INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL AVANÇA NO TRANSPORTE DE CARGAS E AJUDA EMPRESAS A REDUZIR RISCOS NAS ESTRADAS

A inteligência artificial vem ganhando espaço no transporte rodoviário de cargas e se consolidando como uma ferramenta estratégica para aumentar a segurança das operações, reduzir custos e melhorar a eficiência logística. Em um cenário marcado pelo aumento dos gastos com gerenciamento de riscos e pela busca por maior previsibilidade operacional, transportadoras de todo o país aceleram investimentos em soluções capazes de analisar dados em tempo real e apoiar a tomada de decisões.

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que 62% das indústrias brasileiras registraram aumento dos custos relacionados à segurança no transporte. Diante desse cenário, tecnologias baseadas em inteligência artificial passaram a ser utilizadas para identificar padrões de risco, monitorar o comportamento dos motoristas e otimizar rotas.

As soluções atualmente disponíveis conseguem cruzar informações sobre tráfego, condições climáticas e histórico de ocorrências para indicar trajetos mais seguros, além de detectar sinais de fadiga, distração e outros comportamentos que podem elevar o risco de acidentes.

Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg), Antonio Luis da Silva Junior, a tecnologia representa um avanço importante para a proteção dos profissionais que atuam diariamente nas rodovias.

“Hoje é possível identificar comportamentos de risco antes que eles resultem em acidentes, além de criar rotas mais seguras e eficientes. Isso gera ganhos operacionais para as empresas e mais proteção para os motoristas”, afirma.

Entre as ferramentas que mais avançam no setor estão as câmeras embarcadas com inteligência artificial, capazes de identificar sinais de sonolência, uso do celular ao volante e mudanças bruscas no comportamento do condutor. Em muitos casos, os alertas são enviados imediatamente para o motorista e para a central de monitoramento da transportadora.

Outro campo de aplicação é o rastreamento inteligente de cargas. Sistemas conectados analisam dados de tráfego e informações sobre ocorrências de roubo para recomendar rotas mais seguras e acionar protocolos preventivos diante de desvios inesperados ou paradas fora do padrão da operação.

Além da segurança, a inteligência artificial também vem contribuindo para a gestão das jornadas de trabalho. Com análises preditivas, as empresas conseguem identificar padrões de desgaste físico e mental dos profissionais, permitindo ajustes mais eficientes nas escalas e contribuindo para a redução da fadiga.

Tecnologia já faz parte da rotina das transportadoras

A transformação digital já é realidade em grandes operadores logísticos. A Patrus Transportes, especializada em cargas fracionadas, desenvolveu uma estratégia voltada ao uso da inteligência artificial em diferentes áreas da empresa, incluindo operações, tecnologia, recursos humanos e atendimento ao cliente.

Entre as soluções adotadas estão sistemas de roteirização inteligente, leitura automatizada de volumes, reconhecimento biométrico de motoristas e análise de imagens para otimizar o carregamento das carretas.

Segundo o diretor de Tecnologia e Inovação da companhia, Jefferson Andrade, a proposta é utilizar a inteligência artificial como ferramenta de apoio às decisões humanas.

“Nossa estratégia é usar a inteligência artificial para aumentar a produtividade, melhorar a qualidade das operações e apoiar as pessoas em atividades cada vez mais estratégicas”, afirma.

A empresa também investe na capacitação das equipes para acompanhar a evolução tecnológica. Para Rubia Spindola, diretora de Pessoas e ESG da Patrus, o desenvolvimento de novas competências será fundamental para que profissionais e tecnologia atuem de forma complementar.

A expectativa do setor é que a adoção dessas ferramentas avance de forma acelerada nos próximos anos, impulsionada pela digitalização da logística e pela necessidade crescente de operações mais seguras, eficientes e competitivas.

Para as transportadoras, a inteligência artificial deixa de ser uma tendência futura e passa a ocupar um papel cada vez mais central na gestão das operações e na proteção das cargas e dos profissionais que movimentam a economia brasileira.

CÂMARA APROVA MP DO FRETE MÍNIMO COM PISO SALARIAL NACIONAL PARA MOTORISTAS DE LONGA DISTÂNCIA

A comissão mista do Congresso Nacional aprovou nesta quarta-feira (17) o relatório da Medida Provisória nº 1.343/2026, que endurece a fiscalização do piso mínimo do frete rodoviário. Na sequência, o texto também foi aprovado pelo Plenário da Câmara dos Deputados e agora segue para análise do Senado Federal.

