SCANIA LANÇA PLANO START PARA REDUZIR CUSTOS DE MANUTENÇÃO EM CAMINHÕES COM MAIS DE DOIS ANOS

Transportadores que operam com caminhões mais antigos passam a contar com uma nova alternativa para reduzir custos de manutenção sem abrir mão da rede autorizada. A Scania anunciou o lançamento do plano Start, uma nova modalidade dentro do pacote de serviços Pro, voltada especialmente para veículos com mais de dois anos de uso.

A proposta do plano é focar na manutenção preventiva essencial, garantindo o funcionamento eficiente do caminhão e evitando paradas inesperadas nas operações. O serviço inclui troca de óleo, substituição de filtros e revisões periódicas — itens considerados básicos, mas fundamentais para manter a disponibilidade da frota.

Redução de custos e mais previsibilidade

De acordo com a fabricante, a economia com manutenção pode chegar a até 50%, o que representa um impacto direto na redução do custo operacional das transportadoras e dos motoristas autônomos.

Na prática, o objetivo é aumentar a previsibilidade das despesas e minimizar o tempo de inatividade dos veículos, fator crítico no transporte rodoviário de cargas, onde cada parada não planejada pode gerar atrasos e prejuízos logísticos.

Portfólio de serviços mais segmentado

Com a chegada do Start, o portfólio de serviços da Scania passa a ser dividido em três níveis:

Premium: plano completo, incluindo manutenção preventiva, corretiva e itens de desgaste
Personal: foco em manutenção preventiva com maior nível de personalização
Start: opção mais básica e acessível, direcionada a veículos com mais tempo de uso

O novo plano está disponível em todo o território nacional e atende diferentes tipos de operação, incluindo transporte rodoviário, aplicações fora de estrada e também o segmento de ônibus.

Expansão da rede e digitalização

A montadora também reforça a estratégia de padronização do atendimento em sua rede autorizada, que atualmente conta com 247 pontos no Brasil. A meta é expandir essa estrutura para 272 unidades até o final de 2026.

Outro avanço anunciado é o lançamento da loja online oficial da marca, que permitirá a compra de peças originais diretamente pela internet. A operação começa em maio e foi desenvolvida em parceria com concessionários.

Frota conectada impulsiona eficiência

Além dos novos serviços, a Scania atingiu a marca de 100 mil veículos conectados no Brasil, consolidando o país como o maior mercado da marca nesse tipo de tecnologia.

Segundo a empresa, os dados gerados por esses veículos permitem desenvolver soluções mais alinhadas à realidade das operações brasileiras, contribuindo para ganhos de eficiência, redução de custos e melhoria na gestão de frotas.

CUSTO DO DIESEL E CONTRATOS COLOCAM TRANSPORTE RODOVIÁRIO SOB PRESSÃO NO BRASIL

O transporte rodoviário segue como a principal base da logística brasileira, sendo responsável por cerca de 65% da movimentação de cargas no país, de acordo com a Confederação Nacional do Transporte. Nesse cenário, qualquer oscilação no preço do diesel tem impacto direto nas operações, já que o combustível pode representar até 40% dos custos das transportadoras.

Para o advogado especialista em logística, Cristiano Baratto, a forma como os contratos são estruturados entre transportadoras, embarcadores e demais agentes da cadeia é determinante para definir quem absorve essas variações.

Contratos nem sempre acompanham a realidade do setor

Segundo o especialista, um dos principais problemas está no desalinhamento entre os contratos e a dinâmica operacional do transporte. Em muitos casos, não há mecanismos claros de reajuste ou reequilíbrio econômico diante de aumentos relevantes de custos, como os do diesel.

Na prática, isso acaba deixando as transportadoras mais expostas financeiramente, obrigadas a absorver despesas não previstas. Situações comuns do dia a dia ilustram esse cenário: reajustes no combustível sem repasse contratual, conflitos sobre responsabilidade em casos de roubo de carga e penalidades por atrasos causados por fatores externos, como as condições das rodovias.

Infraestrutura precária agrava o cenário

Além da pressão dos custos, o setor ainda convive com gargalos estruturais importantes. Levantamento da própria Confederação Nacional do Transporte aponta que mais de 60% das rodovias brasileiras apresentam condições consideradas regulares, ruins ou péssimas.

