GOVERNO SINALIZA AJUSTES ESPECÍFICOS PARA CAMINHONEIROS EM MUDANÇAS NAS REGRAS DE JORNADA

O ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que eventuais adequações necessárias para o setor de transporte rodoviário de cargas, em razão da revisão das normas relacionadas à jornada e às escalas de trabalho, poderão ser implementadas por meio de regulamentações específicas e negociações coletivas com a categoria.

Durante participação no programa da EBC, o ministro destacou que o transporte de cargas possui uma legislação própria, com regras já consolidadas para os motoristas profissionais. Por esse motivo, a expectativa é de que as mudanças atualmente em debate não provoquem impactos diretos sobre os caminhoneiros.

Segundo Santoro, caso surjam necessidades de adaptação ao novo cenário, o governo poderá promover ajustes por meio de regulamentações complementares ou acordos firmados entre empregadores e trabalhadores do setor.

O ministro explicou ainda que os possíveis reflexos das alterações tendem a atingir principalmente embarcadores e operadores logísticos, sem afetar de forma significativa a rotina dos motoristas. Mesmo assim, ressaltou que o governo acompanha as discussões de perto e permanece aberto à adoção de medidas que respeitem as particularidades da atividade de transporte rodoviário de cargas.

Na avaliação de Santoro, o período de transição previsto para a entrada em vigor das novas regras deverá proporcionar tempo suficiente para que empresas e profissionais se adaptem gradualmente às mudanças. Ele acredita que o processo ocorrerá de maneira organizada, sem comprometer a eficiência das operações de transporte no país.

COMISSÃO INICIA ANÁLISE DE MP QUE PODE IMPACTAR O PISO MÍNIMO DO FRETE E O TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS

O Congresso Nacional instalou a comissão mista responsável por analisar a Medida Provisória nº 1.343/2026, que amplia os mecanismos de fiscalização da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. A definição do colegiado marca mais uma etapa na tramitação de uma proposta que tem impacto direto sobre transportadores, embarcadores e caminhoneiros autônomos.

Durante a instalação da comissão, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) foi escolhido como vice-presidente do colegiado. A relatoria ficará a cargo do deputado Zé Trovão (PL-SC), enquanto o senador Styvenson Valentim (Podemos-RN) exercerá a função de relator revisor. A presidência da comissão será indicada pelo Senado Federal.

Publicada pelo governo federal em março, a MP busca fortalecer o cumprimento do piso mínimo do frete e ampliar o controle das operações de transporte rodoviário de cargas. Entre as medidas previstas está a obrigatoriedade do registro das viagens por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), reunindo informações sobre contratante, transportador, origem, destino da carga e valor do frete.

Na prática, o sistema impede a emissão do CIOT quando a operação apresentar remuneração abaixo dos valores estabelecidos pela legislação, criando um mecanismo eletrônico de fiscalização e aumentando a rastreabilidade das contratações.

A medida provisória também endurece as penalidades para empresas e contratantes que descumprirem as regras. As sanções incluem multas mais elevadas, suspensão temporária das atividades e até o cancelamento do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) em situações de reincidência, além de punições relacionadas à divulgação de ofertas de frete com valores inferiores ao piso legal.

Para o setor de Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), a discussão da MP é acompanhada com atenção, já que as mudanças podem alterar procedimentos operacionais, integrações tecnológicas e a forma de contratação dos serviços de transporte em todo o país.

A comissão mista será responsável por analisar o texto e apresentar um parecer antes da votação pelo Congresso Nacional. A medida provisória precisa ser apreciada pelos parlamentares até 16 de julho, prazo após o qual perderá a validade caso não seja convertida em lei.

INSEGURANÇA ELEVA CUSTOS DA INDÚSTRIA E AMPLIA IMPACTOS NO TRANSPORTE DE CARGAS

A insegurança nas rodovias, os crimes cibernéticos e a atuação do mercado ilegal têm aumentado significativamente os custos operacionais da indústria brasileira, contribuindo para o agravamento do chamado Custo Brasil. É o que aponta uma pesquisa inédita realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que ouviu 1.003 executivos de empresas de diferentes portes entre março e abril de 2026.

