por Setceb | ago 21, 2026 | Uncategorized
O setor de transporte rodoviário de cargas no Brasil vem ampliando programas internos de capacitação para tentar suprir a falta crônica de motoristas carreteiros, problema que levantamento da Secretaria Nacional de Trânsito, a Senatran, atribui à perda de aproximadamente 1,2 milhão de motoristas de caminhão na última década.
A informação foi divulgada por veículos especializados em transporte, que destacaram iniciativas de empresas como a West Cargo, que criou o programa Motorista Trainee Carreteiro para qualificar internamente condutores de veículos menores e prepará-los para a condução de composições de carga pesada.
Pelo programa da West Cargo, a empresa financia a mudança de categoria da CNH, de categoria C para E, e oferece treinamento com acompanhamento de instrutores, cursos especializados e avaliações práticas em parceria com a FABET, a Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte. A companhia também mantém um sistema de bonificação por telemetria que distribui cerca de R$ 180 mil por ano a motoristas com melhor desempenho em condução segura, economia de combustível e produtividade.
Dados de pesquisa do setor de comércio e logística, citados na mesma cobertura, mostram que 79% dos empregadores do segmento relataram dificuldade para encontrar mão de obra qualificada em 2026, percentual próximo aos 80% registrados no mercado brasileiro como um todo. Ainda assim, operadores como Maersk, Rodonaves, Santos Brasil e DHL contrataram mais de 26 mil profissionais em 2025, com 61,1% das empresas pesquisadas aumentando o ritmo de contratação frente a períodos anteriores.
Programas de formação de base também têm ganhado força: a iniciativa Formare, mantida pela Fundação Iochpe em parceria com companhias como Rodonaves, Santos Brasil e Maersk, qualificou 177 jovens em 2025 em seis empresas do setor, com taxa geral de empregabilidade de 89% entre os concluintes. Executivos ouvidos pela reportagem descrevem a formação de motoristas e operadores como uma estratégia de negócio, e não mais apenas uma ação de responsabilidade social, diante da crescente exigência de qualificação trazida pela automação e digitalização das operações logísticas.
O quadro de escassez de mão de obra qualificada tende a pressionar custos operacionais e prazos de entrega em todas as regiões do país, inclusive nos corredores que abastecem e escoam a produção baiana, onde transportadoras associadas ao SETCEB também disputam motoristas experientes num mercado de trabalho cada vez mais apertado. Investir em trilhas de capacitação interna, no modelo adotado por empresas de outros estados, desponta como alternativa para transportadoras da Bahia reterem talentos e reduzirem a dependência de contratações externas num cenário de renovação constante da frota nacional.
Fonte: Frota&Cia, com dados complementares do Blog do Caminhoneiro
por Setceb | ago 21, 2026 | Uncategorized
O superávit da balança comercial brasileira acumulado entre janeiro e a segunda semana de agosto de 2026 chegou a 52,08 bilhões de dólares, alta de 29,2% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado é puxado por exportações do agronegócio, setor cuja logística depende fortemente do transporte rodoviário de cargas até portos e terminais.
Os números foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e repercutidos por veículos especializados em economia e agronegócio nesta semana. A publicação periódica faz parte do acompanhamento semanal oficial do comércio exterior brasileiro.
Somente na segunda semana de agosto, o saldo comercial ficou em 3,05 bilhões de dólares, avanço de 7% na comparação com igual semana do ano passado. As exportações somaram 16,09 bilhões de dólares (alta de 14,3%), enquanto as importações totalizaram 13,05 bilhões de dólares (alta de 16,2%).
No acumulado do ano até meados de agosto, as exportações somam 234,64 bilhões de dólares, crescimento de 10,5%, e as importações chegam a 182,56 bilhões de dólares, alta de 6,1%. O fluxo comercial total do país avançou 8,5%, para 417,20 bilhões de dólares.
Por setor, a agropecuária cresceu 10,4% nas exportações da semana, destacando-se a soja (alta de 13,2%), o café (alta de 22%) e animais vivos (alta de 180,7%), enquanto o milho recuou 25,6%. A indústria extrativa avançou 27,8%, puxada por minérios de cobre e metais preciosos, e a indústria de transformação subiu 8,8%, com destaque para carne de aves e farelo de soja.
