CÂMARA APROVA PISO SALARIAL DE R$ 5 MIL PARA MOTORISTAS DE LONGA DISTÂNCIA

A Câmara dos Deputados aprovou uma série de mudanças que impactam diretamente o transporte rodoviário de cargas no país. A Medida Provisória nº 1.343/2026, que inicialmente tinha como foco fortalecer a fiscalização do piso mínimo do frete, ganhou novos dispositivos durante sua tramitação e agora reúne medidas voltadas às relações de trabalho, à contratação de fretes e à fiscalização do setor.

Entre os principais pontos aprovados está a criação de um piso salarial nacional de R$ 5 mil para motoristas profissionais que atuam em operações de longa distância. A regra se aplica aos trabalhadores que permanecem fora de sua base operacional ou residência por mais de 24 horas durante as viagens.

Outro destaque é o reforço do uso do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), que passa a ser peça central no monitoramento das operações de transporte remunerado de cargas. A proposta determina que todas as operações sejam registradas eletronicamente e prevê mecanismos para impedir a emissão do código quando os valores contratados estiverem abaixo do piso mínimo estabelecido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

O texto também endurece as penalidades para empresas que descumprirem de forma recorrente a política do frete mínimo. Em casos de reincidência, poderão ser aplicadas sanções que vão desde a suspensão temporária das atividades até multas de elevado valor. Empresas consideradas infratoras contumazes poderão enfrentar restrições ainda mais severas.

As mudanças alcançam também os transportadores autônomos. A proposta prevê a ampliação da participação dessa categoria em contratações realizadas pela administração pública federal e estabelece regras específicas para o pagamento dos fretes, incluindo a possibilidade de adiantamento de parte do valor contratado.

Outro tema contemplado pela medida é a fiscalização do excesso de carga. O texto altera critérios utilizados nas verificações de peso dos veículos e modifica procedimentos relacionados às autuações aplicadas por excesso de peso por eixo.

A proposta ainda amplia os fatores que poderão ser considerados pela ANTT na atualização da tabela do frete mínimo. Além de combustíveis e pedágios, poderão entrar nos cálculos despesas ligadas à operação, como seguros, depreciação dos veículos, custos de manutenção, características da carga e tempo gasto nos processos de carga e descarga.

Agora, a matéria segue para análise do Senado Federal. Como se trata de uma medida provisória, a aprovação pelos senadores é necessária para que as novas regras sejam definitivamente incorporadas à legislação brasileira.

Entre os pontos que mais chamam a atenção estão a criação do piso salarial para motoristas de longa distância, o fortalecimento da fiscalização do frete mínimo, a ampliação das exigências relacionadas ao CIOT e as novas regras voltadas à contratação e remuneração dos transportadores autônomos.

ÓLEO DE COZINHA USADO VIRA COMBUSTÍVEL E IMPULSIONA INICIATIVA SUSTENTÁVEL NO TRANSPORTE

O reaproveitamento de resíduos tem ganhado cada vez mais espaço nas estratégias de sustentabilidade do transporte rodoviário de cargas. Um exemplo vem de uma transportadora mineira que desenvolveu um projeto para transformar óleo de cozinha usado em combustível renovável utilizado na própria frota.

Batizada de Rota Verde, a iniciativa da IBOR Transportes, sediada em Juiz de Fora (MG), coleta óleo descartado por restaurantes, estabelecimentos comerciais e residências para produzir biodiesel puro (B100). O combustível é fabricado em uma usina instalada dentro da própria empresa e utilizado nos veículos da operação logística.

A proposta une economia circular, redução de impactos ambientais e busca por alternativas aos combustíveis fósseis. Além de evitar o descarte inadequado do óleo, que pode causar sérios danos ao meio ambiente, o projeto cria uma nova destinação para um resíduo que normalmente seria descartado.

Atualmente, parte da frota da transportadora já opera com biodiesel produzido internamente. A empresa também investe em caminhões preparados para utilizar o combustível renovável, ampliando gradativamente a participação dessa tecnologia em suas operações.

De acordo com dados divulgados pela companhia, a iniciativa contribui para a redução significativa das emissões de gases de efeito estufa e ajuda a preservar recursos hídricos ao impedir que grandes volumes de óleo sejam descartados de forma irregular.

O projeto se destaca como um exemplo de como inovação, sustentabilidade e eficiência operacional podem caminhar juntas, demonstrando que soluções ambientais também podem gerar ganhos para a atividade transportadora e abrir novos caminhos para a descarbonização do setor.

TRANSPORTADORAS REFORÇAM PROCESSOS INTERNOS DIANTE DE NOVAS EXIGÊNCIAS REGULATÓRIAS

A digitalização do transporte rodoviário de cargas vem exigindo uma série de adequações operacionais por parte das empresas do setor. Entre as mudanças mais recentes está a ampliação dos mecanismos de controle sobre as operações de frete, o que tem levado transportadoras, operadores logísticos e embarcadores a revisarem procedimentos internos e investirem em tecnologia.

Com a evolução das ferramentas de fiscalização e o aumento da integração entre plataformas digitais, informações relacionadas às operações de transporte passaram a ser acompanhadas de forma mais rigorosa pelos órgãos reguladores. Nesse cenário, manter cadastros atualizados, processos padronizados e sistemas integrados tornou-se uma necessidade para evitar inconsistências e garantir maior segurança operacional.

