LEVANTAMENTO NACIONAL APONTA ALTA DE ACIDENTES GRAVES COM CAMINHÕES E COLOCA MANUTENÇÃO DE FROTAS SOB ALERTA

LEVANTAMENTO NACIONAL APONTA ALTA DE ACIDENTES GRAVES COM CAMINHÕES E COLOCA MANUTENÇÃO DE FROTAS SOB ALERTA

Um levantamento nacional com base em dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) reacendeu nesta quarta-feira o debate sobre o estado de conservação das frotas de caminhões em circulação no país, ao mostrar que os acidentes envolvendo veículos de carga cresceram em número e em gravidade no último ano completo de estatísticas disponíveis.

Os dados foram divulgados em reportagem que cruza estatísticas oficiais da PRF referentes a 2024 com a avaliação da Federação Nacional da Inspeção Veicular (Fenive), entidade que representa empresas credenciadas para realizar vistorias técnicas em veículos. O objetivo da matéria é chamar atenção para a relação entre a falta de manutenção preventiva e o aumento da gravidade dos sinistros nas rodovias federais.

Segundo o levantamento, as rodovias federais brasileiras registraram 73.156 sinistros em 2024, resultando em 6.160 mortes e 84.526 feridos. O número consolida o tamanho do desafio de segurança viária enfrentado pelo país em sua malha rodoviária federal, por onde circula a maior parte da carga transportada no Brasil.

Entre os veículos de carga, o quadro é ainda mais preocupante: foram 1.703 sinistros graves envolvendo caminhões, alta de 6,37% em relação ao ano anterior. As mortes em acidentes com veículos de carga somaram 566 casos, crescimento de 11,2% na mesma comparação, ritmo superior ao aumento observado no total geral de sinistros.

Para a Fenive, um dos fatores que ajudam a explicar esse cenário é a ausência de um programa efetivo de inspeção técnica veicular obrigatória em nível nacional. O diretor executivo da entidade, Daniel Bassoli, afirmou que "precisamos olhar também para o veículo que está na estrada", defendendo a implementação plena da inspeção técnica veicular já prevista no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) como ferramenta de prevenção.

A reportagem lista como principais fatores de risco associados aos acidentes com caminhões problemas em freios, pneus, suspensão e sistema de direção, além de fatores comportamentais como excesso de velocidade, jornada de trabalho inadequada dos motoristas e consumo de álcool ao volante.

Apesar de estar prevista no CTB desde 1997, a inspeção técnica veicular obrigatória nunca foi implementada de forma efetiva e unificada em todo o território nacional, ficando a critério de iniciativas pontuais de alguns estados e municípios. A ausência de um programa nacional consolidado é apontada por especialistas do setor como uma lacuna regulatória relevante diante do crescimento da frota e da idade média elevada de parte dos veículos de carga em circulação no país.

Para as transportadoras de cargas do país, incluindo as associadas ao SETCEB na Bahia, o levantamento reforça a importância de programas internos de manutenção preventiva, já que a ausência de uma exigência nacional obrigatória transfere às próprias empresas a responsabilidade por manter frotas em condições seguras de rodagem. Além do risco à vida de motoristas e de terceiros, acidentes graves geram custos elevados com indenizações, perda de carga, imobilização de veículos e aumento de prêmios de seguro, o que reforça o argumento em favor de rotinas rigorosas de checagem de freios, pneus e suspensão antes de cada viagem.

Fonte: Transporte Moderno

BOLETIM FOCUS MANTÉM SELIC EM 13,75% E DÓLAR EM R$ 5,20 PARA 2026, CENÁRIO QUE PESA NO CUSTO DE CRÉDITO PARA RENOVAÇÃO DE FROTAS

BOLETIM FOCUS MANTÉM SELIC EM 13,75% E DÓLAR EM R$ 5,20 PARA 2026, CENÁRIO QUE PESA NO CUSTO DE CRÉDITO PARA RENOVAÇÃO DE FROTAS

O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira, 17 de agosto, manteve estáveis as projeções do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos de 2026: a taxa Selic seguiu projetada em 13,75% ao ano, o IPCA em 5,02%, o PIB em 1,98% e o dólar em R$ 5,20.

O levantamento é feito semanalmente pelo Banco Central com base em consulta a dezenas de instituições financeiras, gestoras e consultorias, e serve de referência oficial para o mercado, para o governo e para o próprio Comitê de Política Monetária (Copom) na definição dos próximos passos da política de juros.

