DEFASAGEM DA GASOLINA E DIESEL DISPARA E GERA ALERTA PARA INFLAÇÃO; ENTENDA

Uma forte escalada do preço do petróleo no mercado internacional, desta vez impulsionada por um novo pacote de sanções contra o setor energético russo, chega ao Brasil em um momento em que a Petrobras está com os preços bastante defasados, atingindo patamares que em 2023 obrigaram a companhia em agosto a reajustar o diesel em 25% e a gasolina em 16%.

Um eventual aumento agora, para reduzir ou anular essa defasagem, teria impacto na inflação de 2025, principalmente a de fevereiro, mas traria alívio para importadores e produtores de etanol, que estão perdendo espaço nos postos de abastecimento diante dos preços estagnados dos dois combustíveis.

Segundo dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a defasagem média do diesel nas refinarias da Petrobras, em relação ao preço praticado no Golfo do México chegou a 22% na última sexta-feira (17), enquanto na gasolina ficou em 13%.

Mesmo na Refinaria de Mataripe, que reajusta seus preços semanalmente, o óleo diesel está sendo vendido 11% abaixo do mercado internacional, e a gasolina a um preço 7% inferior.

O preço do diesel não é reajustado há 383 dias nas refinarias da estatal, e da gasolina, há 188 dias. No dia 1º de janeiro a estatal elevou o querosene de aviação (QAV), cujos reajustes mensais são por contrato, em 7%.

“Não é necessário a Petrobras trabalhar com uma defasagem tão alta. Prejudica não só importadores como produtores de etanol. O câmbio não tem expectativa de redução enquanto não houver equilíbrio fiscal, e o petróleo só aumenta. Se a companhia praticar um preço só um pouco abaixo da defasagem já ganha muito dinheiro”, disse ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) o presidente da Abicom, Sérgio Rodrigues.

Inflação

Para o economista e coordenador do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) da Fundação Getulio Vargas (FGV), André Braz, será difícil a petroleira evitar um reajuste diante dessa defasagem por muito tempo.

Segundo ele, a expectativa é de que os combustíveis sejam reajustados em breve, o que vai pesar na inflação de janeiro e principalmente de fevereiro. No caso do índice oficial de inflação, Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a maior preocupação é a gasolina, que compromete 5% do orçamento familiar no Brasil.

“Várias pressões inflacionárias estão se acumulando, já tivemos aumentos importantes no transporte público, teremos alta nas mensalidades escolares e no IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores). Acredito que a gasolina, que compromete 5% do orçamento familiar, terá reajuste em breve. A desvalorização cambial acumulada e a nova tendência de alta do petróleo indicam que isso deve acontecer”, explicou Braz ao Broadcast.

FREIOS: VEJA 5 ERROS COMUNS QUE CAUSAM PREJUÍZO E ARRISCAM A SEGURANÇA

Por motivos óbvios, os freios estão entre os itens de segurança mais importantes de um automóvel. Mantê-los em perfeito estado de funcionamento, portanto, é essencial.

A primeira orientação é seguir rigorosamente as quilometragens e os prazos recomendados nas revisões periódicas, disponíveis no manual do proprietário.

Além disso, vale a pena ficar atento a sinais de que o equipamento já necessita de uma inspeção, como vazamento de fluido, pedal duro e maior distância de frenagem.

Outra recomendação é evitar erros, tanto na condução quanto na manutenção, que aceleram o desgaste dos freios e podem aumentar a conta a ser paga com oficina.

Para apontar esses maus hábitos, UOL Carros consultou Erwin Franieck, mentor de tecnologia e inovação em engenharia avançada da SAE Brasil.

Confira:

1 – Frear em cima da hora

De acordo com Franieck, dirigir de forma agressiva, com frenagens e acelerações bruscas, é um dos hábitos que mais contribui para o desgaste prematuro dos freios e para o aumento no consumo de combustível.

Se a intenção é prolongar a vida útil de pastilhas, lonas e discos de freio e, de quebra, reduzir o gasto de combustível, suavidade ao volante é a dica de ouro.

“Antecipe as frenagens ao observar que o trânsito está parando logo adiante e, depois, acelere de forma gradual. Evite os extremos ao volante para não desgastar os freios e outros componentes sem necessidade”, ensina o engenheiro.