A expectativa do próprio MDIC é de que o superávit de 2026 feche em torno de 90 bilhões de dólares, alta de 32,3% sobre 2025, com exportações projetadas em 394,4 bilhões de dólares. Para as transportadoras de cargas da Bahia, esse ritmo de exportação é sinal direto de demanda: cada tonelada de soja, café ou farelo embarcada no porto precisa primeiro rodar em caminhão até lá, e um ano de recorde de exportações tende a sustentar fretes de longa distância nos corredores do oeste baiano rumo aos portos de Salvador, Ilhéus e do Sudeste, ainda que a alta simultânea das importações também pressione o custo de peças e insumos importados usados pela frota.
Fonte: Agrolink, com dados do MDIC
por Setceb | ago 21, 2026 | Uncategorized
O litro do diesel S10 vendido em Salvador custava em média R$ 7,64 no levantamento mais recente divulgado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), valor 70 centavos acima da média nacional de R$ 6,94. A capital baiana aparece entre as mais caras do país para o combustível que move a frota de caminhões.
Os dados são da pesquisa semanal da ANP referente ao período de 2 a 8 de agosto de 2026, divulgada em 15 de agosto, com base em amostragem de postos revendedores em todo o território nacional. O levantamento é feito para acompanhar a formação de preços de combustíveis e subsidiar políticas públicas do setor.
Segundo o boletim, o preço médio nacional do diesel S10 recuou apenas 0,14% na semana, mantendo-se praticamente estável havia meses: R$ 6,94 em meados de julho, R$ 6,95 no início de agosto e de volta a R$ 6,94 na pesquisa mais recente. Em janeiro deste ano, porém, o litro custava R$ 6,11, o que mostra uma alta acumulada relevante ao longo do primeiro semestre.
Salvador ficou atrás apenas de Rio Branco (R$ 8,05) no ranking das capitais mais caras, à frente de Boa Vista (R$ 7,42), Teresina (R$ 7,32) e Porto Velho (R$ 7,29). Na outra ponta, São Paulo registrou o menor valor entre as capitais citadas, R$ 6,91.
O governo federal mantém uma subvenção econômica de R$ 0,32 por litro de diesel rodoviário, instituída por medida provisória em vigor neste ano, mas o benefício não foi suficiente para aproximar o preço baiano da média do país. Para o caminhoneiro autônomo, o diesel é o item de maior peso na composição de custos, e a defasagem entre reajuste de frete e alta de combustível tende a comprimir a margem operacional.
Não há previsão de novo levantamento estadual detalhado antes da próxima pesquisa semanal da ANP, mas a tendência de estabilidade em patamar elevado deve se manter enquanto persistirem os fatores que sustentam o preço, como tributação estadual e formação de preços da Petrobras. Para as transportadoras associadas ao SETCEB, o dado reforça a necessidade de repasse mais ágil do adicional de combustível nos contratos de frete na Bahia, já que o Estado segue pagando um dos diesel mais caros do país, encarecendo especialmente as rotas de longa distância que ligam o interior baiano aos portos.
Fonte: Brasil do Trecho, com dados da ANP
por Setceb | ago 21, 2026 | Uncategorized
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), assinou nesta quinta-feira despachos que destravam a tramitação da PEC 221/2019, que extingue a escala de trabalho 6x1 no país. A proposta estava parada na Casa desde 28 de maio de 2026, após ter sido aprovada pela Câmara dos Deputados em dois turnos.
A movimentação foi divulgada pelo Diário do Transporte e ocorre em meio a uma reaproximação política entre Alcolumbre e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, depois de um período de desgaste na relação motivado por indicações ao Supremo Tribunal Federal.
O texto da PEC estabelece jornada máxima de 40 horas semanais, com cinco dias de trabalho e dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial. A proposta prevê regimes diferenciados para atividades consideradas essenciais, caso do transporte, permitindo compensações de jornada por meio de acordos e convenções coletivas de trabalho.
Pelo cronograma da PEC, a redução da jornada ocorre em duas etapas: 60 dias após a promulgação, o limite semanal cai para 42 horas; em 14 meses, chega a 40 horas. Por se tratar de emenda constitucional, o texto não depende de sanção presidencial e precisa de 49 votos favoráveis em cada um dos dois turnos de votação no plenário do Senado.
A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) estima aumento de até 15% nos gastos com motoristas caso a mudança seja aprovada sem ajustes, já que a mão de obra responde por 43,1% dos custos totais das operadoras. Segundo a entidade, as empresas precisariam contratar mais motoristas para manter a mesma frota circulando, pressionando tarifas e a necessidade de subsídios públicos.