Além de reforçar os mecanismos de controle sobre o cumprimento do piso mínimo do frete, o parecer apresentado pelo deputado Zé Trovão traz uma novidade que pode impactar diretamente o mercado de trabalho do transporte rodoviário de cargas: a criação de um piso salarial nacional de R$ 5 mil para motoristas empregados em operações de longa distância.

A medida faz parte de um conjunto de alterações incorporadas ao texto original da MP, editada pelo governo federal em março deste ano com o objetivo de ampliar a fiscalização da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas.

CIOT continua sendo peça central da fiscalização

O relatório mantém a obrigatoriedade do registro de todas as operações de transporte por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), ferramenta que reúne informações sobre contratante, transportador, origem e destino da carga, além do valor do frete contratado.

Pelas regras aprovadas, o sistema continuará impedindo a emissão do CIOT quando o valor informado estiver abaixo do piso mínimo estabelecido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), reforçando o controle eletrônico sobre as operações.

O texto também amplia as informações exigidas no registro, que passará a incluir detalhes sobre a forma e o prazo de pagamento do frete.

Motoristas autônomos terão frete antecipado

Outra mudança aprovada beneficia diretamente os Transportadores Autônomos de Cargas (TACs). O relatório determina que pelo menos 70% do valor do frete seja pago no momento da contratação, com o saldo restante quitado em até três dias úteis após a entrega da carga.

A medida busca aumentar a previsibilidade financeira dos profissionais autônomos e reduzir riscos relacionados ao recebimento dos serviços prestados.

Renovação de frota e infraestrutura ganham reforço

O parecer também amplia o escopo do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Transporte de Cargas Nacional (Procargas). Entre as novas prioridades estão ações voltadas à renovação e modernização da frota, implantação de pontos de parada e descanso para caminhoneiros, qualificação profissional, inovação tecnológica, segurança viária e melhoria das condições de trabalho.

Além disso, o texto cria a Política Nacional Permanente de Renovação da Frota de Veículos de Transporte Rodoviário de Cargas (PNPR-Cargas), iniciativa voltada a estimular a substituição de veículos mais antigos por modelos mais modernos, eficientes e seguros.

Transportadores autônomos e cooperativas também passam a ter prioridade no acesso a programas de financiamento, incentivos e demais ações vinculadas ao Procargas.

Transparência no cálculo do piso mínimo

Outra alteração relevante estabelece que a ANTT deverá detalhar a metodologia utilizada para definir os pisos mínimos de frete. O texto determina a publicação semestral das planilhas e memórias de cálculo utilizadas pela agência, aumentando a transparência sobre a formação dos valores de referência.

Próximo passo é o Senado

Com a aprovação na Câmara dos Deputados, a MP 1.343/2026 segue agora para votação no Senado Federal. Como a medida provisória tem prazo de validade, a expectativa é que a tramitação seja concluída nas próximas semanas para evitar a perda de eficácia das novas regras.

Caso o texto seja confirmado pelos senadores, o setor de transporte rodoviário de cargas passará a operar sob um novo marco regulatório, com fiscalização eletrônica mais rigorosa do piso mínimo do frete, novas exigências relacionadas ao CIOT e a criação de um piso salarial nacional para motoristas de longa distância.

CRÉDITO MAIS BARATO ACELERA RENOVAÇÃO DE FROTAS E ESGOTA RECURSOS DO MOVE BRASIL 2

O programa Move Brasil 2 tem impulsionado uma corrida das empresas de transporte em busca de financiamento para renovação de frota. Em poucas semanas de operação, cerca de metade dos R$ 21,2 bilhões disponibilizados pelo governo federal para a aquisição de veículos pesados já foi comprometida. No segmento de ônibus, a procura é ainda mais intensa, com aproximadamente 75% dos recursos já reservados.

O forte ritmo de contratação demonstra que o setor vinha adiando investimentos importantes por conta dos elevados custos de financiamento observados nos últimos anos. Com linhas de crédito oferecendo condições mais atrativas, muitas empresas decidiram tirar do papel projetos de renovação que estavam em espera.