2 – Não utilizar o freio motor

Especialmente em descidas de serra, a orientação é sempre manter o veículo engrenado e, se for necessário, inclusive com redução de marcha.

O freio motor aumenta a segurança e reduz a necessidade de acionar o sistema de freios.

Em situações extremas como descidas íngremes e sinuosas, exigir demais dos feios acaba por aquecer excessivamente componentes como discos e pastilhas, criando um efeito indesejável e perigoso: o “fading”, que é a perda momentânea da capacidade de frenagem por conta das altas temperaturas.

“Nunca ande na ‘banguela’, com a transmissão em neutro. Reduza as marchas para ajudar a ‘segurar’ o veículo e não sobrecarregar os freios. Muitos carros automáticos identificam o declive e já fazem a redução, mantendo o motor cheio”, orienta o especialista da SAE Brasil.

Se você tem o costume de colocar a transmissão em ponto morto em declives, na expectativa de poupar combustível, a prática não traz esse benefício. Pelo contrário.

Colocar o câmbio em neutro faz o carro gastar mais combustível do que se estivesse engrenado. Isso acontece porque o sistema de injeção é calibrado para entrar em modo de baixo consumo assim que você tira o pé do acelerador, com o veículo engrenado. Assim, o motor recebe apenas a quantidade necessária de combustível para seguir funcionando.

3 – Manter o pé no pedal após frenagem intensa

Essa situação é comum, especialmente na estrada, onde se atinge velocidades mais altas.

Ao parar para reabastecer ou chegar ao posto de pedágio, por exemplo, exige-se mais dos freios, que podem atingir temperaturas superiores bastante elevadas.

Imediatamente após a parada, muitos continuam pressionando o pedal.

“Se for possível, em local plano, tire o pé do pedal imediatamente logo após a parada do veículo. Alguns segundos já são suficientes. Essa prática permite que o disco esfrie de maneira uniforme, o que não acontece com as pastilhas pressionadas sobre a peça”, esclarece Franieck.

De acordo com o engenheiro, esse cuidado não é excesso de zelo. Pelo contrário: contribui para evitar que se forme um “degrau” no disco, causado pelo resfriamento irregular – o que pode exigir a substituição da peça antes do prazo.

Também reduz o risco de o disco empenar, diz Erwin.

4 – Excesso de carga

Esse hábito é mais associado ao consumo de combustível, mas também é danoso para itens como suspensão e freios.

Quanto mais peso a bordo, maior é a necessidade de utilizar os freios, acelerando o respectivo desgaste.

A situação é agravada se a carga transportada for maior do que o limite recomendado no manual do proprietário.

Nesse caso, não se trata apenas de reduzir a vida útil de uma série de componentes: as consequências dessa prática incluem maior distância de frenagem e comprometimento da estabilidade do carro.

5 – Usar fluido fora da especificação

As montadoras informam no manual a especificação exata do fluido de freio e não é por acaso.

Nos testes de homologação e desenvolvimento do carro, o líquido utilizado precisa atender a requisitos específicos daquele modelo de carro, levando em conta aspectos como ponto de ebulição.

Siga os prazos para troca do fluido, utilizando o produto recomendado pela montadora, salienta Erwin Franieck.

“Em condições normais, o sistema de freios é bem vedado e não é esperada uma redução no nível do líquido. Caso você perceba que ele ficou menor, é sinal de um provável vazamento, que deve ser verificado o mais rapidamente possível”, alerta o mentor da SAE Brasil.

Se o nível baixar, a recomendação é completá-lo com o fluido correto e ir logo até uma oficina de confiança para inspecionar o sistema de freios.

EM ENTREVISTA À REVISTA CNT, VANDER COSTA FALA DOS AVANÇOS E DESAFIOS DO TRANSPORTE BRASILEIRO

Em entrevista à Revista CNT Transporte Atual, Vander Costa, presidente do Sistema Transporte, faz um balanço do marco histórico dos 70 anos da Confederação Nacional do Transporte, celebrado em 2024, e projeta os desafios e as oportunidades para o setor transportador em 2025. Na conversa – que será publicada na íntegra, na próxima edição da revista, prevista para o início de fevereiro –, Vander Costa aborda temas como a regulamentação da reforma tributária, a importância do acompanhamento das questões fiscais e os avanços nos investimentos em infraestrutura, com destaque para as concessões de rodovias, portos e hidrovias.