A Confederação Nacional do Transporte (CNT) projeta a necessidade de mais de 250 mil novas contratações em todo o setor de transporte brasileiro, incluindo caminhoneiros e borracheiros, caso a redução de jornada avance da forma como está proposta. A entidade defende uma transição gradual, com redução de uma hora por ano ao longo de quatro anos, e cita que 53,4% das empresas urbanas e metropolitanas já enfrentam falta de motoristas, e 63,2% relatam escassez de mecânicos.
Do lado dos trabalhadores, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) argumenta que jornadas mais curtas podem atrair novos profissionais para a categoria, hoje afastada pelo desgaste físico e por salários considerados insuficientes. A entidade estima geração inicial de 4,5 mil empregos no transporte urbano com a mudança. No transporte rodoviário de cargas, o déficit de motoristas já é estimado em cerca de 30%, o equivalente a aproximadamente 26 mil vagas não preenchidas no país, segundo dados citados pela CNT.
A PEC agora segue para análise na Comissão de Constituição e Justiça do Senado antes de ir a plenário, sem prazo definido para votação. Para transportadoras e caminhoneiros da Bahia, o tema tem peso direto: o déficit de mão de obra já pressiona o setor rodoviário de cargas no estado, e uma redução de jornada sem regras claras de compensação para atividades essenciais pode elevar ainda mais o custo do frete e agravar a disputa por motoristas qualificados nas rotas baianas.
Fonte: Diário do Transporte
por Setceb | ago 20, 2026 | Uncategorized
O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) aprovou nova regulamentação para os procedimentos de fiscalização da Lei Seca, atualizando as regras que orientam a atuação dos agentes de trânsito no combate à condução de veículos sob efeito de álcool e de outras substâncias psicoativas. A norma substitui procedimentos que estavam em vigor desde 2013 e passa a padronizar critérios que hoje são aplicados de forma heterogênea pelos órgãos de trânsito do país.
A mudança foi formalizada por meio da Resolução 1.031 do Contran, aprovada em reunião do colegiado realizada na segunda-feira (17) e divulgada nos dias seguintes. Segundo o órgão, o objetivo central da atualização é dar mais segurança jurídica às autuações e uniformizar a metodologia de fiscalização entre os estados, evitando questionamentos sobre a validade dos testes aplicados aos condutores.
Um dos principais pontos da resolução é a criação de uma fase de triagem nas operações de fiscalização, na qual poderá ser usado o pré-teste ou teste passivo de alcoolemia. Esse exame preliminar terá caráter exclusivamente orientativo: isoladamente, ele não poderá fundamentar autuação nem caracterizar por si só a condução sob influência de álcool, sendo necessária a continuação das etapas probatórias previstas na norma.
A resolução também regulamenta situações que podem gerar falsos positivos no teste passivo, como o consumo de bombons de licor, enxaguantes bucais ou até pão de forma, produtos que deixam resíduos de álcool na boca. Nesses casos, a indicação positiva no pré-teste deverá ser seguida de avaliação posterior antes de qualquer conclusão, incluindo reteste para afastar a detecção de álcool residual no trato respiratório superior.
A norma amplia ainda o escopo da fiscalização para outras substâncias psicoativas, permitindo o uso de equipamentos certificados para essa finalidade, sempre combinados com a observação de sinais de alteração da capacidade psicomotora do condutor. A resolução deixa claro que não cria um equipamento específico nem admite que a simples presença de vestígios de determinada substância seja suficiente para caracterizar infração; o agente de fiscalização precisará registrar, no auto de infração ou em termo próprio, pelo menos dois sinais que confirmem a alteração psicomotora.
Todos os equipamentos utilizados nas triagens deverão ser certificados no âmbito do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade, por organismo acreditado junto ao Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). A exigência busca garantir a confiabilidade técnica dos aparelhos usados nas blitze de trânsito em todo o território nacional.
A resolução determina também que, em sinistros de trânsito, os condutores envolvidos sejam submetidos à fiscalização sempre que possível, e torna obrigatória a realização de exame para detectar álcool ou outras substâncias psicoativas em casos de óbito. O Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito deverá ser atualizado para padronizar o registro de casos de recusa ao teste, com enquadramentos diferenciados conforme a situação.