De acordo com Oscar Jaern, presidente da Scania Serviços Financeiros, a atividade do transporte continua aquecida e os transportadores seguem operando em níveis elevados de produtividade. O principal desafio, segundo ele, estava relacionado ao impacto dos juros sobre o fluxo de caixa das empresas.

A percepção é de que o programa não criou uma nova demanda, mas permitiu que investimentos represados fossem retomados. Com taxas subsidiadas próximas de 1% ao mês, o cenário passou a ser mais favorável para a aquisição de caminhões e ônibus novos.

Reflexo desse movimento é o aumento expressivo na procura por crédito. Segundo a Scania Serviços Financeiros, os pedidos de financiamento dobraram após o lançamento da segunda etapa do programa. O crescimento superou inclusive o registrado na primeira fase, quando a demanda havia aumentado cerca de 60%.

Outro destaque é o protagonismo dos bancos ligados às montadoras. Essas instituições vêm ganhando espaço por possuírem maior conhecimento sobre a realidade do transporte rodoviário de cargas, oferecendo soluções financeiras mais alinhadas às necessidades dos transportadores.

Para o executivo da Scania, a especialização dessas operações permite análises mais precisas dos riscos e uma atuação mais próxima dos clientes, facilitando a estruturação dos financiamentos.

Atualmente, a Scania Serviços Financeiros administra uma carteira de aproximadamente R$ 15 bilhões em financiamentos, além de um volume semelhante em operações de consórcio, demonstrando a relevância crescente das soluções financeiras voltadas especificamente ao setor de transporte.

A rápida utilização dos recursos do Move Brasil 2 reforça a necessidade das empresas de manterem a frota atualizada para aumentar a eficiência operacional, reduzir custos de manutenção e melhorar a competitividade em um mercado cada vez mais exigente.

QUEDA DO PETRÓLEO RENOVA EXPECTATIVA DE ALÍVIO NOS CUSTOS DO TRANSPORTE RODOVIÁRIO

A recente redução das cotações internacionais do petróleo trouxe uma perspectiva positiva para o transporte rodoviário de cargas. O movimento foi impulsionado pela expectativa de normalização do fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, rota estratégica responsável por uma parcela significativa do abastecimento mundial da commodity.

Com o avanço das negociações diplomáticas envolvendo Estados Unidos e Irã, o mercado reagiu rapidamente. Os preços internacionais do petróleo registraram forte queda, refletindo a possibilidade de retomada das exportações iranianas e a redução das preocupações com a oferta global de energia.

Especialistas avaliam que a reabertura da importante rota marítima pode aumentar a disponibilidade de petróleo no mercado internacional, contribuindo para a acomodação dos preços dos combustíveis nos próximos meses.

Reflexos no preço do diesel

No Brasil, os primeiros sinais dessa movimentação já começaram a aparecer. Levantamentos recentes apontam redução nos preços médios do diesel comum e do diesel S-10 na primeira metade de junho.

A queda é acompanhada com atenção pelas transportadoras, já que o combustível continua sendo o principal componente dos custos operacionais do transporte rodoviário de cargas.

Estudos do setor indicam que o diesel pode representar aproximadamente 40% das despesas totais de uma operação rodoviária, superando itens como mão de obra, depreciação de veículos e custos financeiros. Por isso, qualquer variação no combustível tem impacto direto sobre a rentabilidade das empresas.

Transportadoras reforçam estratégias de eficiência

A instabilidade dos preços observada nos últimos meses levou muitas empresas a adotarem medidas para proteger suas margens operacionais. Entre as principais ações estão a renegociação de contratos, a revisão de custos internos e o aumento dos investimentos em tecnologia.

Grandes operadores logísticos também vêm apostando em ferramentas de roteirização inteligente, telemetria, inteligência artificial e renovação de frota para reduzir o consumo de combustível e aumentar a produtividade das operações.

Outra estratégia utilizada por parte das transportadoras é a adoção de mecanismos contratuais que permitem ajustar os valores cobrados conforme as oscilações do diesel, reduzindo os impactos de variações bruscas do mercado.

Impacto para o setor

Embora ainda exista cautela em relação à consolidação do acordo internacional e à efetiva normalização das operações no Oriente Médio, a tendência de queda do petróleo é vista com otimismo pelo setor de transporte.