Confira, a seguir, alguns trechos da entrevista.

Revista CNT | Em 2024, em razão do aniversário de 70 anos da CNT, assistimos a uma série de homenagens, com destaque à sessão solene realizada no Senado Federal. O Sistema Transporte começa o ano com mais força institucional e reconhecimento pelo trabalho prestado ao país?

Vander Costa | Foi um ano de muito trabalho, e houve momentos de festa. Nós começamos a comemorar os 70 anos ainda em janeiro, com a equipe do Sistema Transporte. A própria ideia de “sistema” é algo que se buscou consolidar, de modo a envolver a CNT, o SEST SENAT e o ITL. Essas Instituições atuam em complementaridade, e não em concorrência, cada uma com sua função. Daí a importância de se ter reunido as três casas. Depois, em junho, houve um grande evento, prestigiado por empresários do setor de transporte e autoridades da República. E o ápice foi a sessão solene do Congresso Nacional, em outubro, em que, literalmente, o Plenário do Senado Federal ficou lotado, com pessoas em pé. Além disso, houve forte exposição na mídia. Foi cumprido, assim, o objetivo de dar visibilidade à CNT – e continuamos com o objetivo de fazer com que o Sistema Transporte seja mais conhecido pelo brasileiro.

Revista CNT | O ano de 2025 começa com uma inovação importante, que é a regulamentação da reforma tributária, recém-sancionada pelo presidente da República. Como foi a atuação da CNT em prol dos transportadores?

Vander Costa | A regulamentação foi acompanhada por nós ao longo de todo o ano passado. Em que pese a reforma tributária tenha vindo à luz com a Emenda Constitucional nº 132, de 2023, a regulamentação dos dispositivos é tão ou mais importante, porque entra no detalhe. Tudo aquilo que a Emenda colocou de parâmetro, de princípio, a regulamentação vem para dar aplicabilidade. E nós não podemos baixar a guarda, porque houve importantes avanços com relação ao setor de transporte, sobretudo no segmento de passageiros. É um trabalho ininterrupto.

Revista CNT | Quais outros assuntos merecem acompanhamento institucional da CNT?

Vander Costa | Algo que precisamos estar sempre atentos é o arcabouço fiscal. O chamado pacote de redução de gastos do governo, que veio à tona com a Emenda Constitucional nº 135, promulgada pelo Congresso em dezembro, não corta efetivamente gastos. Ele vai no sentido de buscar equilíbrio fiscal por meio do aumento da receita do governo, o que significa aumento da carga tributária. Mais especificamente, limitou-se o crédito tributário decorrente de PIS (a contribuição feita mensalmente pelas empresas que custeia auxílios trabalhistas, tais como seguro-desemprego) e Cofins (contribuição que custeia gastos com a seguridade social dos trabalhadores de empresas privadas). Trata-se de tentativa semelhante à realizada pelo governo quando quis discutir a desoneração da folha de pagamento (e, por fim, decidiu-se pela retomada gradual da tributação até 2027). A CNT precisa estar sempre atenta, em nome de um ambiente de negócios saudável.

Revista CNT | Ainda sobre investimento em infraestrutura de transporte, o senhor tem sido uma voz otimista, apontando que, se o aporte for continuado, podemos esperar uma melhora sensível no futuro.

Vander Costa | Continuo pensando dessa forma. Se nada atrapalhar, a gente vai continuar crescendo de 2,5% a 3%, porque esse é um crescimento “contratado”. E nunca se realizaram tantas concessões de ativos de infraestrutura. Então, o governo segue a linha que sempre defendemos: a de privatizar o que é possível ser privatizado. Se houve dúvida sobre isso, o presidente Lula a afastou de pronto. Como não há recurso público para tudo, vamos privatizar o que é “privatizável”. Vamos ter diversos leilões de rodovias, que são o destaque, mas também de portos e aeroportos.

DESCUBRA O GRAU DE INFLUÊNCIA DO PESO DA CARGA, VELOCIDADE, IDADE DO CAMINHÃO E HORAS MOTOR LIGADO NO CONSUMO DE COMBUSTÍVEL

Quando estudamos a estrutura dos custos operacionais no TRC, nos deparamos com o sistema de custeio ESPAÇO – TEMPO, onde os custos de uma viagem são diretamente proporcionais à distância percorrida pelo caminhão e, o tempo que o caminhão e motorista ficam envolvidos na operação, desde o deslocamento para carregar até a efetiva entrega da carga no destino.

