O PERIGO INVISÍVEL: FALHAS EM SISTEMAS DE SEGURANÇA DE CAMINHÕES ACENDEM ALERTA NO SETOR

Sistemas de segurança instalados em caminhões têm se tornado alvo de atenção crescente no setor de transporte após o aumento de relatos envolvendo falhas técnicas que podem contribuir para acidentes graves nas estradas. O tema reacende o debate sobre manutenção preventiva, calibração eletrônica e a necessidade de acompanhamento técnico especializado nos veículos de carga.

Com a evolução tecnológica da frota brasileira, caminhões modernos passaram a incorporar diversos recursos eletrônicos de segurança, como sistemas de frenagem automática, controle de estabilidade, sensores de proximidade, assistentes de frenagem e monitoramento eletrônico embarcado. Apesar dos avanços, especialistas alertam que falhas nesses equipamentos podem comprometer diretamente a segurança operacional.

O problema, segundo análises do setor, está principalmente na falsa percepção de que a presença de tecnologia reduz a necessidade de acompanhamento mecânico constante. Na prática, esses sistemas dependem de manutenção periódica, atualizações e calibração correta para funcionarem adequadamente.

Quando apresentam defeitos, sensores e assistentes eletrônicos podem gerar respostas inadequadas, falhas de frenagem, alertas incorretos ao motorista ou até atuação indevida durante a condução, aumentando significativamente o risco de acidentes.

Além disso, a crescente complexidade eletrônica da nova geração de caminhões exige mão de obra mais especializada para diagnóstico e manutenção. Oficinas sem equipamentos adequados ou profissionais não capacitados podem deixar de identificar problemas críticos, permitindo que falhas permaneçam ocultas até causarem consequências mais graves.

Outro ponto de atenção está na manutenção preventiva negligenciada por parte de algumas operações, especialmente em frotas que priorizam disponibilidade operacional e acabam postergando revisões técnicas para reduzir paradas. Essa prática, embora comum, pode elevar o risco operacional e ampliar custos futuros com reparos emergenciais e sinistros.

Especialistas reforçam que a tecnologia embarcada não substitui a atenção humana nem elimina a necessidade de inspeções constantes. Pelo contrário: quanto mais tecnológico o veículo, maior tende a ser a necessidade de acompanhamento técnico estruturado.

Nesse cenário, o setor de transporte vem sendo orientado a reforçar programas de manutenção preventiva, capacitação de equipes técnicas e treinamento de motoristas para identificação precoce de falhas e alertas emitidos pelos sistemas eletrônicos.

A discussão também ganha relevância diante da renovação gradual da frota nacional, com caminhões cada vez mais equipados com recursos avançados de assistência à condução e segurança ativa, tendência que deve continuar se intensificando nos próximos anos.

Para transportadoras e operadores logísticos, o consenso é de que tecnologia só gera ganho real quando acompanhada de gestão eficiente, manutenção adequada e operação consciente. Sem isso, sistemas criados para proteger podem acabar se tornando um risco invisível dentro da própria operação.

INICIA HOJE A 30ª EDIÇÃO DA INTERMODAL SOUTH AMERICA EM SÃO PAULO

Tem início nesta terça-feira (14) a 30ª edição da Intermodal South America, um dos principais eventos de logística, transporte de cargas e comércio exterior da América Latina. A feira será realizada entre os dias 14 e 16 de abril, no Distrito Anhembi, em São Paulo, reunindo 700 marcas nacionais e internacionais em sua edição histórica de 30 anos.

Em um momento de transformação acelerada no setor logístico, impulsionada pelo avanço tecnológico, mudanças regulatórias e pressão por redução de custos operacionais, a edição de 2026 destaca soluções inovadoras voltadas à eficiência, automação e segurança das operações.

Entre as principais tecnologias apresentadas estão plataformas de inteligência artificial aplicadas à previsão climática para operações portuárias, sistemas de gestão logística em tempo real, ferramentas automatizadas para centros de distribuição e frotas, além de robôs autônomos, sensores vestíveis para segurança operacional e sistemas de classificação fiscal automatizada.

A busca por eficiência operacional e redução de custos também se reflete em tecnologias de eletrificação de equipamentos, gestão de risco, leitura inteligente de cargas e simuladores imersivos, reforçando o avanço da digitalização em toda a cadeia logística.

Cenário econômico e regulatório pautam debates
Os desafios atuais enfrentados pelo setor também estarão no centro das discussões durante a programação do evento. Temas como a alta do petróleo, tensões geopolíticas, mudanças nas rotas globais de transporte e impactos da reforma tributária brasileira serão debatidos ao longo do Interlog Summit, congresso oficial da Intermodal. O evento contará com mais de 100 palestrantes, 91 horas de conteúdo e cinco trilhas temáticas voltadas ao setor logístico.