Para as transportadoras, uma redução mais consistente nos preços do diesel pode contribuir para aliviar custos operacionais, melhorar a competitividade das empresas e reduzir a pressão sobre os fretes em um momento de margens apertadas e elevada concorrência.

O comportamento do mercado internacional continuará sendo acompanhado de perto, já que qualquer mudança no cenário geopolítico pode influenciar diretamente o custo do combustível e, consequentemente, o desempenho do transporte rodoviário de cargas no Brasil.

FENATRAN 2026 PROMETE REUNIR AS PRINCIPAIS INOVAÇÕES QUE VÃO MOLDAR O FUTURO DO TRANSPORTE DE CARGAS

A edição de 2026 da Fenatran já entra para a história antes mesmo de abrir as portas. Com todos os espaços comercializados e ocupação total dos pavilhões do São Paulo Expo, o evento será o maior já realizado desde sua criação. A feira acontecerá entre os dias 9 e 13 de novembro, em São Paulo, reunindo os principais fornecedores, fabricantes, transportadores e especialistas da cadeia logística da América Latina.

Mais de 700 marcas estarão presentes apresentando tecnologias, equipamentos, veículos, serviços e soluções voltadas ao transporte rodoviário de cargas e à logística. O público poderá conhecer novidades que abrangem desde caminhões e implementos rodoviários até sistemas de armazenagem, intralogística e distribuição urbana.

A expectativa dos organizadores é superar os números da última edição, impulsionada principalmente pela ampliação da área externa do evento. Com isso, a Fenatran ocupará mais de 100 mil metros quadrados de exposição, consolidando-se como uma das maiores feiras do setor no mundo.

Transporte em transformação

O crescimento da feira acompanha o momento de mudanças vivido pelo transporte de cargas. Tecnologias ligadas à eletrificação, conectividade, automação e uso de combustíveis alternativos devem estar entre os principais destaques da edição.

Segundo representantes da indústria e do setor transportador, a feira será uma vitrine para apresentar soluções que buscam aumentar a eficiência operacional, reduzir custos e tornar as operações mais sustentáveis.

Além dos avanços em veículos, também ganham espaço ferramentas de gestão de frotas, inteligência artificial, telemetria, monitoramento em tempo real e sistemas voltados à segurança viária.

Oportunidades para transportadoras

Para as empresas de transporte, a Fenatran representa uma oportunidade estratégica para acompanhar tendências que podem impactar diretamente a competitividade do negócio nos próximos anos.

A expectativa é que o evento reúna fabricantes, transportadores, embarcadores, operadores logísticos e fornecedores de tecnologia em um ambiente voltado à geração de negócios, troca de conhecimento e desenvolvimento de parcerias.

Temas como descarbonização, gestão de dados, redução de custos operacionais e novas soluções para a logística deverão ocupar posição central nos debates promovidos durante a programação.

Nordeste também pode ser beneficiado

Os avanços apresentados na Fenatran têm potencial para gerar impactos em todo o país, incluindo a região Nordeste. A modernização de frotas, a adoção de tecnologias embarcadas, o uso de combustíveis alternativos e a ampliação da conectividade podem contribuir para aumentar a eficiência das operações rodoviárias que atendem importantes corredores logísticos da região.

Além disso, setores econômicos estratégicos do Nordeste, como agronegócio, indústria, comércio e portos, tendem a se beneficiar das inovações que ajudam a reduzir custos de transporte e melhorar a produtividade das operações.

Conteúdo técnico e experiências práticas

A programação de 2026 também será ampliada, com fóruns, seminários e palestras voltados aos principais desafios do transporte moderno. Entre os temas previstos estão sustentabilidade, inovação, eficiência operacional, gestão de frotas e transformação digital.

Outro destaque será a Fenatran Experience, espaço destinado a testes práticos de caminhões. Os visitantes poderão dirigir veículos equipados com diferentes tecnologias de propulsão, incluindo modelos a diesel, elétricos, movidos a gás e biometano, em uma pista especialmente preparada para avaliações de desempenho.

A edição comemorativa reforça o papel da Fenatran como principal vitrine de lançamentos e tendências do transporte de cargas na América Latina, reunindo em um único ambiente as soluções que devem influenciar os rumos do setor nos próximos anos.