Na dimensão distância aloca-se os custos variáveis (pneus, combustível, ARLA, manutenção, lubrificantes e lavação). Na dimensão tempo aloca-se os custos fixos (depreciação, remuneração de capital, salários e encargos sociais trabalhistas e
previdenciários, seguro e licenciamento).

Todos os custos preocupam, porém o combustível é o que mais dá dor de cabeça ao gestor de frotas, pois muitas são as variáveis que exercem influência: velocidade, peso da carga, topografia, pavimento, qualidade da manutenção, qualidade do combustível, maneiras de dirigir, área frontal do veículo, tecnologia embarcada, calibragem do pneu, etc.

O custo com combustível além de impactar fortemente na estrutura de custos e no fluxo de caixa, pelo desembolso quase que à vista, é usado como critério para remunerar ou premiar os motoristas.

Melhorar os controles de gestão de combustível é importante e neste artigo apresentamos uma sugestão de calculadora de mensuração do consumo de combustível, mediante a aplicação de conceitos avançados de estatística: a análise de correlação e regressão linear múltipla.

A matemática, por ser a rainha das ciências, é uma ferramenta poderosa que pode contribuir e muito, na busca de métodos mais avançados para auxiliar na gestão de combustível em frotas rodoviárias.

Dos vários ramos da matemática, ou seja: aritmética, álgebra, geometria, probabilidade e trigonometria, destacamos a estatística. No livro de estatística aplicada, vamos encontrar o capítulo que trata das medidas de dispersão e a teoria da regressão e correlação está disponível exatamente neste capítulo.

Usando os conceitos de estatística na gestão consumo de diesel

Desejamos avaliar o consumo de combustível (X1), de um determinado tipo de caminhão (cavalo mecânico trucado com semi-reboque carga seca 3 eixos) numa operação/rota fixa, em função das seguintes variáveis: velocidade (X2); peso da carga (X3), horas motor ligado (X4) e habilidades do condutor (X5), ou seja:

= + + + + 5

Sendo:
X1 = consumo de combustível em Litros por Km;
X2 = velocidade média – Km/hora
X3 = peso da carga ida e e volta;
X4 = horas motor ligado e;
X5 = condutor (1 = motorista; 2 = condutor e 3 = tocador)
A, B, C, D e E são parâmetros ou coeficientes que evidenciam o grau de influência de cada variável no consumo de combustível na determinada operação/rota fixa.

Multiplicando a expressão 1 por x2, x3, x4 e x5, obtemos o plano de regressão linear múltipla, que se através do uso do algoritmo de Gauss-Jordan 1 vamos obter os valores de cada coeficiente: a,b,c,d e e.

Para melhorar o entendimento vamos aplicar no estudo de caso a seguir:

Identificar a equação que explica o consumo de combustível em função das seguintes variáveis: velocidade média ida e volta; peso da carga transportada; horas motor ligado e habilidades do condutor na seguinte rota fixa:

• Origem: Itajaí (carga de importação)
• Destino: São Paulo- SP (após a descarga, o caminhão carrega no mesmo local, cargas de exportação com destino ao porto de Itajaí.
• Km ida e volta: 1.200 Km
• Tipo caminhão: cavalo-mecânico trucado com s. reboque carga seca 3 eixos

Coleta de dados de 20 viagens analisadas num determinado período:

Após os devidos cálculos usando adequadamente o algoritmo de Gauss-Jordan, obtemos então os valores de cada coeficiente: a = -0,0005989543615; b = 0,001531415975; c = 0,004330152150; d = 0,003842171340; e = 0,000899814119.

Assim sendo, substituindo os coeficientes na equação 1, temos a equação que explica o consumo de combustível numa determinada rota fixa, em função do peso da carga transportada, velocidade média, idade do veículo, horas motor ligado a habilidades do condutor.

X1 = -0,0005989 + 0,00153141X2 + 0,00433015X3 + 0,00384217X4 + 0,0008999X5

Aplicando a equação

Qual o consumo esperado de combustível, na viagem de ida e volta, se:
• Peso da carga = 52 toneladas
• Velocidade média = 56 Km/hora
• Horas motor ligado = 24
• Condutor = 3 (tocador)

Substituindo os coeficientes na equação, o consumo esperado X1 = 0,40523 Litros por quilômetro rodado é equivalente a despenho de 2,467 Km por litro de diesel.