Segundo o Contran, procedimentos semelhantes aos agora formalizados já vinham sendo adotados por órgãos estaduais de Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, além das operações nacionais conduzidas pela Polícia Rodoviária Federal, o que deu base prática para a nova regulamentação.
A Resolução 1.031 entra em vigor a partir da publicação no Diário Oficial da União, mas as mudanças previstas no Anexo III, que trata dos detalhes técnicos dos procedimentos, têm vigência postergada em 60 dias, prazo dado para que os órgãos do Sistema Nacional de Trânsito adaptem seus sistemas informatizados e capacitem os agentes de fiscalização.
Como se trata de norma federal, a atualização vale igualmente para as rodovias baianas e para os motoristas que circulam pelo estado, alcançando tanto a fiscalização feita pela Polícia Rodoviária Federal quanto eventuais ações de órgãos estaduais e municipais de trânsito na Bahia. Para as transportadoras associadas ao SETCEB, a padronização dos critérios tende a reduzir contestações administrativas sobre autuações por embriaguez ao volante, ao mesmo tempo em que reforça a necessidade de orientar motoristas sobre os cuidados com produtos que podem interferir no teste passivo antes de viagens e operações de carga.
Fonte: Blog do Caminhoneiro
por Setceb | ago 20, 2026 | Uncategorized
O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) defendeu, nesta quarta-feira, a privatização de hidrovias como caminho necessário para destravar investimentos em infraestrutura de transporte no país. A declaração foi dada durante o 11º Fórum CNT de Debates – Edição Presidenciáveis, promovido pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) em Brasília, evento que reúne os principais candidatos ao Palácio do Planalto para discutir propostas voltadas ao setor de transportes.
A fala foi registrada pela reportagem do Estadão Conteúdo e replicada por veículos parceiros durante a cobertura do fórum, que ao longo de dois dias recebeu lideranças do transporte rodoviário, aquaviário e ferroviário para debater com os presidenciáveis os principais gargalos do setor. Caiado sustentou que o poder público não tem capacidade fiscal para financiar sozinho a expansão da malha hidroviária brasileira.
"Primeiro que nós não vamos ter dinheiro para desenvolver. Vai ter que ser nessa modalidade", afirmou o candidato, ao defender a privatização como via de captação de capital e de acesso a financiamentos internacionais para obras de infraestrutura. Em outro trecho de sua fala, foi ainda mais direto: "Não tem outra saída. Só tem essa modalidade, não tem outra capaz de nós avançarmos."
Durante sua exposição no fórum, Caiado também defendeu uma revisão regulatória mais ampla para o setor de transportes e mencionou especificamente a necessidade de rever a metodologia de cálculo do frete, tema sensível para transportadoras de todo o país que operam sob a política de pisos mínimos estabelecida pela ANTT. O candidato não detalhou, na ocasião, quais mudanças concretas propõe para o modelo de cálculo hoje em vigor.
Questionado sobre a possibilidade de desoneração para o setor de transportes, o candidato do PSD condicionou qualquer medida nesse sentido à recuperação do equilíbrio das contas públicas. Segundo ele, é preciso primeiro "resgatar o equilíbrio fiscal", já que, na sua avaliação, o governo federal "gasta acima da sua capacidade de produzir, e com isso, gerando maior déficit e a maior taxa de juros".
O Fórum CNT de Debates é promovido periodicamente pela CNT como espaço de diálogo entre candidatos e o setor de transportes, e a edição deste ano, voltada aos presidenciáveis, ocorre poucos meses antes das eleições presidenciais de outubro. A entidade já havia entregue aos candidatos, em etapas anteriores do processo, o documento "O Transporte Move o Brasil", com propostas de política de Estado para infraestrutura, incluindo a aprovação da PEC da Infraestrutura e o uso integral dos recursos da Cide-Combustíveis em obras do setor.
As posições apresentadas por Caiado e por outros presidenciáveis no fórum tendem a orientar o debate eleitoral sobre infraestrutura de transporte nos próximos meses, com potencial de influenciar decisões futuras sobre concessões, tributação e regulação do frete rodoviário. Para transportadoras e caminhoneiros da Bahia, que dependem tanto de rodovias federais quanto, em menor escala, de conexões hidroviárias e portuárias para escoar produção, o rumo que a política de infraestrutura tomar a partir de 2027 pode afetar diretamente custos operacionais, prazos de investimento em modais alternativos e a própria metodologia usada para calcular o piso mínimo do frete pago às empresas do setor.
Fonte: Jornal de Brasília