Esse cenário impacta diretamente a produtividade, aumenta o tempo de viagem e eleva o desgaste dos veículos, pressionando ainda mais os custos operacionais — especialmente em períodos de maior demanda, como o escoamento de safras agrícolas.

Cenário internacional aumenta a incerteza

No ambiente externo, fatores geopolíticos também contribuem para a instabilidade. As tensões no Oriente Médio seguem influenciando o mercado global de energia, trazendo volatilidade ao preço do diesel.

Para as empresas de transporte, isso significa lidar simultaneamente com aumento de custos e menor previsibilidade, o que dificulta o planejamento e a gestão financeira das operações.

Estrutura de custos concentrada aumenta vulnerabilidade

A dependência de poucos componentes-chave torna o setor ainda mais sensível a variações. Dados da Confederação Nacional do Transporte mostram como os principais custos estão distribuídos:

Diesel: entre 30% e 40%
Manutenção da frota: de 15% a 20%
Mão de obra: de 15% a 20%
Pedágios: de 5% a 10%
Seguros: de 5% a 10%

Essa concentração faz com que qualquer alteração relevante — principalmente no combustível — tenha efeito imediato sobre a rentabilidade das operações.

Previsibilidade depende de estratégia e contrato

Diante desse cenário, a competitividade no transporte rodoviário de cargas não depende apenas de eficiência operacional. A forma como contratos são estruturados passa a ser um fator estratégico para garantir equilíbrio financeiro e sustentabilidade do negócio.

Sem mecanismos claros de distribuição de riscos e atualização de valores, empresas tendem a operar com margens cada vez mais pressionadas, reforçando a necessidade de profissionalização na gestão contratual e financeira do setor.

SETOR DE LOGÍSTICA REGISTRA FORTE CRESCIMENTO COM ABERTURA DE NOVAS EMPRESAS EM 2026

O setor de logística e transporte segue em expansão no Brasil e registrou a abertura de aproximadamente 168 mil novas empresas em 2026, refletindo o aquecimento da atividade econômica e o avanço da demanda por serviços de transporte e distribuição no país.

O crescimento reforça o protagonismo do transporte rodoviário de cargas, responsável por grande parte da movimentação logística nacional. Impulsionado pelo aumento do consumo, pela expansão do e-commerce e pela necessidade de maior capilaridade nas entregas, o segmento continua atraindo novos operadores e investidores.

Na prática, o avanço no número de empresas indica uma maior pulverização do mercado, com a entrada de pequenos e médios negócios, além de transportadores autônomos que buscam formalização. Esse movimento amplia a competitividade, mas também eleva o nível de exigência em termos de gestão, eficiência operacional e adequação às normas regulatórias.

Apesar do crescimento expressivo, o cenário também traz desafios. A entrada de novos players aumenta a disputa por fretes, pressiona margens e exige diferenciação por parte das empresas já consolidadas. Além disso, questões estruturais como custo do diesel, carga tributária elevada e condições das rodovias continuam impactando diretamente a operação.

Outro ponto relevante é a necessidade de profissionalização do setor. Com mais empresas atuando, cresce também a importância de processos organizados, controle de custos, uso de tecnologia e gestão eficiente de frota para garantir sustentabilidade financeira no longo prazo.

O aumento no número de registros reforça que o transporte rodoviário de cargas segue como um dos pilares da economia brasileira. Ao mesmo tempo, evidencia um mercado cada vez mais competitivo, onde eficiência, planejamento e adaptação às mudanças serão determinantes para o sucesso das empresas.

NTC&LOGÍSTICA QUESTIONA ANTT SOBRE RETORNO VAZIO E AGÊNCIA CONFIRMA OBRIGATORIEDADE EM OPERAÇÕES COM CARGA PRESSURIZADA

A Agência Nacional de Transportes Terrestres reforçou o entendimento sobre a aplicação do Piso Mínimo de Frete em operações de transporte de granéis sólidos com descarga pressurizada, trazendo mais previsibilidade e segurança jurídica para o setor.

A manifestação da Agência ocorreu após solicitação da NTC&Logística, que buscava esclarecimentos sobre a obrigatoriedade de pagamento do frete no retorno vazio — uma questão recorrente nesse tipo de operação, marcada por características técnicas específicas e limitações logísticas.