Para 2026, a estabilidade nas projeções chama atenção especialmente na cotação do dólar, que permanece parada em R$ 5,20 havia nove semanas consecutivas, segundo o boletim, indicando baixa expectativa de sobressaltos cambiais adicionais no curto prazo.

Já para 2027, houve pequenos ajustes: a projeção de IPCA subiu de 4,22% para 4,24%, a de PIB recuou de 1,52% para 1,50% e a do dólar avançou de R$ 5,28 para R$ 5,29. A Selic para o próximo ano segue estimada em 12% ao ano, patamar ainda considerado restritivo pelos analistas.

O boletim destaca que a inflação oficial acumulada em 12 meses estava em 4,44%, dentro do intervalo da meta contínua perseguida pelo Banco Central, de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ainda assim, a mediana das projeções para o fechamento de 2026 permanece 0,52 ponto percentual acima do centro da meta, de 4,50%, o que reforça a leitura de que o processo de convergência da inflação segue incompleto.

A manutenção da Selic em patamar elevado por período prolongado tem efeito direto sobre o custo do crédito disponível para o setor de transporte rodoviário de cargas, que depende fortemente de financiamento para renovação de frota, aquisição de implementos e capital de giro. Juros de dois dígitos elevam o custo das parcelas de veículos financiados e podem postergar decisões de investimento em caminhões novos, especialmente entre transportadoras de pequeno e médio porte.

A estabilidade do dólar projetado em torno de R$ 5,20 a R$ 5,29 até 2027, por sua vez, traz alguma previsibilidade para o planejamento de custos com peças, pneus e combustíveis atrelados à paridade internacional, itens que compõem parcela relevante da planilha de custos operacionais das transportadoras baianas e de todo o país.

Fonte: Banco Central do Brasil

DECISÃO DO STF SOBRE TEMPO DE ESPERA MUDA PAPEL DO RASTREAMENTO DE FROTAS EM PROCESSOS TRABALHISTAS

DECISÃO DO STF SOBRE TEMPO DE ESPERA MUDA PAPEL DO RASTREAMENTO DE FROTAS EM PROCESSOS TRABALHISTAS

Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou a integração do chamado tempo de espera à jornada de trabalho dos motoristas profissionais está reconfigurando o uso de sistemas de rastreamento de frota como prova em processos trabalhistas no setor de transporte.

A análise foi divulgada em artigo assinado por Maurício Pepe De Lion, sócio da área trabalhista do escritório Dias Carneiro Advogados, publicado no portal Mundo Logística, que detalha os efeitos práticos da decisão para as transportadoras.

Segundo o autor, o tempo de espera corresponde ao período em que o motorista permanece à disposição da empresa durante operações de carga, descarga ou fiscalização, mesmo sem estar efetivamente dirigindo o veículo. Pela interpretação do STF, se o motorista está impedido de dispor livremente do seu tempo, esse período integra a jornada para todos os efeitos legais.

O artigo lembra que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) já havia consolidado entendimento anterior de que relatórios de rastreamento via satélite e sistemas eletrônicos instalados nos veículos são prova idônea para o controle da jornada dos motoristas.

Na prática, essa combinação de entendimentos transfere o ônus da prova para as próprias empresas: transportadoras que não possuem sistemas de rastreamento confiáveis e bem documentados ficam em desvantagem em eventuais disputas judiciais envolvendo horas extras e tempo de espera não remunerado.

O texto chama atenção para outro ponto sensível: os dados de geolocalização coletados pelos sistemas de rastreamento são considerados dados pessoais sob a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). O uso dessas informações continua permitido, mas passa a exigir finalidade declarada e transparência ao motorista sobre o que é coletado e por quê.

Diante desse cenário, o advogado recomenda que as transportadoras conduzam auditorias internas, incluindo a atualização dos sistemas de gestão de transporte (TMS) e de controle de ponto para registrar separadamente o tempo de espera, a formalização de políticas internas sobre tratamento de dados, a documentação das bases legais utilizadas conforme a LGPD e a realização periódica de auditorias cruzando os dados de telemetria com a folha de pagamento.

A decisão amplia a relevância estratégica da tecnologia de rastreamento, que deixa de ser apenas uma ferramenta de gestão operacional para se tornar também um instrumento de defesa jurídica das empresas. Transportadoras baianas que ainda não integraram seus sistemas de telemetria ao controle de ponto ficam mais expostas a passivos trabalhistas relacionados ao tempo de espera em filas de carga e descarga, situação recorrente em polos logísticos do estado como o Porto de Salvador, terminais graneleiros do oeste baiano e centros de distribuição da Região Metropolitana de Salvador.

