VENDAS DE CAMINHÕES CAEM MAIS DE 15% NO ANO, ENQUANTO COMERCIAIS LEVES MANTÊM CRESCIMENTO

Os mercados de veículos comerciais apresentaram comportamentos distintos nos primeiros quatro meses de 2026. Enquanto os comerciais leves seguem impulsionados pela expansão das entregas urbanas, serviços e operações ligadas ao comércio eletrônico, o segmento de caminhões continua enfrentando dificuldades para retomar o ritmo de crescimento.

Levantamento da Fenabrave mostra que os emplacamentos de comerciais leves alcançaram 175.377 unidades entre janeiro e abril, resultado superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Somente em abril, foram licenciados quase 50 mil veículos, reforçando o bom momento do segmento.

O desempenho acompanha o aumento da demanda por transporte urbano de mercadorias, serviços de entrega rápida e renovação de frotas voltadas às operações de distribuição. Além disso, campanhas comerciais das montadoras e maior oferta de modelos também contribuíram para o avanço das vendas.

Por outro lado, o mercado de caminhões segue pressionado por fatores econômicos que afetam diretamente as decisões de investimento das transportadoras. No acumulado do quadrimestre, os emplacamentos de veículos pesados registraram queda superior a 15% em comparação com o mesmo período de 2025.

Segundo a Fenabrave, o elevado custo do crédito continua sendo um dos principais obstáculos para a renovação da frota. O cenário também é influenciado pelo comportamento do mercado de fretes, pelo preço dos combustíveis e pelas perspectivas econômicas para os próximos meses.

Na avaliação do setor, muitas empresas e transportadores autônomos têm optado por adiar a aquisição de novos veículos, prolongando o ciclo de utilização da frota atual diante das condições menos favoráveis de financiamento.

Apesar do recuo registrado até abril, a expectativa é de melhora ao longo do segundo semestre. A aposta está na ampliação dos recursos do Programa Move Brasil, que passou a disponibilizar mais de R$ 21 bilhões para financiar a renovação de caminhões, ônibus e implementos rodoviários.

A expectativa é que parte das operações contratadas por meio do programa comece a aparecer nos emplacamentos dos próximos meses, contribuindo para reduzir a retração observada desde o início do ano.

Para o transporte rodoviário de cargas, o cenário reforça a diferença entre segmentos que dependem menos de financiamentos de longo prazo e aqueles que exigem investimentos mais elevados. Enquanto os veículos voltados à logística urbana seguem aquecidos, a recuperação do mercado de caminhões dependerá principalmente da melhora das condições de crédito e do avanço dos programas de renovação de frota.

ANTT ESCLARECE REGRAS DO CIOT E REFORÇA CRITÉRIOS PARA ENQUADRAMENTO DE CARGA LOTAÇÃO

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) respondeu oficialmente aos questionamentos apresentados pelo setor transportador sobre a aplicação das novas regras relacionadas ao Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e seu vínculo com a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas.

O esclarecimento foi encaminhado à NTC&Logística após dúvidas surgirem em relação ao enquadramento de operações realizadas para um único contratante, mas que envolvem múltiplos Conhecimentos de Transporte Eletrônicos (CT-e) ou diversas Notas Fiscais Eletrônicas (NF-e).

Segundo a ANTT, as regras operacionais criadas para emissão do CIOT não alteram os critérios já estabelecidos para caracterização de carga lotação. A agência destacou que os procedimentos de cadastramento possuem finalidade exclusivamente operacional e não modificam as exigências previstas na regulamentação do piso mínimo de frete.

De acordo com o posicionamento da autarquia, uma operação somente poderá ser considerada carga lotação quando atender simultaneamente aos requisitos previstos na regulamentação vigente, como a existência de um único contratante, um único contrato de transporte, utilização exclusiva do veículo, um único trajeto entre origem e destino e a emissão de apenas um documento fiscal de transporte.

Com isso, a ANTT esclarece que operações que possuam múltiplos CT-es, diversas notas fiscais ou mais de um ponto de coleta e entrega não passam automaticamente a ser enquadradas como carga lotação apenas em função das informações registradas para geração do CIOT.

O posicionamento busca reduzir dúvidas geradas durante a implantação das novas regras e trazer maior previsibilidade para transportadoras, embarcadores e demais agentes envolvidos nas operações de transporte rodoviário de cargas.

A manifestação também reforça que a recente atualização das normas relacionadas ao CIOT teve como objetivo adequar procedimentos operacionais e ampliar a rastreabilidade das operações, sem promover alterações nos conceitos regulatórios já definidos para aplicação do piso mínimo de frete.

