por Setceb | jun 29, 2026 | Uncategorized
O governo federal definiu as regras para operacionalizar o subsídio ao diesel rodoviário criado como resposta à recente alta das cotações internacionais do petróleo. A regulamentação, publicada por meio do Decreto nº 12.995, estabelece os procedimentos para o pagamento de uma subvenção econômica de R$ 1,12 por litro de combustível até 31 de dezembro de 2026.
A medida complementa a Medida Provisória nº 1.363/2026 e tem como objetivo minimizar os impactos do aumento dos custos de abastecimento sobre a economia, especialmente em um país onde o transporte rodoviário concentra a maior parte da movimentação de cargas.
Pelas regras definidas pelo governo, poderão participar do programa produtores e importadores de diesel autorizados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Para receber os recursos, as empresas deverão comprovar que o benefício foi repassado ao longo da cadeia de comercialização, permitindo que a redução de preço alcance efetivamente os consumidores.
O desconto concedido deverá constar na Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), e as informações das operações serão encaminhadas à ANP quinzenalmente durante o período de vigência do programa. Com base nesses dados, a agência fará a validação das informações antes da liberação dos pagamentos.
A regulamentação ocorre em um momento de instabilidade no mercado internacional de energia. Nas últimas semanas, a valorização do petróleo voltou a pressionar o preço dos combustíveis, reacendendo a preocupação de transportadores com uma possível elevação dos custos operacionais.
No transporte rodoviário de cargas, o diesel representa um dos principais componentes da estrutura de custos. Levantamentos da Confederação Nacional do Transporte (CNT) indicam que o combustível corresponde, em média, a cerca de 35% das despesas operacionais das transportadoras. Como o modal responde pela maior parte da circulação de mercadorias no país, qualquer variação no preço do diesel tende a influenciar diretamente os valores dos fretes e os custos logísticos.
Os efeitos da redução do combustível já começaram a aparecer nos indicadores do setor. Dados do Índice de Frete Edenred Repom (IFR) mostram que, em maio, o valor médio do frete por quilômetro rodado apresentou queda de 0,81%, enquanto o preço médio do diesel S-10 recuou 3,81% no mesmo período. A expectativa é que o novo subsídio contribua para reduzir parte da pressão sobre os custos do transporte enquanto persistirem as oscilações do mercado internacional.
Para Antônio José Costa, assessor de assuntos econômicos do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Ceará (Sindipostos-CE), o sucesso da iniciativa dependerá da efetividade do repasse ao longo da cadeia de distribuição.
“A criação do subsídio pode amenizar os efeitos da alta do petróleo, mas será fundamental garantir que esse desconto chegue efetivamente ao consumidor final e aos segmentos que dependem diretamente do diesel, como o transporte rodoviário de cargas”, avalia.
O decreto também estabelece mecanismos de fiscalização. Os pagamentos às empresas participantes deverão ocorrer em até 30 dias após a validação das informações pela ANP. Caso sejam identificadas inconsistências ou irregularidades, os beneficiários poderão ser obrigados a devolver os recursos recebidos. Além disso, será necessário manter a documentação fiscal arquivada por cinco anos e comprovar a regularidade perante os órgãos fiscais e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Embora a medida represente um alívio temporário para transportadores e demais consumidores de diesel, especialistas observam que o setor continua vulnerável às oscilações do mercado internacional. A elevada dependência do modal rodoviário e do combustível fóssil segue como um dos principais desafios estruturais da logística brasileira, reforçando a necessidade de investimentos em eficiência operacional, diversificação da matriz de transportes e ampliação do uso de fontes alternativas de energia.
por Setceb | jun 29, 2026 | Uncategorized
A chegada do inverno costuma aliviar as preocupações relacionadas ao calor intenso, mas, para a logística de produtos refrigerados, as baixas temperaturas também exigem atenção. Em operações que transportam medicamentos, vacinas, alimentos perecíveis e outros itens sensíveis, o frio excessivo pode ser tão prejudicial quanto o superaquecimento, tornando o controle térmico um dos principais fatores para garantir a qualidade da carga.
Esse cenário ocorre em um momento de expansão da cadeia fria no Brasil. Estimativas do IMARC Group indicam que o mercado nacional de logística refrigerada movimentou cerca de US$ 5,4 bilhões em 2025 e pode ultrapassar US$ 11 bilhões até 2034, impulsionado pelo crescimento da indústria farmacêutica, da demanda por alimentos perecíveis e pela necessidade de maior controle durante o transporte.
Embora seja comum associar caminhões refrigerados apenas ao resfriamento da carga, especialistas destacam que, durante o inverno, muitos equipamentos precisam desempenhar a função oposta. Em determinadas regiões e horários do dia, a temperatura externa pode cair abaixo do limite recomendado para diversos produtos, tornando necessário aquecer o compartimento de carga para preservar suas características.