Fonte: Mundo Logística

DNIT CONTRATA EMPRESA POR R$ 81,5 MILHÕES PARA RETOMAR OPERAÇÃO DE TRÁFEGO NAS BR-116 E BR-324 NA BAHIA

DNIT CONTRATA EMPRESA POR R$ 81,5 MILHÕES PARA RETOMAR OPERAÇÃO DE TRÁFEGO NAS BR-116 E BR-324 NA BAHIA

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) contratou a empresa Jardiplan Urbanização e Paisagismo Ltda. para retomar a operação de tráfego em 676 quilômetros das rodovias BR-116 e BR-324 na Bahia, em um contrato no valor de R$ 81,5 milhões. O trecho abrange a BR-116 entre Feira de Santana e a divisa com Minas Gerais, além da BR-324 entre Salvador e Feira de Santana, dois dos principais corredores de escoamento de cargas do estado.

A contratação foi divulgada pelo Bahia Notícias e confirmada pelo próprio DNIT, tendo sido formalizada por meio de pregão eletrônico, conforme os ritos da Lei nº 14.133/2021, a nova lei de licitações públicas. O contrato tem vigência de 3 de agosto de 2026 a 3 de novembro de 2027.

Segundo Roberto Alcântara, superintendente do DNIT na Bahia, o novo contrato prevê serviços que estavam ausentes das rodovias desde o fim da operação anterior, entre eles veículos para remoção de animais da pista, câmeras de monitoramento de tráfego, ambulâncias e brigadas de incêndio. Esses serviços de apoio operacional são considerados essenciais para reduzir riscos de acidentes em vias de tráfego intenso de veículos pesados.

O vácuo na operação dessas rodovias remonta ao encerramento do contrato de concessão da ViaBahia, que administrou os trechos por quase 16 anos e deixou de operá-los em maio de 2025, após acordo de saída da concessão homologado pelas autoridades competentes. Desde então, a Bahia ficou sem uma estrutura dedicada de atendimento a ocorrências nessas rodovias, situação que o novo contrato busca reverter enquanto o processo de nova concessão não é concluído.

Entre os pontos críticos que passam a receber atenção está o quilômetro 604 da BR-324, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, onde um afundamento na pista — que já havia gerado reclamações de motoristas e usuários da via — será tratado com a instalação de um novo bueiro e injeções de material cimentício no solo.

O DNIT também confirmou que o leilão para uma nova concessão das BR-116 e BR-324 está previsto para novembro de 2026, o que poderá substituir, no futuro, o atual contrato emergencial de operação assinado com a Jardiplan.

Até lá, a manutenção da operação de tráfego nessas duas rodovias é considerada estratégica para o setor de transporte de cargas baiano, já que os dois corredores concentram parte relevante do fluxo de caminhões que ligam Salvador e o Recôncavo ao interior do estado, a Minas Gerais e ao restante do país. Para as transportadoras associadas ao SETCEB, a retomada de serviços de resgate, monitoramento e atendimento a emergências nessas vias tende a reduzir o tempo de resposta a acidentes e panes, fatores que impactam diretamente prazos de entrega, custos operacionais e a segurança dos motoristas que trafegam diariamente por esses trechos.

Fonte: Bahia Notícias

DÓLAR FECHA EM ALTA DE 0,44% E VAI A R$ 5,22 COM TENSÕES NO ORIENTE MÉDIO E CAUTELA COM O FED

DÓLAR FECHA EM ALTA DE 0,44% E VAI A R$ 5,22 COM TENSÕES NO ORIENTE MÉDIO E CAUTELA COM O FED

O dólar comercial fechou nesta terça-feira, 18 de agosto de 2026, cotado a R$ 5,2229 na venda, com alta de 0,44%. O contrato futuro da moeda para vencimento em setembro, negociado na B3, acompanhou o movimento e subia 0,26%, a R$ 5,2360.

A valorização da moeda americana foi divulgada em meio a um dia de aversão a risco nos mercados internacionais, atribuída pelo mercado a novas tensões no Oriente Médio e à cautela às vésperas da publicação da ata da mais recente reunião de política monetária do Federal Reserve, o banco central americano.

Segundo analistas consultados pela reportagem, o apetite por ativos de risco segue limitado por apreensões relacionadas aos gastos do governo dos Estados Unidos, que enfrenta impasses internos relacionados ao conflito no Oriente Médio. Esse cenário tem sustentado a demanda por dólar como proteção.