Para o setor, o esclarecimento contribui para evitar interpretações divergentes e garantir maior segurança jurídica durante a adaptação às novas exigências regulatórias implementadas pela ANTT.

Enquanto avança a implantação do novo modelo de CIOT, entidades representativas e empresas seguem acompanhando os desdobramentos da regulamentação e mantendo diálogo com a agência para esclarecer dúvidas operacionais e assegurar a correta aplicação das normas no transporte rodoviário de cargas.

SEST SENAT ABRE INSCRIÇÕES PARA CURSOS TÉCNICOS EAD EM LOGÍSTICA, ADMINISTRAÇÃO E SEGURANÇA DO TRABALHO

Profissionais que buscam qualificação e novas oportunidades no mercado de trabalho já podem se inscrever nos cursos técnicos a distância oferecidos pelo SEST SENAT. As inscrições estão abertas até o dia 30 de junho e contemplam formações em áreas com alta demanda por mão de obra qualificada.

Ao todo, estão disponíveis vagas para os cursos de Técnico em Logística, Técnico em Administração e Técnico em Segurança do Trabalho. A modalidade EaD permite que os alunos acompanhem as aulas de forma flexível, conciliando os estudos com a rotina profissional e pessoal.

A iniciativa tem como objetivo ampliar o acesso à educação profissional e contribuir para a formação de profissionais preparados para atuar em diferentes segmentos da economia, incluindo transporte, logística, indústria, comércio e serviços.

No setor de transporte e logística, a qualificação profissional vem ganhando cada vez mais importância diante das transformações tecnológicas, das novas exigências operacionais e da crescente busca por eficiência e competitividade nas empresas.

Segundo o SEST SENAT, os cursos foram estruturados para desenvolver competências técnicas e práticas alinhadas às necessidades atuais do mercado, oferecendo aos participantes uma formação voltada à aplicação dos conhecimentos no ambiente profissional.

Os interessados podem realizar a inscrição por meio da plataforma digital da instituição. O processo seletivo segue aberto até 30 de junho.

Mais informações e inscrições estão disponíveis em: digital.sestsenat.org.br/processo-seletivo/sobre-processo-seletivo

ABTLP DEFENDE MAIS INVESTIMENTOS EM INFRAESTRUTURA E SEGURANÇA NO TRANSPORTE DE PRODUTOS PERIGOSOS

A Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP) reforçou a necessidade de ampliar os investimentos em infraestrutura e segurança operacional durante participação na Câmara Internacional de Logística e Transportes (CIT), realizada no último dia 27. O encontro reuniu representantes do setor de transporte, especialistas e autoridades para discutir os desafios que impactam a logística nacional.

Durante o evento, a entidade destacou a importância estratégica do transporte de produtos perigosos para a economia brasileira e apresentou dados que evidenciam a complexidade da atividade. O segmento conta com milhares de transportadores cadastrados e opera sob uma extensa estrutura regulatória, exigindo elevados padrões de controle, monitoramento e conformidade.

Segundo a ABTLP, as empresas do setor realizam investimentos constantes em gestão de riscos, rastreabilidade, tecnologias de monitoramento e capacitação de profissionais para garantir operações seguras e alinhadas às exigências legais.

A associação também chamou atenção para os impactos que as condições da infraestrutura rodoviária exercem sobre a segurança e a eficiência do transporte especializado. Problemas como pavimento deteriorado, sinalização insuficiente, falta de áreas adequadas para parada e pontos críticos nas rodovias aumentam os riscos operacionais e elevam os custos das operações.

Na avaliação da entidade, embora as transportadoras mantenham elevados níveis de controle e prevenção, a redução dos riscos depende igualmente de melhorias estruturais na malha viária e de ações coordenadas entre iniciativa privada e poder público.

Outro tema abordado foi a necessidade de fortalecer políticas voltadas à modernização logística, ampliação da fiscalização técnica e planejamento da infraestrutura de transporte. Para a ABTLP, a construção de um ambiente mais seguro para o transporte de produtos perigosos passa pela integração entre empresas, entidades representativas e órgãos governamentais.

A participação da associação na CIT reforçou a importância do diálogo entre os diferentes agentes do setor para discutir soluções voltadas ao desenvolvimento da logística nacional, à prevenção de acidentes e ao aumento da competitividade do transporte rodoviário de cargas.