Esse cuidado é especialmente importante no transporte farmacêutico. Medicamentos, vacinas e produtos biológicos costumam exigir temperatura constante entre 2°C e 8°C durante todo o percurso. Oscilações fora dessa faixa podem comprometer a eficácia dos produtos e provocar perdas significativas.
Segundo Vinilton Souza, líder de serviços e do centro de treinamento para a América Latina da Thermo King, o desafio da operação está justamente em manter a estabilidade térmica, independentemente das condições climáticas.
“Existe a percepção de que o inverno facilita o transporte refrigerado, mas isso nem sempre acontece. Em muitos casos, o equipamento precisa aquecer a carga para evitar que a temperatura fique abaixo do limite especificado, preservando a integridade dos produtos durante toda a viagem”, explica.
Além da capacidade de aquecimento, outro fator decisivo é a preparação da frota antes do período de temperaturas mais baixas. Revisões preventivas ajudam a verificar o funcionamento dos sistemas de refrigeração e aquecimento, além de identificar falhas que poderiam comprometer a operação durante o transporte.
Especialistas também alertam para erros operacionais que podem afetar o desempenho da cadeia fria. Configurações inadequadas dos equipamentos ou a utilização de modos de operação incompatíveis com o tipo de carga podem provocar oscilações térmicas ao longo do trajeto. Em determinadas operações, por exemplo, o funcionamento contínuo do sistema de climatização é a alternativa mais indicada para manter a temperatura estável.
A digitalização também vem ampliando a segurança das operações. Sistemas de monitoramento remoto permitem acompanhar, em tempo real, indicadores como temperatura interna do baú, desempenho dos equipamentos e consumo de combustível, além de emitir alertas sempre que houver desvios dos parâmetros programados. Isso possibilita intervenções rápidas antes que a qualidade da carga seja comprometida.
Com a expansão da cadeia fria e o aumento das exigências sanitárias e regulatórias, o controle da temperatura deixa de ser apenas uma etapa operacional e passa a integrar a estratégia logística das empresas. Independentemente da estação do ano, manter a estabilidade térmica durante todo o percurso tornou-se um requisito essencial para reduzir perdas, preservar a qualidade dos produtos e garantir a confiabilidade das operações.
por Setceb | jun 26, 2026 | Uncategorized
Os primeiros dias da Operação Festejos Juninos 2026 apresentaram resultados positivos para a segurança viária nas rodovias federais da Bahia. Dados divulgados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) apontam redução no número de mortes registradas durante o período de maior deslocamento para as comemorações de São João.
Entre os dias 19 e 21 de junho, foram contabilizadas cinco vítimas fatais nas rodovias federais baianas. No mesmo período do ano passado, o número chegou a oito mortes, o que representa uma redução de 37,5%.
Segundo a PRF, o resultado está relacionado ao reforço das ações de fiscalização e ao aumento do efetivo empregado na operação deste ano. Além da presença ampliada de equipes nas estradas, a corporação intensificou o combate a infrações consideradas fatores de risco para acidentes graves, como excesso de velocidade, direção sob efeito de álcool e irregularidades no transporte de cargas.
O período junino é tradicionalmente um dos mais movimentados nas rodovias do Nordeste, especialmente na Bahia, devido ao grande fluxo de pessoas que se deslocam para cidades do interior. Com o aumento da circulação de veículos, as autoridades reforçam o monitoramento dos principais corredores rodoviários para reduzir ocorrências e garantir maior segurança aos usuários.
Paralelamente às ações de fiscalização, a operação também inclui atividades de orientação aos motoristas. As equipes têm reforçado mensagens sobre direção defensiva, respeito aos limites de velocidade, utilização correta dos dispositivos de segurança e cuidados durante ultrapassagens.
Especialistas em segurança viária destacam que a combinação entre fiscalização, conscientização e comportamento responsável dos condutores é fundamental para reduzir acidentes e preservar vidas, especialmente em períodos de grande movimentação nas estradas.
A expectativa é que o balanço consolidado da Operação Festejos Juninos apresente um panorama completo da movimentação e dos índices de segurança registrados ao longo de todo o feriado. Até lá, a recomendação permanece a mesma: planejamento da viagem, atenção às condições da rodovia e respeito às normas de trânsito continuam sendo os principais aliados para uma viagem segura.
por Setceb | jun 26, 2026 | Uncategorized
As rodovias continuam sendo o principal eixo de movimentação de cargas no Brasil, confirmando a forte dependência do país em relação ao transporte terrestre para abastecimento interno, exportações e distribuição de mercadorias. Os dados mais recentes divulgados pela Infra S.A. mostram que o modal rodoviário mantém ampla liderança na matriz logística nacional, refletindo tanto sua capilaridade quanto a ausência de alternativas suficientemente estruturadas em diversas regiões.