De acordo com o levantamento, 62% das indústrias afirmam que os gastos relacionados à proteção do transporte de cargas impactam diretamente seus custos finais. Além disso, 45% dos entrevistados relatam que os investimentos em segurança de forma geral acabam refletindo no preço dos produtos, enquanto 81% entendem que a insegurança é um fator relevante para o aumento do Custo Brasil. Estimativas anteriores da entidade indicam que os prejuízos provocados pela criminalidade superam R$ 107 bilhões anuais para o setor industrial.

Os resultados serão apresentados durante audiência pública promovida pela Comissão Externa sobre Pirataria da Câmara dos Deputados, que discutirá ações de enfrentamento à pirataria, ao contrabando, ao descaminho e à evasão fiscal. Segundo o coordenador da comissão, deputado Júlio Lopes, grande parte dos crimes registrados no país possui motivação econômica, provocando perdas de recursos públicos e prejudicando a competitividade da indústria nacional.

No transporte rodoviário, um em cada cinco estabelecimentos industriais informou ter sido vítima de roubo ou furto de cargas nos últimos cinco anos. A maior parte dos casos ocorreu diretamente nas estradas, concentrando 68% das ocorrências. Entre os produtos mais visados pelos criminosos estão fios e cabos, ferramentas, além de máquinas e equipamentos utilizados na produção industrial. Apenas uma pequena parcela dos empresários percebeu melhora nas condições de segurança nesse período.

O ambiente digital também tem gerado preocupação. A pesquisa mostra que cerca de 17% das empresas sofreram algum tipo de incidente cibernético nos últimos cinco anos, incluindo vazamento de informações e sequestro de sistemas. Entre as organizações afetadas, 30% registraram prejuízos financeiros decorrentes de fraudes ou pagamento de resgates. Para reduzir os riscos, a maioria das indústrias adota medidas como backups periódicos, softwares de proteção, políticas de controle de acesso, capacitação de funcionários e contratação de especialistas em segurança da informação.

Para a CNI, os ataques virtuais representam uma ameaça crescente, com potencial para causar impactos financeiros, interrupções operacionais, danos à imagem corporativa e até consequências legais.

O estudo também aponta que a insegurança favorece a circulação de produtos de origem ilícita e fortalece o mercado informal. Mais da metade dos entrevistados acredita que esse cenário contribui para a expansão do comércio ilegal, enquanto cerca de um terço avalia que os efeitos negativos sobre a competitividade empresarial são elevados.

Entre as principais reivindicações do setor produtivo ao poder público estão o reforço do policiamento em regiões industriais e o aumento da segurança nas rodovias e nas operações de transporte de cargas. Os entrevistados também defendem o fortalecimento dos órgãos de segurança pública, da Polícia Federal e da Receita Federal.

Na avaliação da CNI, investir em segurança patrimonial, logística e proteção de dados tornou-se uma necessidade estratégica para as empresas, não apenas para preservar vidas e ativos, mas também para reduzir perdas operacionais, proteger informações sensíveis e minimizar danos à reputação dos negócios.

ENCONTRO EM BRASÍLIA DEBATERÁ O FUTURO DO TRANSPORTE RODOVIÁRIO INTERNACIONAL DE CARGAS

O Transporte Rodoviário Internacional de Cargas (TRIC) estará no centro das discussões do setor no próximo dia 23 de junho, em Brasília (DF). A NTC&Logística participará do 1º Encontro do Transporte Rodoviário Internacional de Cargas, iniciativa que reunirá representantes do poder público, entidades de classe e empresários para debater os desafios e as oportunidades das operações internacionais.

Promovido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em parceria com o Sistema Transporte, a NTC&Logística, a ABTI e outras instituições representativas, o evento busca fortalecer o diálogo sobre temas que impactam diretamente a competitividade do transporte brasileiro no comércio exterior.