No exterior, a moeda americana operou com viés de estabilidade ante os principais pares, com leve alta frente ao iene, cotado a 159,62 unidades por dólar. O euro, por sua vez, recuava a US$ 1,1580, e a libra esterlina caía a US$ 1,3538. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, subiu 0,02%, a 99,657 pontos.

Analistas da corretora suíça Swissquote observam que, desde que os dados de emprego dos Estados Unidos registraram um número negativo na primeira sexta-feira de agosto, o dólar tornou-se mais sensível a indicadores econômicos mais fracos, o que tem reduzido as expectativas de uma postura mais agressiva do Federal Reserve em relação aos juros americanos no restante do ano.

O cenário externo também é pressionado por incertezas sobre a economia japonesa, após dados mostrarem desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) do Japão, além de especulações sobre uma possível mudança de governo no país, fatores que dificultam a valorização do iene mesmo em um contexto de aversão a risco.

A manutenção do dólar em patamar elevado tende a repercutir diretamente sobre os custos operacionais do transporte rodoviário de cargas em todo o país, incluindo as transportadoras baianas, na medida em que pneus, peças, lubrificantes e diversos insumos da manutenção de frotas têm preços atrelados, direta ou indiretamente, à cotação da moeda americana. A oscilação cambial também influencia o custo internacional do petróleo, com reflexos potenciais sobre a formação do preço dos combustíveis no mercado interno.

O mercado financeiro deve manter a atenção voltada para a divulgação da ata do Federal Reserve e para o desdobramento das tensões geopolíticas no Oriente Médio nos próximos dias, fatores que devem continuar ditando o ritmo da cotação do dólar e, por consequência, impactando o planejamento de custos das empresas de logística e transporte de cargas que dependem de insumos e componentes importados.

Fonte: InfoMoney

PNL 2050 GANHA NOVA METODOLOGIA PARA DEFINIÇÃO DE PROJETOS DE INFRAESTRUTURA LOGÍSTICA NO PAÍS

PNL 2050 GANHA NOVA METODOLOGIA PARA DEFINIÇÃO DE PROJETOS DE INFRAESTRUTURA LOGÍSTICA NO PAÍS

Semanas depois de o governo federal apresentar ao setor o Plano Nacional de Logística 2050 (PNL 2050) e seu envelope de investimentos da ordem de R$ 1,225 trilhão, uma avaliação técnica do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) revelou um detalhe pouco discutido até então: o plano também mudou a metodologia usada para definir quais projetos de infraestrutura de transporte entram na fila de investimento no país.

A análise foi divulgada pelo portal Mundo Logística com base no estudo do instituto sobre as diretrizes do novo plano, que reorganiza a lógica de priorização de investimentos em rodovias, ferrovias, hidrovias e demais modais de transporte no Brasil.

Segundo o IEMA, a principal mudança está na inversão do processo de planejamento: os projetos devem ser um resultado do processo de planejamento, e não mais um dado de entrada, como ocorria nas versões anteriores do plano nacional de logística.

Na prática, isso significa que, antes de qualquer obra ser definida, o novo modelo exige a identificação prévia dos problemas e desafios logísticos existentes em cada região, para só então indicar quais intervenções seriam mais adequadas para resolvê-los.

Um dos eixos destacados pelo instituto é o tratamento diferenciado dado à economia da Amazônia, que passa a exigir planejamento customizado voltado aos produtos da sociobiodiversidade, e não apenas infraestrutura pensada para o escoamento de commodities agrícolas e minerais.

Outro ponto central da nova metodologia é a adoção do conceito de corredores logísticos integrados, que passam a unir rodovias, ferrovias, hidrovias, terminais e estruturas de armazenagem em uma mesma análise, considerando os impactos ambientais e sociais cumulativos de todo o conjunto de infraestrutura envolvido, e não apenas de obras isoladas.

A mudança na forma de selecionar projetos deve influenciar diretamente os próximos ciclos de investimento federal em rodovias e corredores logísticos nos estados. Para a Bahia, cujo escoamento de cargas depende de corredores estratégicos como a Ferrovia de Integração Oeste-Leste, a BR-116 e os acessos aos portos de Salvador e Ilhéus, a forma como o governo federal passa a identificar prioridades de infraestrutura pode impactar diretamente a inclusão ou não de obras rodoviárias do estado nos próximos planos plurianuais de investimento em transporte.

Fonte: Mundo Logística