Tecnologia, networking e atualização profissional
Além da exposição de novas tecnologias, a feira proporciona oportunidades de networking, geração de negócios e atualização profissional para empresários, executivos, operadores logísticos e demais profissionais da cadeia de suprimentos.

Mais do que uma feira de exposição, a Intermodal South America consolida-se como um espaço estratégico para discussão de tendências, riscos e soluções que impactam diretamente a competitividade logística das empresas e do país.

Para conferir a programação completa, lista de expositores, palestras e demais atrações do evento, os interessados podem acessar o site oficial: https://www.intermodal.com.br/.

A programação do evento inclui atrações como a Arena Intermodal, espaço gratuito de conteúdo, além de áreas dedicadas a inovação e tecnologia.

CNT DEFENDE AVANÇO GRADUAL DO BIODIESEL E COBRA MELHORIAS ESTRUTURAIS PARA GARANTIR QUALIDADE DO COMBUSTÍVEL

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) defendeu uma implementação gradual e tecnicamente criteriosa no aumento do teor de biodiesel no diesel brasileiro durante debate realizado no evento Conexão Rodovias, promovido pela Fecombustíveis nesta semana, em Brasília. A entidade destacou a necessidade de cautela na ampliação da mistura e reforçou que o processo deve ocorrer com melhorias estruturais prévias para garantir a qualidade do combustível entregue ao mercado.

Representando a CNT no painel “Biodiesel: dores, desafios e possíveis soluções”, a gerente executiva ambiental da entidade, Erica Marcos, afirmou que o avanço da mistura deve ser conduzido com responsabilidade técnica e previsibilidade, evitando impactos negativos sobre toda a cadeia do transporte rodoviário.

Segundo a executiva, o crescimento do teor de biodiesel precisa ocorrer de forma gradual e respaldado por critérios técnicos sólidos, garantindo que o combustível mantenha estabilidade e desempenho até chegar ao consumidor final, especialmente os transportadores, diretamente afetados pela qualidade do insumo.

“É essencial que o avanço do teor de biodiesel ocorra de forma paulatina, com base técnica e previsibilidade, evitando externalidades negativas para todos os elos da cadeia e assegurando que o combustível chegue com qualidade ao transportador”, destacou Erica durante o debate.

A entidade reforçou ainda que a ampliação da mistura precisa estar alinhada ao equilíbrio entre as metas de descarbonização e a segurança operacional do transporte rodoviário, evitando que a busca por combustíveis mais sustentáveis gere impactos técnicos ou econômicos negativos ao setor.

Entre as medidas defendidas pela CNT está a implementação de melhorias estruturais na cadeia de distribuição, como a ampliação do número de refinarias e o encurtamento das rotas logísticas, considerando que o biodiesel possui propriedades físico-químicas mais sensíveis que o diesel tradicional.

Outra proposta mencionada foi a possibilidade de transferir o processo de mistura do biodiesel para refinarias, em vez de mantê-lo apenas nas distribuidoras, como forma de ampliar o controle de qualidade e reduzir riscos de degradação do combustível ao longo da cadeia logística.

A CNT também destacou que qualquer avanço no percentual de biodiesel deve passar obrigatoriamente por validações técnicas e testes práticos, conforme previsto na Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024), que estabelece diretrizes para ampliação do uso de fontes renováveis na matriz energética nacional.

O tema foi um dos principais destaques do Conexão Rodovias, evento voltado à discussão de desafios operacionais enfrentados no transporte rodoviário brasileiro e que reuniu empresários, lideranças setoriais e representantes de entidades ligadas ao segmento de combustíveis e infraestrutura.

Além do biodiesel, a CNT ressaltou que acompanha tecnicamente outras alternativas de combustíveis de baixo carbono para o setor. Entre elas está o diesel verde, apontado pela entidade como uma solução promissora por apresentar estrutura química semelhante à do diesel mineral, permitindo seu uso em caminhões e ônibus sem necessidade de adaptações mecânicas.

Segundo estudo técnico divulgado pela própria confederação, o diesel verde pode contribuir para ganhos de eficiência na combustão e redução na emissão de poluentes, especialmente material particulado, ajudando na descarbonização do transporte rodoviário.

Apesar disso, a CNT alerta que ainda existem desafios importantes para a expansão desse mercado, como custos de produção elevados e necessidade de avanços regulatórios que permitam maior competitividade e escala produtiva no Brasil.

Com isso, a entidade reforça que a transição energética do transporte rodoviário precisa ocorrer com planejamento, segurança operacional e previsibilidade econômica, garantindo que novas soluções sustentáveis sejam implementadas sem comprometer a eficiência e a competitividade do setor logístico brasileiro.

EVENTO “DIÁLOGO COM DONOS DE CARGAS” DEBATE CENÁRIO DAS RODOVIAS FEDERAIS NA BAHIA NO PRÓXIMO DIA 24

No próximo dia 24 de abril de 2026, será realizado o evento “Diálogo com Donos de Cargas”, encontro voltado à discussão de temas estratégicos para a logística e o transporte rodoviário no estado da Bahia.