A programação abordará assuntos estratégicos para o setor, como integração logística entre os países da América do Sul, modernização regulatória, facilitação das operações de fronteira, desenvolvimento de corredores internacionais de transporte e aprimoramento dos processos voltados ao comércio exterior.

Para o Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), a discussão é considerada essencial. O modal desempenha papel fundamental na movimentação de mercadorias entre o Brasil e os países vizinhos, conectando cadeias produtivas e contribuindo para o fluxo de exportações e importações.

Segundo o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, o encontro representa uma oportunidade para ampliar o debate sobre medidas que fortaleçam a atividade. Para ele, o transporte internacional é um importante instrumento de integração econômica e de desenvolvimento das cadeias produtivas.

O vice-presidente extraordinário de Relações Internacionais da entidade, Danilo Guedes, destaca que a cooperação entre governos, empresas e entidades é indispensável para superar desafios operacionais e regulatórios. Na avaliação do dirigente, a troca de experiências e o alinhamento entre os diferentes atores do setor podem contribuir para operações mais eficientes e seguras.

Associada à International Road Transport Union (IRU) desde 1970, a NTC&Logística acompanha de forma permanente as pautas ligadas ao transporte internacional, atuando em temas relacionados à competitividade e ao desenvolvimento do setor.

Em um cenário de expansão do comércio exterior e crescente necessidade de integração logística, iniciativas como o TRIC reforçam a importância do transporte rodoviário internacional para a economia brasileira e para o fortalecimento das relações comerciais com os países da região.

Serviço

1º Encontro do Transporte Rodoviário Internacional de Cargas (TRIC 2026)
Data: 23 de junho de 2026
Local: Brasília (DF)

BNDES JÁ COMPROMETE UM TERÇO DOS RECURSOS DO MOVE BRASIL 2 E ACELERA RENOVAÇÃO DA FROTA DO TRC

A renovação da frota do transporte rodoviário de cargas e passageiros ganhou ritmo acelerado nas primeiras semanas do Move Brasil 2. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou que o programa BNDES Mais Mobilidade já aprovou R$ 6,6 bilhões em financiamentos apenas cinco dias após a abertura do recebimento das propostas.

O volume representa 31,2% dos R$ 21 bilhões disponibilizados pela iniciativa, criada pelo governo federal para estimular a modernização da frota brasileira de caminhões, ônibus e implementos rodoviários, fortalecendo a eficiência e a competitividade do setor de transporte.

Segundo o banco, R$ 3,1 bilhões já foram efetivamente contratados, com quase R$ 300 milhões desembolsados, distribuídos em aproximadamente 4,9 mil operações realizadas em 1.056 municípios brasileiros.

Para o transporte rodoviário de cargas (TRC), os números demonstram uma forte movimentação das empresas em busca de veículos mais modernos, econômicos e alinhados às exigências ambientais e operacionais do mercado. A renovação da frota contribui para reduzir custos com manutenção, aumentar a disponibilidade dos caminhões e melhorar a eficiência logística.

A maior parte dos recursos aprovados ficou concentrada nas transportadoras. De acordo com o BNDES, as empresas do setor responderam por R$ 6,58 bilhões em financiamentos, distribuídos em cerca de 4,8 mil operações. Já os transportadores autônomos contrataram aproximadamente R$ 43,8 milhões, por meio de 104 operações.

O programa contempla o financiamento de caminhões, caminhões-tratores, ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários, oferecendo condições diferenciadas para empresas, cooperativas e caminhoneiros autônomos.

Renovação de frota impulsiona o transporte de cargas

A velocidade das contratações reforça uma expectativa já manifestada por representantes da indústria de veículos pesados. O setor vinha alertando que a procura pelos recursos poderia ser intensa, especialmente em um cenário de juros elevados, no qual linhas de crédito com condições especiais se tornam decisivas para a renovação da frota.

Para o TRC, a modernização dos veículos tem impacto direto sobre a produtividade das operações. Caminhões mais novos costumam apresentar melhor desempenho energético, menor índice de paradas para manutenção e maior confiabilidade para atender às demandas do agronegócio, da indústria e do comércio.