Ao compararmos o consumo esperado (Ce) com o consumo real (Cr), temos três situações possíveis:

Quando o gestor de transportes e frotas usa ferramentas tecnológicas e a matemática (lógica) intensamente no dia a dia, sua gestão é mais assertiva e justa, pois nada melhor que fatos e dados reais para uma boa tomada de decisão estratégica, pois ajuda a identificar padrões e tendências; melhora a credibilidade das decisões e ajudam na otimização dos processos.

SANCIONADA A LEI DE REGULAMENTAÇÃO DA REFORMA TRIBUTÁRIA

O Presidente da República sancionou a Lei Complementar nº 214, de 16 de janeiro de 2025, que trata da regulamentação da reforma tributária sobre o consumo, estabelecida pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023. A Constituição criou tributação dual sobre o valor agregado (IVA) nas operações com bens e serviços a ser cobrada pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios.

A Lei regulamentadora institui a Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS), da União; o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que será gerido por Estados e Municípios, e o Imposto Seletivo (IS), que vão substituir os atuais PIS, COFINS, IPI (parcialmente), federais, além do ICMS estadual e ISS municipal.

Haverá incidência dos dois tributos em todas e quaisquer operações com o fornecimento e transferência onerosa de bens móveis ou imóveis, materiais ou imateriais, inclusive direitos. A lei define como prestação de serviços todas as demais operações que não sejam enquadradas como operações com bens.

A operação onerosa caracteriza-se pela existência de contraprestação, que poderá ser pelo pagamento ou qualquer outra forma de contraprestação, conforme previsão expressa na lei, que ainda estabelece várias hipóteses de operações não onerosas nas quais haverá a incidência dos tributos.

São consideradas operações onerosas a compra e venda, troca ou permuta, dação em pagamento e demais espécies de alienação; locação, licenciamento, concessão, cessão, mútuo oneroso, doação com contraprestação, instituição onerosa de direitos reais, arrendamento e prestação de serviço.

Há previsão de não cumulatividade plena dos tributos como forma de assegurar que cada agente econômico pague somente sobre o valor agregado, com a apropriação de crédito dos valores da CBS e do IBS pagos em todas as operações anteriores.

O fato gerador do tributo ocorre no momento do fornecimento das operações com bens e serviços. No caso do transporte de cargas, no término do fornecimento, considerado o local da operação, o local da entrega do bem transportado ou disponibilizado ao destinatário. O local da operação tem importância, pois ele define a incidência do IBS e as alíquotas aplicáveis, do Estado e do Município de destino.

A base de cálculo do tributo será o valor da operação. E as alíquotas serão fixadas por leis ordinárias específicas: da CBS pela União e do IBS pelo Estado ou Distrito Federal e pelos Municípios. Cada ente fixará sua alíquota, as quais, somadas, serão objeto de cobrança única em cada operação.

Haverá alíquotas de referência para a CBS e para o IBS, que serão fixadas pelo Senado Federal, no período de transição de implantação dos tributos de 2027 a 2035, com a previsão de revisão pelo Senado em caso de alteração na legislação federal que eleve ou reduza a arrecadação do IBS ou da CBS.

A lei complementar estabelece limitação da alíquota final da CBS e do IBS, somados, em 26,5% (vinte e seis inteiros e cinco décimos por cento), disposição de duvidosa constitucionalidade, pois a Constituição atribui à União, Estados, Distrito Federal e Municípios a competência para fixar as respectivas alíquotas. Estima-se uma alíquota total por volta de 28% (vinte e oito por cento), a maior do mundo.

A apuração do IBS e da CBS será mensal, dependendo ainda de regulamentação o prazo de apuração e o do vencimento dos tributos. Será feita de forma consolidada considerando as operações de todos os estabelecimentos do contribuinte, concentrando-se o pagamento em um único estabelecimento.