Nesta edição, o debate terá como tema “Principais Rodovias Federais na Bahia: Situação Atual e Futuro”, trazendo uma análise sobre o cenário atual da infraestrutura rodoviária baiana, os desafios enfrentados pelo setor e as perspectivas de investimentos e melhorias para os próximos anos.

A programação contará com a participação de Viviane Esse, secretária nacional de Transporte Rodoviário, que apresentará informações e perspectivas sobre o desenvolvimento das principais rodovias federais que impactam diretamente o escoamento de cargas e a mobilidade logística no estado.

O encontro acontecerá às 09h30, no Auditório do COFIC, localizado na Rodovia BA-512, Km 1,5 – Fazenda Olhos D’Água, em Camaçari/BA.

Os interessados podem realizar inscrição por meio do link:
https://forms.office.com/r/FB5UQw2E1R

A participação no evento é exclusiva para associados da USUPORT, COFIC, PROCIA, SINDAEB e SETCEB.

BYD TRAZ AO BRASIL PRIMEIRA EMPILHADEIRA RETRÁTIL COM BATERIA BLADE E AMPLIA APOSTA NA ELETRIFICAÇÃO LOGÍSTICA

A BYD anunciou a chegada ao mercado brasileiro da primeira empilhadeira retrátil equipada com a bateria Blade, tecnologia proprietária da fabricante já utilizada em veículos eletrificados da marca. A novidade será apresentada oficialmente durante a Intermodal South America 2026 e marca a expansão da tecnologia para o setor logístico, reforçando a estratégia da companhia de ampliar sua atuação em diferentes frentes da mobilidade elétrica.

Segundo a empresa, o novo equipamento permite carregamento completo em aproximadamente uma hora, aumentando significativamente a disponibilidade operacional e reduzindo o tempo de parada durante as operações. Com isso, a fabricante estima redução de até 25% no custo total de operação (TCO), tornando a solução mais competitiva para centros de distribuição e operações de armazenagem.

Além da economia operacional, a nova empilhadeira promete elevar a previsibilidade operacional em até 20% e gerar ganhos de produtividade entre 15% e 25%. O desempenho é atribuído principalmente à eliminação da necessidade de trocas de bateria, à redução de mão de obra indireta e à menor demanda por infraestrutura de suporte.

Outro destaque apontado pela BYD é a eficiência energética do equipamento, que pode consumir até 30% menos energia em comparação com sistemas convencionais de chumbo-ácido, além de operar com zero emissão local de gases, alinhando produtividade e sustentabilidade.

A bateria Blade, desenvolvida com tecnologia de fosfato de ferro-lítio (LFP), é considerada um dos principais diferenciais tecnológicos da companhia e ganhou notoriedade global pelos altos padrões de segurança, durabilidade e estabilidade térmica. A solução já é aplicada em automóveis, ônibus elétricos e também nos trens da Linha 17-Ouro do Metrô de São Paulo.

Com a chegada da tecnologia ao segmento de movimentação de cargas, a empresa reforça sua proposta de unificar diferentes soluções de transporte e logística dentro de uma mesma plataforma tecnológica.

“Na BYD, a inovação só faz sentido quando ganha escala e aplicação real. A bateria Blade é um exemplo claro disso. Ela nasceu como uma tecnologia disruptiva, provou sua eficiência e segurança nos nossos carros, avançou para ônibus e trens, e agora chega à logística mostrando a força de uma plataforma tecnológica capaz de transformar diferentes setores”, afirmou Marcello Schneider, diretor de Veículos Comerciais e Solar da BYD no Brasil.

A fabricante também destacou que a eletrificação da logística vem avançando à medida que o mercado percebe benefícios que vão além da sustentabilidade ambiental, incluindo ganhos de eficiência, produtividade, previsibilidade operacional e otimização de recursos.

Atualmente, a BYD oferece no Brasil um portfólio completo de soluções elétricas voltadas ao setor logístico. Entre elas está o caminhão elétrico eT5, com autonomia de até 185 quilômetros e capacidade de carga de até 3,9 toneladas. A empresa também disponibiliza empilhadeiras contrabalançadas EL25, com capacidades entre 1,6 e 8 toneladas, além dos rebocadores elétricos T50, desenvolvidos para operações de médias e longas distâncias.

Segundo Schneider, a estratégia da companhia é demonstrar ao mercado que sua tecnologia não está limitada a apenas um segmento, mas pode conectar mobilidade, logística e transporte de cargas em uma visão integrada de transformação operacional.

Com isso, a BYD amplia sua presença no mercado logístico brasileiro e fortalece sua aposta na eletrificação como tendência crescente para aumento de eficiência e redução de custos nas operações de transporte e armazenagem.