Além disso, a substituição gradual da frota contribui para elevar os padrões de segurança nas rodovias e reduzir as emissões de poluentes, acompanhando a tendência de modernização do setor logístico brasileiro.

Recursos podem acabar antes do prazo final

Embora o prazo para protocolo das operações permaneça aberto até 28 de agosto, o próprio BNDES informou que o programa poderá ser encerrado antecipadamente caso a dotação orçamentária seja totalmente utilizada.

Com quase um terço dos recursos já comprometidos em menos de uma semana, cresce a expectativa de que empresas transportadoras e caminhoneiros interessados em renovar seus veículos antecipem suas decisões de investimento para garantir acesso às condições oferecidas pelo programa.

As linhas de financiamento contam com taxas próximas de 13% ao ano e prazos que podem chegar a 120 meses, dependendo do perfil do beneficiário. Para transportadores autônomos e cooperados, o programa também permite a aquisição de caminhões seminovos fabricados a partir de 2012 e enquadrados nas exigências ambientais estabelecidas pela iniciativa.

A rápida adesão ao Move Brasil 2 sinaliza que a renovação da frota continua sendo uma das principais demandas do transporte rodoviário de cargas, setor responsável pela movimentação da maior parte das mercadorias que circulam pelo país.

NOVA CONCESSÃO DAS BR-116 E BR-251 PROMETE FORTALECER CORREDOR LOGÍSTICO E IMPULSIONAR O TRANSPORTE DE CARGAS

A concessão das BR-116 e BR-251 para a EcoRodovias marca uma nova etapa para um dos principais corredores logísticos entre Minas Gerais, Bahia e o Nordeste brasileiro. O contrato, formalizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), prevê a administração de 734,9 quilômetros de rodovias pelos próximos 30 anos, com investimentos estimados em R$ 12,8 bilhões.

Para o transporte rodoviário de cargas, a medida representa a expectativa de melhorias em uma rota estratégica utilizada diariamente pelo agronegócio, pela indústria e pelo comércio para o escoamento de mercadorias. O trecho concentra grande circulação de veículos pesados e desempenha papel fundamental na ligação entre o Sudeste e o Nordeste do país.

De acordo com o projeto, aproximadamente 70% dos investimentos serão realizados na primeira década da concessão. Entre as principais intervenções previstas estão a duplicação de 187 quilômetros de rodovias, a implantação de 160 quilômetros de faixas adicionais, a construção de 101 interseções, 21 passarelas e um contorno viário de 17 quilômetros em Teófilo Otoni, destinado a reduzir o tráfego de longa distância dentro da área urbana.

As obras têm potencial para gerar impactos positivos diretos sobre a logística. Com melhores condições de trafegabilidade, a tendência é de redução no tempo de viagem, maior previsibilidade das operações e diminuição dos custos relacionados ao desgaste da frota e ao consumo de combustível.

Outro ponto importante para o setor será a implantação de dois pontos de parada para caminhoneiros, além da disponibilização de serviços de atendimento ao usuário, como ambulâncias e veículos de inspeção, reforçando a segurança operacional ao longo do percurso.

A nova concessão também introduzirá o sistema de pedágio eletrônico por fluxo livre, sem praças físicas de cobrança. A operação da concessionária está prevista para começar em novembro, enquanto a cobrança das tarifas deverá iniciar em dezembro de 2026.

Para o transporte rodoviário de cargas, a modernização desse corredor pode representar um avanço importante na integração logística entre Minas Gerais, Bahia e o Nordeste, fortalecendo uma rota essencial para a movimentação de produtos agrícolas, industriais e de bens de consumo em todo o país.

Especialistas do setor avaliam que investimentos em infraestrutura rodoviária são fundamentais para aumentar a competitividade do TRC brasileiro, melhorar a segurança das viagens e ampliar a eficiência das cadeias de abastecimento que dependem das rodovias para manter a economia em movimento.