o nível de serviço logístico.

Outro ponto de destaque é a manutenção preventiva. Com análise contínua do desempenho dos veículos, empresas conseguem antecipar problemas mecânicos, reduzir paradas inesperadas e aumentar a vida útil da frota.

Na área de segurança, a tecnologia vem sendo usada para mitigar riscos ligados ao comportamento humano, considerado um dos principais fatores de acidentes nas rodovias. Sistemas inteligentes conseguem identificar fadiga, distrações, excesso de velocidade e situações críticas durante a condução.

“A tecnologia tem revolucionado a segurança no transporte de cargas, transformando os caminhões em veículos inteligentes capazes de prever riscos e agir preventivamente”, afirma Tupiniquim.

A expectativa do setor é que os caminhões conectados avancem ainda mais nos próximos anos, impulsionados pela integração entre inteligência artificial, análise de dados e automação logística.

Fonte: Diário do Nordeste

Para especialistas, o futuro do transporte rodoviário dependerá cada vez mais da capacidade das empresas de utilizar tecnologia para aumentar produtividade, reduzir desperdícios e melhorar o aproveitamento da frota já existente.

“A grande virada estratégica não está em ter mais caminhões, mas em usar melhor os caminhões existentes”, conclui o executivo.