Especialistas do setor observam que a conformidade regulatória deixou de ser apenas uma obrigação administrativa para assumir papel estratégico dentro das empresas. A adoção de soluções automatizadas vem contribuindo para reduzir falhas humanas, agilizar rotinas operacionais e melhorar a qualidade das informações compartilhadas ao longo da cadeia logística.

Além dos ganhos em eficiência, a modernização dos processos também favorece a rastreabilidade das operações e fortalece a transparência nas relações entre contratantes, transportadores e prestadores de serviços.

A expectativa é que a transformação digital continue avançando nos próximos anos, impulsionada tanto pelas exigências regulatórias quanto pela busca das empresas por operações mais seguras, produtivas e alinhadas às demandas de um mercado cada vez mais conectado.

DTA E TRANSPORTE MULTIMODAL GANHAM ESPAÇO COMO ALTERNATIVA PARA REDUZIR CUSTOS LOGÍSTICOS

Com o crescimento das operações de comércio exterior no Brasil, empresas têm buscado alternativas para tornar o transporte de cargas mais eficiente, ágil e econômico. Nesse cenário, a combinação entre a Declaração de Trânsito Aduaneiro (DTA) e o transporte multimodal vem ganhando destaque como estratégia para otimizar fluxos logísticos e ampliar a competitividade.

A DTA permite a movimentação de mercadorias sob controle aduaneiro entre diferentes recintos alfandegados antes da conclusão do processo de importação. Na prática, isso oferece maior flexibilidade às empresas, que podem direcionar as cargas para locais mais estratégicos, próximos aos centros de distribuição ou unidades produtivas.

Outro fator que fortalece essa estratégia é a multimodalidade, modelo que integra diferentes meios de transporte em uma mesma operação. A combinação de modais rodoviário, ferroviário, aéreo e marítimo contribui para a criação de rotas mais flexíveis, reduzindo a dependência de um único canal logístico e aumentando a capacidade de resposta diante de imprevistos operacionais.

Além da redução de gargalos e da otimização dos fluxos de carga, a utilização conjunta da DTA e do transporte multimodal também pode gerar ganhos em armazenamento, prazo de entrega e custos operacionais. A alternativa tem se mostrado especialmente importante em momentos de instabilidade, como eventos climáticos extremos ou restrições de infraestrutura.

Especialistas do setor apontam que, apesar dos avanços, ainda existem desafios relacionados à integração entre os diversos agentes da cadeia logística, além de questões ligadas à infraestrutura e aos processos regulatórios. Por isso, investimentos em tecnologia, monitoramento em tempo real e inteligência de dados têm sido cada vez mais utilizados para ampliar a previsibilidade e o controle das operações.

A tendência é que soluções integradas e modelos multimodais ganhem relevância nos próximos anos, acompanhando o aumento da complexidade das cadeias globais de suprimentos e a necessidade de maior eficiência no transporte internacional de cargas.

LOGÍSTICA ENTRA EM NOVA ERA IMPULSIONADA POR TECNOLOGIA E MUDANÇAS NO CONSUMO

A logística mundial atravessa um período de profundas transformações impulsionadas pelo avanço tecnológico, pelas mudanças geopolíticas e pelo novo comportamento dos consumidores. O tema foi debatido em uma entrevista especial promovida pela Tecnologística, que reuniu os professores Walter Zinn, da Ohio State University, e Mauro Sampaio, do Centro Universitário FEI.

Durante a conversa, os especialistas destacaram que a Inteligência Artificial já vem alterando significativamente a forma como empresas planejam suas operações, analisam dados e tomam decisões. Ferramentas baseadas em IA estão aumentando a produtividade, automatizando processos e permitindo análises cada vez mais precisas em toda a cadeia de suprimentos.

Para Walter Zinn, no entanto, o maior desafio não está apenas na adoção da tecnologia, mas na capacidade das organizações de se prepararem para um cenário de constante mudança. Segundo ele, ainda é difícil prever até que ponto a Inteligência Artificial poderá substituir atividades atualmente desempenhadas por profissionais ou transformar modelos de trabalho nos próximos anos.

Outro tema abordado foi o impacto do comércio eletrônico sobre as operações logísticas. A crescente exigência dos consumidores por entregas mais rápidas tem levado empresas a reverem estratégias, ampliarem redes de distribuição e investirem em eficiência operacional para manter a competitividade.

No contexto brasileiro, Mauro Sampaio ressaltou que as empresas também enfrentam desafios adicionais, como a necessidade de adaptação às mudanças provocadas pela reforma tributária e a reestruturação de cadeias de suprimentos historicamente desenhadas para atender questões fiscais.

Os especialistas também chamaram atenção para a crescente demanda por profissionais qualificados. Além do conhecimento técnico, competências como pensamento crítico, capacidade de adaptação e análise de dados serão cada vez mais valorizadas em um ambiente de negócios marcado pela incerteza e pela rápida evolução tecnológica.

A avaliação dos pesquisadores é que o futuro da logística dependerá da capacidade das empresas de integrar pessoas, processos, tecnologia e estratégia para responder às novas demandas do mercado.

Entrevista completa

A entrevista na íntegra está disponível no portal da Tecnologística e traz uma análise aprofundada sobre Inteligência Artificial, automação, transformação digital, mercado de trabalho e tendências para o supply chain global.

Assista à entrevista completa em: https://www.youtube.com/watch?v=Xf14VtrxrAY&t=3s