O transporte RODOVIáRIO de cargas estará sujeito à cobrança do IBS e da CBS pela alíquota cheia, o que implicará em evidente aumento da carga tributária incidente sobre a prestação de serviços de transporte, a exemplo do que deverá ocorrer com os serviços de uma forma geral. O direito ao crédito sobre todos os insumos que o transportador adquirir, bens e serviços, sobre os quais tenham incidido e pago CBS e IBS, não serão suficientes para reduzir a carga tributária aos parâmetros hoje praticados.

O transporte rodoviário de cargas destinadas, direta e exclusivamente, à exportação goza de imunidade estabelecida na lei, sendo considerado exportação de serviço.

Combustíveis estarão sujeitos a regime especial de tributação monofásica, com alíquota única em todo o território nacional, sendo vedada a apropriação de créditos na aquisição para distribuição, comercialização ou revenda, permitida a apropriação de crédito ao adquirente que seja contribuinte no regime regular.

A empresa de transporte, ao contratar transportador rodoviário de carga autônomo, embora esse não seja contribuinte da CBS e IBS, terá a possibilidade de apropriação de crédito presumido da operação, o que poderá tornar mais vantajosa a terceirização.

A Lei prevê a implantação gradual de sistema eletrônico de pagamento denominado split payment, inicialmente nas operações aos adquirentes que não sejam contribuintes da CBS e IBS, principalmente nas operações de varejo. Tal sistema permitirá a imediata e automática distribuição dos tributos aos respectivos entes credores, União, Estado e Município o que representará a arrecadação antecipada, eliminando qualquer possibilidade de sonegação.

O desenvolvimento, implantação, operação e manutenção do split payment dependerá de ato conjunto da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS, este na dependência ainda da aprovação do Projeto de Lei Complementar 108/2025, que se encontra em tramitação no Senado Federal.

Além disso, diversos dispositivos da lei complementar remetem ao regulamento – apuração dos tributos e prazo de vencimento, obrigações acessórias, compensação dos tributos, pagamento, recolhimento na liquidação financeira, dentre outros; todos dependerão de regulamentação através de atos conjuntos dos mesmos órgãos (Receita Federal e Comitê Gestor). Nada poderá ser feito enquanto o Comitê Gestor não se tornar uma realidade.

Confira a Lei na íntegra aqui

Jurídico/NTC&Logística

BOLETIM FOCUS: MERCADO ELEVA PROJEÇÃO PARA A INFLAÇÃO EM 2025 E 2026

Economistas do mercado financeiro voltaram a elevar suas projeções para a inflação em 2025 e 2026. Segundo os dados do último Boletim Focus, divulgados nesta segunda-feira (20/1) pelo Banco Central (BC), a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano passou de 5,00% para 5,08%.

Para 2026, a projeção subiu de 4,03% para 4,05%. Para 2027, a estimativa foi elevada de de 4,05% para 4,10%, enquanto para 2028, subiu de 3,60% para 3,62%. A revisão das projeções afastam a inflação da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3% em 2025. A margem de tolerância para que ela seja considerada cumprida é de 1,5 ponto percentual para baixo ou para cima.

O Brasil já ultrapassou o teto da meta de inflação em 2024, que acumulou alta de 4,83%. Em carta enviada pelo BC ao Ministério da Fazenda, a autoridade monetária atribuiu o estouro da meta ao forte crescimento da economia, à desvalorização do real e a fatores climáticos.

Selic

A mediana para taxa básica de juros (Selic) ficou estável em 15% neste ano. Atualmente, a taxa está em 12,25% ao ano, valor fixado após a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em 11 de dezembro de 2024. A próxima reunião do colegiado acontecerá nos dias 28 e 29 de janeiro, a expectativa é de um aumento da Selic em 1 ponto percentual.

A projeção para 2026 subiu de 12% para 12,25%. A estimativa para 2027, por sua vez, ficou estável em 10,25%, assim como para 2028, que permaneceu em 10% pela quarta semana consecutiva.

PIB

A mediana das projeções para o produto interno bruto (PIB) em 2025 subiu de 2,02% para 2,04%. Já a previsão para 2026 caiu de 1,80% para 1,77%. A estimativa permaneceu estável em 2,0% para 2027. Para 2028, a projeção também foi mantida em 2%.

Dólar

Em relação ao câmbio, a expectativa para o dólar em 2025 e 2026 permaneceu em R$ 6,00. A projeção para 2027 subiu de R$ 5,82 para R$ 5,92. Para 2028, a projeção subiu de R$ 5,88 para R$ 5,99.