FIM DA TAXAÇÃO SOBRE COMPRAS INTERNACIONAIS PODE AUMENTAR DEMANDA LOGÍSTICA NO BRASIL

A decisão do governo federal de zerar o Imposto de Importação para compras internacionais de até US$ 50 realizadas por pessoas físicas pode gerar reflexos diretos na cadeia logística brasileira. A medida, oficializada por meio da Medida Provisória 1.357/2026, tende a estimular o crescimento das encomendas vindas do exterior e aumentar a movimentação de cargas em aeroportos, centros de distribuição e operações de transporte em todo o país.

Com a nova regra, consumidores que realizarem compras em plataformas internacionais participantes do Programa Remessa Conforme passam a pagar apenas o ICMS estadual. A expectativa do mercado é de que a redução da carga tributária impulsione novamente o volume de pedidos realizados em sites estrangeiros, especialmente os provenientes da Ásia.

Embora o transporte internacional dessas mercadorias ocorra predominantemente por via aérea, a distribuição dentro do território nacional depende fortemente da malha logística brasileira, incluindo operadores logísticos, transportadoras e empresas especializadas em entregas fracionadas.

Nos últimos anos, as mudanças na tributação das compras internacionais provocaram redução no volume de encomendas importadas. Dados divulgados por órgãos oficiais apontaram queda significativa nas remessas internacionais após o aumento da tributação sobre compras de pequeno valor.

Com a retomada da isenção, o setor logístico acompanha a possibilidade de aumento da demanda por armazenagem, movimentação de cargas e transporte terrestre. O crescimento das encomendas pode ampliar o fluxo de mercadorias entre aeroportos, hubs logísticos, centros de distribuição e consumidores finais, gerando mais atividade para empresas que atuam no transporte rodoviário de cargas.

Por outro lado, entidades ligadas ao varejo e à indústria nacional demonstram preocupação com os possíveis impactos da medida sobre a produção brasileira. Representantes do setor avaliam que a redução da tributação pode favorecer produtos importados e aumentar a concorrência com fabricantes nacionais.

Enquanto o debate avança, operadores logísticos e transportadoras monitoram os desdobramentos da medida, que ainda precisará ser analisada pelo Congresso Nacional. Caso seja mantida, a expectativa é de um aumento na circulação de pequenos volumes de carga, fortalecendo segmentos ligados ao e-commerce, distribuição urbana e transporte rodoviário de encomendas em todo o país.

ANTT DEFENDE SEGURANÇA JURÍDICA E REAFIRMA COMPROMISSO COM A ABERTURA DE MERCADOS REGULADOS

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) se manifestou sobre questionamentos envolvendo a suspensão temporária da divulgação dos resultados da Janela Extraordinária de Requerimentos para o transporte interestadual de passageiros. Em nota oficial, a agência afirmou que a medida foi adotada para garantir segurança jurídica, transparência e conformidade com as normas que regem os setores regulados pela autarquia.

Segundo a ANTT, a decisão não representa descumprimento de regras ou favorecimento a empresas específicas, mas sim uma ação administrativa destinada a assegurar tratamento isonômico aos operadores e maior consistência na análise dos mercados envolvidos.

Embora o caso esteja relacionado ao transporte de passageiros, a discussão também chama a atenção de empresas do transporte rodoviário de cargas, já que envolve princípios considerados fundamentais para todo o ambiente regulatório do setor, como previsibilidade, estabilidade jurídica e confiança nas decisões da agência reguladora.

De acordo com a ANTT, a suspensão ocorreu após a identificação da necessidade de reprocessamento de informações e reavaliação de determinados mercados, procedimento que busca reduzir riscos de questionamentos futuros e fortalecer a segurança dos processos regulatórios.

A agência destacou ainda que a ampliação da concorrência permanece como uma de suas diretrizes institucionais, respeitando critérios técnicos, jurídicos e regulatórios previstos na legislação vigente.

Para o setor de transporte, a previsibilidade regulatória é considerada um fator estratégico. Transportadoras, operadores logísticos, embarcadores e investidores dependem de regras claras e estabilidade institucional para planejar investimentos, ampliar operações e desenvolver projetos de longo prazo.

Na avaliação da ANTT, todas as decisões relacionadas ao processo estão sendo conduzidas por meio dos instrumentos legais cabíveis e de forma transparente. A agência reafirmou o compromisso com a modernização dos setores regulados, a ampliação da concorrência e a construção de um ambiente regulatório equilibrado e juridicamente seguro.

O posicionamento reforça a importância da segurança regulatória para toda a cadeia de transportes, especialmente em um momento de transformações normativas e avanços em processos de digitalização, fiscalização e abertura de mercado que impactam tanto o transporte de passageiros quanto o transporte rodoviário de cargas.