O levantamento revela que grande parte das cargas brasileiras segue percorrendo as estradas para conectar polos produtivos aos centros consumidores e aos portos de exportação. A predominância do modal rodoviário ajuda a explicar por que temas como qualidade da infraestrutura, custo dos combustíveis, segurança viária e disponibilidade de motoristas continuam ocupando posição central nas discussões do setor.
Os números também evidenciam como a logística acompanha as características econômicas de cada região do país. A produção agrícola do Centro-Oeste, por exemplo, depende de extensos corredores rodoviários para alcançar terminais portuários no Norte, Sul e Sudeste. Já os produtos industrializados e as cargas conteinerizadas seguem concentrados em rotas que conectam os principais centros econômicos aos portos de exportação.
Embora a liderança das rodovias seja incontestável, especialistas apontam que o cenário traz desafios importantes. Um deles é o elevado consumo de diesel, consequência direta da predominância do transporte rodoviário na movimentação de mercadorias. A busca por maior eficiência energética e pela redução das emissões de gases de efeito estufa tem impulsionado debates sobre combustíveis alternativos, renovação de frota e novas tecnologias para o setor.
Outro ponto de atenção está relacionado à idade média dos veículos em circulação. Grande parte da frota nacional ainda opera com caminhões antigos, especialmente entre transportadores autônomos. Essa realidade impacta custos operacionais, segurança, produtividade e desempenho ambiental, tornando a renovação da frota uma das principais demandas do segmento.
A segurança nas estradas também permanece entre os grandes desafios. Acidentes, roubos de cargas e interrupções logísticas geram prejuízos significativos para empresas e aumentam os custos do transporte em todo o país. Por isso, investimentos em infraestrutura, tecnologia embarcada e gestão de risco seguem sendo considerados fundamentais para aumentar a competitividade do setor.
Apesar dessas dificuldades, o transporte rodoviário continua demonstrando sua relevância para a economia brasileira. Além de sustentar a circulação de mercadorias em praticamente todos os estados, o setor mantém forte capacidade de geração de empregos e permanece como um dos principais motores da atividade logística nacional.
O panorama divulgado pela Infra S.A. reforça uma conclusão já conhecida pelos profissionais do setor: as rodovias continuarão ocupando posição estratégica na logística brasileira nos próximos anos. Ao mesmo tempo, os dados mostram que a modernização da infraestrutura, a renovação da frota, a melhoria da segurança e os avanços em sustentabilidade serão determinantes para garantir a eficiência e a competitividade do transporte de cargas no futuro.
por Setceb | jun 26, 2026 | Uncategorized
A transformação digital avança também na fiscalização do transporte rodoviário de cargas. A partir de julho, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) passará a monitorar de forma automática a regularidade dos seguros obrigatórios das transportadoras, utilizando sistemas integrados para cruzamento de informações em tempo real.
A mudança marca o fim de um modelo baseado principalmente na conferência documental e inaugura uma nova etapa de acompanhamento eletrônico das operações. Com a integração entre bases de dados do setor segurador e o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC), a situação cadastral das empresas poderá ser verificada continuamente pelos sistemas da Agência.
Na prática, isso significa que falhas relacionadas à manutenção das apólices, divergências de cadastro ou inconsistências nas informações enviadas poderão ser identificadas de forma praticamente imediata. Para as transportadoras, o desafio passa a ser manter um controle mais rigoroso sobre a documentação e os contratos de seguro que dão suporte às operações.
A exigência está ligada às mudanças promovidas pela Lei nº 14.599/2023, que redefiniu as responsabilidades relacionadas à proteção das cargas transportadas. Entre as coberturas exigidas estão aquelas destinadas a acidentes durante o percurso, desaparecimento de cargas em casos de roubo ou furto qualificado e danos causados a terceiros durante a operação dos veículos.
Especialistas do setor avaliam que a iniciativa tende a aumentar a segurança jurídica das operações e a uniformizar o cumprimento das exigências regulatórias. Ao mesmo tempo, alertam que a automatização reduz as margens para falhas administrativas que antes poderiam passar despercebidas por períodos mais longos.
O novo modelo também reforça uma tendência observada em diferentes áreas da logística: a utilização crescente de plataformas digitais para controle, fiscalização e compartilhamento de informações. Nos últimos anos, ferramentas como o CIOT eletrônico, documentos fiscais digitais e sistemas integrados de gestão passaram a desempenhar papel cada vez mais relevante na rotina das transportadoras.
Nesse cenário, a gestão de seguros deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a integrar as estratégias de conformidade operacional das empresas. A expectativa é que a fiscalização automatizada contribua para ampliar a transparência do mercado e reduzir a atuação de operadores que não atendam às exigências legais.
Para o setor, o movimento sinaliza uma nova fase de modernização regulatória, em que a tecnologia passa a desempenhar papel central tanto na operação quanto no monitoramento das atividades de transporte.