O tema foi inicialmente analisado pela ANTT por meio do Ofício nº 15578/2026, no qual a Agência reconheceu que a avaliação deveria considerar o contexto de cada operação. Entre os fatores destacados estavam a possibilidade de obtenção de carga de retorno e os custos envolvidos no transporte, especialmente em casos que utilizam equipamentos especializados.

No entanto, diante de interpretações divergentes geradas pela primeira resposta, a entidade solicitou um novo posicionamento para garantir maior clareza e uniformidade no entendimento do setor.

Em resposta complementar, formalizada pelo Ofício nº 15847/2026, a ANTT adotou uma posição mais objetiva: o pagamento do retorno vazio deve ser considerado nas operações de transporte de granéis sólidos com descarga pressurizada, exceto quando houver contratação de carga compatível para o trajeto de volta.

Na prática, o posicionamento reconhece uma realidade operacional importante. Devido às características dos veículos utilizados nesse tipo de transporte, muitas vezes não há possibilidade de aproveitar o retorno com outra carga, o que impacta diretamente os custos da operação.

Com essa definição, o setor ganha maior segurança nas negociações entre transportadores e contratantes, reduzindo conflitos e trazendo mais previsibilidade na formação do frete.

A NTC&Logística destacou que continuará atuando de forma técnica junto aos órgãos reguladores para garantir condições mais equilibradas e sustentáveis para o transporte rodoviário de cargas, especialmente em operações que envolvem maior complexidade logística.

ANTT AVANÇA EM PROPOSTAS PARA AGILIZAR TRANSPORTE DE CARGAS NAS FRONTEIRAS DO MERCOSUL

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) participou, nos dias 22 e 23 de abril, da VIII Reunião Ordinária do Subgrupo de Trabalho nº 5 (SGT nº 5) – Transporte do Mercosul, realizada em Assunção, no Paraguai. O encontro reuniu representantes dos países do bloco para discutir medidas que impactam diretamente o transporte rodoviário internacional de cargas, com foco na redução de burocracia e no aumento da eficiência logística nas fronteiras.

A delegação brasileira contou com representantes da própria ANTT, além da Receita Federal do Brasil (RFB), Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Associação Brasileira de Transportadores Internacionais (ABTI), reforçando a importância da integração entre órgãos públicos e setor privado nas discussões sobre transporte internacional.

Entre os principais avanços apresentados pelo Brasil estão propostas voltadas aos transportadores certificados como Operador Econômico Autorizado (OEA). As medidas incluem a renovação automática de licenças e a utilização de selos de identificação nos veículos, o que pode reduzir etapas operacionais, diminuir o tempo de espera em fronteiras e aumentar a previsibilidade das operações logísticas.

Outro ponto relevante foi a proposta de digitalização do Certificado de Inspeção Técnica Veicular (CITV). A iniciativa busca modernizar os processos, ampliar a rastreabilidade das informações e fortalecer a fiscalização, contribuindo para maior segurança e controle no transporte rodoviário de cargas entre os países do Mercosul.

No campo regulatório, também avançaram as discussões sobre limites de pesos e dimensões dos veículos, incluindo estudos sobre combinações com até 19,30 metros e cegonheiras de 23 metros. O tema segue em análise técnica pelas delegações, com impacto direto na capacidade operacional e na eficiência do transporte internacional.

Além disso, o transporte de produtos perigosos esteve na pauta, com o Brasil apresentando fichas de emergência para avaliação conjunta. A proposta visa padronizar procedimentos e fortalecer a atuação coordenada entre os países em situações de risco.

A digitalização também ganhou destaque com a discussão sobre o Conhecimento de Transporte Rodoviário (CRT). A proposta prevê rastreamento em tempo real das cargas e maior integração de dados entre os países, o que pode elevar o nível de controle e transparência nas operações internacionais.

Outro avanço importante foi o desenvolvimento do webservice Mercosul de Cargas, ferramenta que permitirá o intercâmbio de informações entre os países de forma mais ágil e integrada. Também estiveram na pauta temas como centros integrados de fronteira, transporte de encomendas por ônibus e projetos estratégicos, como o Corredor Bioceânico.

As propostas discutidas durante a reunião seguem agora para avaliação dos países membros e devem voltar à pauta no próximo encontro do SGT nº 5, previsto para o final de junho de 2026. A expectativa é de que as medidas avancem para implementação, contribuindo para um ambiente mais eficiente, seguro e competitivo no transporte rodoviário de cargas na região.